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Exploitation of Vietnamese students rampant among Melbourne businesses (SBS Vietnamese)

Reportagem exclusiva da Rádio SBS: exploração generalizada de estudantes vietnamita nos pequenos negócios em Melbourne

By
Olivia Nguyen, Trinh Nguyễn
Published on
Tuesday, April 25, 2017 - 18:52
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2.6 MB
Duration
5 min 45 sec

Os restaurantes vietnamitas são muito populares na Austrália e famosos por serem muito baratos, mas esta investigação do Programa Vietnamita da Rádio SBS mostra que esta fama tem um preço: a exploração de estudantes, que no setor de alimentação e hotelaria, chegam a ser pagos somente 6 dólares a hora.

No mês passado, uma repórter da SBS, se apresentando como candidata a trabalho em 20 restaurantes vietnamitas, em Melbourne, gravou secretamente o que ouvia.

(Boss:) "I will keep your salary for one week. The salary this week will be paid next week, in case you quit the job, after some days.

(Job seeker:) "Can I ask how much you will pay me please?"

(Boss:) "No, don't ask about the wages. I don't hire you."

(Boss) "Training, $120 per day, cash, pay every week.

(Boss:) "You will work for me 12 hours per day, 7am to 7pm."

(Job seeker:) "But my previous boss paid me $17 per hour."

(Boss:) "Huh? Seventeen dollars an hour for a waitress? I can't pay you that high."

Estudantes vietnamitas recém-chegados frequentemente procuram emprego na comunidade vietnamita local, mas estes estudantes contaram à SBS que são explorados, recebendo muito menos do que deveriam - entre 8 e 12 dóalres por hora - e, frequentemente, sendo vítimas de abuso verbal.

Mas há quem trabalhe por 6 dólares a hora, como Helen Nguyen, nas suas 3 primeiras semanas de trabalho na Austrália.

"They said I was too young and that they felt sorrow, sympathy, for me. So they hired me and paid me $35 per day during the training period. I was so happy. I did not know the minimum wages in Australia were about $16, $17. They promised that if I worked hard for them during a long time, they would pay me more. Then I realised the business owner was making fun of me."

A exploração de estudantes estrangeiros é prejudicial à segunda maior fonte de divisas da Austrália: o setor da educação internacional, hoje calculado ao redor de $17 bilhões de dólares.

Mais de 460,000 estudantes estrangeiros estão na Austrália e mais de 22 mil são vietnamitas - o quarto maior contingente, atrás dos chineses, indianos e sul-coreanos.

Estes estudantes aceitam estas condições porque precisam dinheiro para custear os seus estudos e estadia na Austrália e não tem outras opções.

E há quem diga que é difícil culpar os donos de pequenos restaurantes, centenas deles, que operam num ambiente altamente competititvo.

Meca Ho, da Associação de Negócios de Rua do estado de Vitória, argumenta que a comida vietnamita é a mais barata que se pode encontrar.

"They (business) always worry about overhead cost. The food that we are selling at the moment, 10 bucks. Consider between (Vietnamese food) Thai, Italian food, $25 for a dish. You come with two persons it's 100 bucks. You got a cheaper, Vietnamese bowl of soup. How many restaurants now? It's very competitive now in. It's so hard to compete. Now, there are thousands of Vietnamese restaurants. It's so hard to compete."

A diretora nacional do Projeto para o Fim da Escravidão Moderna da organização Salvos Australia - Exército da Salvação - Jenny Stanger, diz que a exploração de estudantes está a um passo da escravidão moderna e que é difícil tentar calcular o número de estudanferes sendo explorados na Austrália.

"One of the reasons it is difficult is so many international students are vulnerable and feel scared to reach out for help. They don't know who they can trust. They don't know what will happen if they reach out for help. So it's a very difficult number to measure."

Jenny Stager diz que o governo deve fazer mais pelos estudantes estrangeiros, que trazem muito dinheiro para a economia do país.

"International students make a lot of money for Australian educational institutions. They make a lot of money for a part of tourism. They contribute so much to our economy. And yet so many of them are being used and abused right at our neighbourhoods. So it's certainly a group of people that deserve respect and support, acknowledgment for the constant abuse that's happening, and we need to be something about it."

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Brasil é o país, fora da Ásia, com mais estudantes na Austrália

O Brasil é o sétimo país do mundo a ter mais estudantes na Austrália: 27.003 estudantes, atrás da China, Índia, Vietnã, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia.

Nos 10 países do topo, após o Brasil, estão Nepal, Indonésia e Hong Kong.

Estudante Weslei, de 23 anos, em São Paulo: "Estou revoltado"

Weslei Alves Bezerra, de 23 anos, desde São Paulo conta ao Programa Português da Rádio SBS que pagou mais de 5 mil dólares à agência Tu Futuro en Australia, que está muito revoltado por ter perdido tudo mas que vai começar tudo de novo, economizar novamente, para poder vir à Austrália.

Austrália: Mudanças no visto de estudante

O Departamento de Imigração e Proteção de Fronteiras efetuou mudanças no visto de estudante que afetam atuais e futros estudantes internacionais na Australia.

As mudanças aconteceram neste primeiro de julho, com base na aplicação, renovação e progressão acadêmica para estudantes internacionais na Australia.  

Entrevistamos a agente educacional qualificada Veronica Verissimo, que explica as principais mudanças.  

Felipe Hickman e Alex Azevedo, do CSF em Sydney, dão dicas para estudantes

Nossos convidados no estúdio da Rádio SBS são os estudantes Alex Azevedo, de engenharia mecatrônica, mineiro, e Felipe Hickmann, de agronomia, gaúcho, do programa Ciência Sem Fronteiras, do governo brasileiro.

Eles contam da vida em Sydney e dão dicas para quem quer se aventurar e estudar no exterior.

Estudantes estrangeiros explorados no trabalho vivem sob "véu do silêncio"

Aumenta a pressão sobre o governo federal por uma anistia para estudantes forçados a violar regras do seu visto no trabalho, na esteira do escândalo de exploração de trabalhadores vulneráveis nas lojas 7-Eleven da Austrália.

O programa Four Corners, da TV ABC, comparou o que acontece nas lojas 7-Eleven à escravidão moderna.

É de conhecimento geral o caso de alguns estudantes brasileiros na Austrália, mas ninguém fala abertamente.

Ouça aqui a reportagem.

Exploração de estudantes estrangeiros nos 7-Eleven da Austrália?

O parlamentar federal Adam Bandt, do Partido Verde, disse que a alegada exploração de funcionários dos 7-Eleven, recebendo até metade do salário mínimo, deve ser investigada com um inquérito especial do senado australiano.

Um basta à exploração de estudantes no trabalho, pede o Conselho de Estudantes Estrangeiros da Austrália

Thompson Cheng, Presidente do Conselho, afirma que quase a metade dos estudantes estrangeiros na Austrália estao sendo pagos abaixo ou um pouquinho acima do salário minimo do país. E alguns estudantes, diz ele, até nem estão sendo pagos. O Conselho de Estudantes Estrangeiros está clamando por mais controle dos empregadores que exploram os estudantes no local de trabalho.

Estudante brasileiro morre em Sydney após ter sido agredido - o agressor está preso, acusado de assassinato

Por volta das 3 horas da madrugada de domingo, o Serviço de Ambulâncias e Paramédicos foi chamado para tratar do brasileiro Lúcio Stein Rodrigues, de 34 anos, com ferimentos graves na cabeça, na Rua Goulburn, no centro da cidade, após ter sido alegadamente vítima de um agressor.

A polícia chegou logo depois e ainda viu os paramédicos tratando do brasileiro, que foi levado ao hospital Saint Vincent e submetido a cirurgia de emergência.

Polícia de NSW quer recuperar a confiança dos estudantes estrangeiros em Sydney

Veronica Millar, da Polícia de Nova Gales do Sul, fala das iniciativas para aumentar a confiança dos estudantes estrangeiros na polícia estadual.Estas relações foram profundamente afetadas desde a morte do estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti, no ano passado, no centro de Sydney, após receber disparos de arma taser, durante uma perseguição policial.Entre as iniciativas da polícia está um jogo de futebol de praia, no próximo domingo, dia 29 de setembro.Será na praia de Coogee, em Sydney, entre dois times da polícia e times de estudantes de vários países latino-americanos, incluindo o Brasil.

Condição de imigrante não é obstáculo para estudantes do ensino médio na Austrália

Um amplo estudo que analisou as consequências da condição imigrante no desempenho acadêmico dos estudantes do ensino médio mostrou que há pouca diferença entre as crianças imigrantes e as crianças nascidas na Austrália. O estudo aponta que são outros fatores, como a pobreza e o nível de alfabetização da família, que podem afetar o desempenho acadêmico das crianças e não a sua origem.  

An exclusive investigation led by SBS Radio’s Vietnamese program has uncovered exploitation and underpayment of migrant workers in Vietnamese restaurants in Melbourne, with international Vietnamese students sharing their experiences of being expected to work excessive hours for hourly rates as low as six dollars.

After a social media post from a Vietnamese student sharing their experience working at a Melbourne-based restaurant attracted hundreds of comments from others in the community claiming to have had similar experiences, SBS Radio commissioned an investigation to explore the allegations further.

As part of the investigation, an undercover job seeker sought work at more than 20 Vietnamese restaurants across South East and West Melbourne, with the footage of her experience revealing that most of these restaurant owners refused to discuss wages upon employment of staff, with none offering more than ten dollars per hour, paid only in cash. One staff member advised SBS Radio’s undercover job seeker that she shouldn’t question wages if she wanted to remain employed.

SBS Radio Vietnamese Digital Producer, Trinh Nguyen, said: “When students started to contact the program with similar or worse experiences, we felt that it was our responsibility to examine and raise awareness of this important issue so that it can be addressed.”

SBS Vietnamese Radio Producer, Olivia Nguyen, adds: “It is alarming to see increasing numbers of students facing such extreme situations in the Vietnamese community. What is more surprising is that fellow countrymen could exploit the vulnerability of these migrants, paying them as little as five dollars per hour.”

Further conversations with students, conducted as part of investigation, reveal that some restaurateurs maintain two financial diaries, with forged data on the number of employees being supplied for ATO purposes. Students also advised that Vietnamese migrants are preferred employees for easier communication, and that due to the language barrier and limited grasp of English; international students are willing to accept any job conditions and salaries to survive in Australia.

A Vietnamese student, Aggie Phan*, told SBS Radio: “She (the boss) treated me like an animal. I don't think it happens to me and lots of international students. I don’t think that I could become a victim of exploitation. I don’t have a right, even I go to toilet, they monitored me, I don’t have a right to eat in lunchtime. I cried and told my parent back home that I might made a wrong decision when I came here [sic].”

Four years after working in a Vietnamese restaurant, Helen Nguyen, who has now completed her studies and is currently working as a nurse in Sydney, recalls the mistreatment she experienced, telling SBS Radio: "They [my employer] said I was too young and they felt…sympathy for me. So they hired me, paid me $35 per day for training period. I was so happy; I did not know the minimum wages in Australia was about $16, $17 [per hour].

“They promised if I work hard for them during a long time, they will pay me more. But I was very shock for the first day at work. I had to clean everything, do kitchen hand, and do waitress jobs. At that time, I recognised my owner was playing a trick on me,” she added.

When contacted by SBS Radio, the Fair Work Ombudsman indicated that they are aware that small businesses are exploiting their labour and consider this extremely serious.

A spokesperson said: "The Agency is focused on ensuring more is done to ensure culturally and linguistically diverse business operators understand and comply with Australian workplace laws. We understand that there are cultural challenges and vastly different laws in other parts of the world, but want to increase awareness that it is essential that all businesses operating in Australia understand and apply Australian laws."

Speaking in defence of small businesses in Melbourne, the President of Footscray Asian Business Association, Wing La, says that it is not fair to blame the underpaid issue on restaurant businesses, and that exploitation is not only occurring within the Vietnamese community.

He said: “This has happened because of the two parties. If students decisively refuse underpayment, then this [issue] wouldn’t exist. To some extent, this is also the students’ fault. It is not easy to solve. One side is willing to be exploited; other side is ready to take offense. It is not only happening in Vietnamese communities, but also other communities”.

A comprehensive report on the investigation is available online at the SBS Radio Vietnamese website, including detailed responses from all stakeholders.