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A literatura de Timor entra para a montra internacional com o prémio Oceanos atribuído a Luís Cardoso

O escritor timorense Luís Cardoso com "O Plantador de Abóboras" foi o preferido entre os 1835 livros apresentados na edição de 2021 do prémio Oceanos. Source: sapo.pt

Confira na crônica desta semana do correspondente do Programa Português da Rádio SBS em Lisboa, Francisco Sena Santos.

O influente e multifacetado grupo brasileiro Itaú move-se por setores como a banca, a indústria com foco na alimentar, a área editorial e cultural- neste caso com a Fundação Itaú Cultural.

Ao criar o prémio literário Oceanos fixou que as obras (os livros de romance, conto, poesia ou ensaio) a concurso teriam de ser escritas originalmente em língua portuguesa.

Foi essa também a intenção da Portugal Telecom, ao criar o prémio em 2003 – o Oceanos tornou-se um dos mais ambicionados na escrita em português. Com o fim da empresa Portugal Telecom, o grupo Itaú, que era parceiro, assumiu a liderança da organização deste Oceanos – alusão aos oceanos que nos ligam.

À edição deste ano do prémio candidataram-se 1835 livros - um número enorme a que corresponde tarefa imensa para os júris.

Esses 1835 livros a concurso foram escritos por autores/escritores de 10 nacionalidades. Todos a escrever em português.

Com tanto livro para apreciar foram constituídos três júris, para as sucessivas etapas de seleção. No total, 95 jurados.

O veredito final ficou conhecido nesta semana.

Coube ao escritor baiano Itamar Vieira Júnior, que no ano passado açambarcou prémios, venceu o Oceanos, venceu também o Jabuti, e teve agora o encargo de anunciar o principal vencedor do Prémio Oceanos de 2021: O timorense Luís Cardoso é o premiado pelo romance "O Plantador de Abóboras" - uma alegoria poética, em jeito de monólogo, sobre a História de Timor-Leste no último século, com a guerra de três ocupações, a colonial portuguesa, a japonesa e a indonésia.

Timor-Leste não tem uma tradição literária escrita. Nem em português nem em tétum (a outra língua oficial do país).

Há uma literatura oral com muito ainda para explorar.

Mas na literatura escrita, há este nome principal agora premiado, Luís Cardoso. Distinguido pela profundidade de diversidade que neste romance O Plantador de Abóboras acrescenta à língua portuguesa como aqui explica o porta-voz do júri do prémio Oceanos.

“É um romance que nos lembra que a língua portuguesa permanece viva e ganhou densidade e profundidade em cada fracção de terra onde é falada. É um romance que nos faz reflectir também que a história de uma personagem nunca é solitária – é uma história que carrega consigo a história de sua comunidade, de seu povo e, neste caso, a história de um país, o Timor-Leste”.

O Plantador de Abóboras é apresentado como um romance mas é devido dizer que o ritmo frásico de Luís Cardoso quase faz pensar num longo poema em versão corrida.

O escritor Luís Cardoso nascido em 1958, tem em O Plantador de Abóboras o seu sétimo romance.

Luís Cardoso nasceu num lugar no interior de Timor, junto à fronteira com a Indonésia. Mas ainda bebé, a família mudou-se para a ilha de Ataúro. Mais tarde, frequentou colégios missionários — onde aprendeu português, a sua língua-mãe é o tétum — e um seminário jesuíta. Depois do 25 de Abril de 1974, e antes da invasão Indonésia, mudou-se para Portugal.

Frequentou o Instituto Superior de Agronomia e concluiu o curso de Silvicultura. Durante vários anos foi o representante em Portugal do Conselho Nacional da Resistência Maubere. Depois da independência preferiu continuar cidadão interveniente mas fora da política. Ainda há um mês, Luís Cardoso, teve participação relevante com um detalhado testemunho sobre Dom Basílio do Nascimento na bela homenagem (com missa de 7º dia) ao falecido Bispo de Baucau que Tânia Bettencourt Correia organizou no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Agora, Luís Cardoso, escritor já traduzido em diversos países, coloca Timor na montra internacional de escritores premiados.

Na edição deste 2021 do prémio Oceanos, o 2º lugar foi atribuído ao romance O Ausente, do brasileiro Edimilson de Almeida Pereira, e em 3º lugar o romance O Osso do Meio, do português Gonçalo M. Tavares (vencedor do Oceanos em 2007 com Jerusalém e em 2011 com Uma Viagem à Índia). Fora do pódio ficaram entre outros os também finalistas Mia Couto e Pedro Eiras e outros.

O júri que avaliou os finalistas é composto pela angolana Ana Paula Tavares, pelos brasileiros Itamar Vieira Junior (vencedor do Oceanos em 2020), Julián Fuks (vencedor em 2016), Maria Esther Maciel e Veronica Stigger (Brasil) e pelo português António Guerreiro.

O timorense Luís Cardoso com O Plantador de Abóboras foi o preferido entre os 1835 livros apresentados.

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