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Eduardo Martins used the images of surfer Max Hepworth-Povey for his Instagram profile (Instagram)

O caso extraordinário e inacreditável do falso fotógrafo brasileiro que enganou a mídia internacional e os seus quase 130 mil seguidores no Instagram - e pode ser que ele esteja na Austrália.

By
Beatriz Wagner
Published on
Sunday, September 3, 2017 - 15:40
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4 min 36 sec

Um falso fotógrafo de guerra, brasileiro, enganou a grande mídia internacional como a Al Jazeera, Wall Street Journal, Vice, BBC Brasil e agências internacionais de imagens como a Getty, apagou todos os seus perfis na internet e pode estar escondido na Austrália.

O suposto Eduardo Martins, paulista de 32 anos - não se sabe se esta é a sua verdadeira identidade - nos últimos anos se apresentava como fotógrafo de guerra da ONU, registrando eventos recentes na Síria e no Iraque, aonde disse ter acompanhado a batalha por Mossul, contra o Estado Islâmico.

O seu perfil no Instagram, agora apagado, tinha mais de 120 mil seguidores, incluindo muitos fotógrafos de renome e a própria ONU.

Ele oferecia as suas fotos - na verdade fotos de outros fotógrafos, que ele invertia (horizontal flip) e usava photoshop - e era entrevistado por importantes meios de comunicação mundo afora, contando a sua história: sobrevivente de leucemia aos 25 anos, surfista por hobby e fotógrafo de guerra por vocação.

Até agora, não está claro se o tal Eduardo Martins alguma vez recebeu pagamento pelas fotos que enviou e autorizou a publicação em vários websites e publicações ao redor do mundo, incluindo as agências de imagens Getty e Zuma.

Eduardo Martins foi denunciado primeiro no dia 31 de agosto, hora do Brasil, pelo fotógrafo e colunista do portal Waves, Fernando Costa Netto, que tinha uma relação virtual de amizade com ele, e que tinha publicado um mês antes um artigo com a história e o talento excepcional de Eduardo.

Ao receber telefonemas de um grande meio de comunicação do Brasil e de outro do exterior, desconfiados de que Eduardo seria fake, Fernando deu a entender ao amigo virtual, aparentemente de forma inadvertida, pelo WhatsApp, que estavam desconfiando dele. Esta atitude de Fernando, de acabar alertando Eduardo, tem sido muito criticada nas redes sociais,

Eduardo Martins, ato contínuo, imediatamente apagou a sua conta no instagram e a sua webpage na internet, e escreveu a Fernando:

"Estou na Austrália. Tomei a decisão de passar um ano uma van. Vou cortar tudo, inclusive internet. Quero ficar em paz, a gente se vê quando eu voltar. Qualquer coisa, me escreve no dudumartisn23@yahoo.com. Um grande abraço, Vou deletar o zap. Fica com Deus. Um abraço".

O fotógrafo paulistano Ignácio Aronovich, ao ler o post de Fernando Costa Netto, se interessou pelas fotos de Eduardo Martins e, ao notar nas fotos câmeras fotográficas com o disparador do lado esquerdo, se deu conta de que as fotos eram invertidas, espelhadas, e com isso conseguiu descobrir o verdadeiro autor de algumas das fotos, o americano Daniel Britt, que mora na Turquia.

Aqui a comparação entre as fotos originais de Daniel C. Britt e as manipuladas por Eduardo Martins, postadas no Facebook de Ignacio Aronovich: 

As fotos supostamente de Eduardo ainda apareciam até ontem no banco de imagens da agência Getty, vendidas a 575 dólares americanos cada. A agência agora retirou todo o material de Eduardo de circulação.

No dia seguinte, sexta-feira no Brasil, primeiro de setembro, a BBC Brasil, que também foi ludibriada, fazendo uma reportagem sobre ele, acreditando no fotógrafo, publicou uma extensa reportagem investigativa, denunciando Eduardo Martins.

Na verdade, foi a jornalista Natasha Ribeiro, colaboradora da BBC Brasil que vive no Oriente Médio e uma das autoras desta reportagem, quem primeiro soou o alarme, ao ser abordada na internet por Eduardo. Ela desconfiou de seu discurso, conforme a reportagem:

"As desconfianças aumentaram quando, no Iraque real, palco das cenas de guerra que Eduardo afirmava retratar, jornalistas brasileiros se deram conta de que ele não era conhecido ali. Ninguém, entre autoridades e organizações não governamentais na Síria ou no Iraque, dizia já tê-lo visto ou conhecido."

O post da reportagem no facebook da BBC Brasil tem 12.000 curtidas, mais de 2.700 comentários e mais de 3.800 compartilhamentos.

A atitude da BBC Brasil, de reconhecer que foi enganada e expor extensamente o caso, tem sido muito elogiada nas redes sociais, mas uma pequena polêmica paralela nos comentários é pelo fato da BBC Brasil, ao reconhecer o seu erro, ter caracterizado Eduardo Martins como jovem, loiro e bonito.

Todo mundo quer saber quem é este cara, mas pode ser o caso de que ele não tenha deixado nenhuma pista para seguir.

BBC Brasil and Vice não pagaram Eduardo Martins pelas fotos "dele" que usaram nos seus artigos. Não há ainda confirmação das agências Getty ou Zuma de que tenham feito algum pagamento ao fotógrafo falso,com os seus detalhes de conta bancária. Ao que se sabe até agora, ninguém nunca o viu, nem pessoalmente nem em vídeo ao vivo, online.

A investigação da BBC Brasil descobriu cinco mulheres, todas bem sucedidas nas suas carreiras, que eram namoradas virtuais de Eduardo. Nenhuma delas se encontrou com ele.

A página de Eduardo Martins na internet, agora apagada, foi criada com uma empresa da Flórida que garante anonimato total.

Será possível que este cara tenha cometido "o crime perfeito"? E por quê?

De momento, ninguém sabe onde ele está mas, segundo ele mesmo, estaria dando um tempo na Austrália, numa van.

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