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COVID-19 causa danos cerebrais que levam à perda de 10 pontos de QI

Efeitos de longo prazo da COVID-19 devem afetar 1.4 milhões de australianos. Source: Getty Images

De acordo com um estudo recente da Universidade de Cambridge e do Imperial College London, os danos cognitivos consequentes de uma crise grave de Covid-19 são, em média, semelhantes aos que se verificam no processo de envelhecimento entre os 50 e 70 anos de idade. O estudo concluiu ainda que este nível de envelhecimento cerebral é o equivalente a perder 10 pontos de QI (Quociente de Inteligência).

Investigadores de um estudo recente verificaram que a Covid-19 está associada a danos cerebrais graves que podem permanecer por tempo indeterminado. Estes resultados do estudo foram mais notórios ​​em pessoas com coronavírus que foram tratadas no hospital, em particular as que usaram o ventilador.

Este tipo de comprometimento, ou envelhecimento, cognitivo é comum nos casos de distúrbio neurológico, nomeadamente em casos de demência. A novidade que este estudo trouxe é que o Covid-19 tem um efeito distinto destas doenças cerebrais.

Os resultados da investigação indicam que os danos cerebrais permaneceram ​​por mais de seis meses após a recuperação da doença viral da Covid-19, e parece que “qualquer recuperação possível é, na melhor das hipóteses, gradual” – indica o estudo.

O paper científico publicado no âmbito desta investigação evidencia que o Covid-19 pode causar problemas de saúde mental e cognitivos duradouros, com pacientes recuperados a relatarem a permanência de sintomas específicos: fadiga, 'nevoeiro cerebral', dificuldade na memorização de palavras, distúrbios do sono, ansiedade e até transtorno de stress pós-traumático (TEPT). E estes sintomas duram meses após a infeção.

O processo de investigação usado no novo estudo

Os investigadores da Cambridge e do Imperial College London recrutaram 46 pacientes, com idades entre 28 e 83 anos, que foram hospitalizados entre 10 de março e 31 de julho de 2020. Dezasseis desses pacientes foram colocados nos ventiladores mecânicos.

A fase seguinte do design da investigação incluiu submeter estes pacientes a testes cognitivos computadorizados detalhados, cerca de seis meses após a doença aguda usando a plataforma Cognitron – uma ferramenta de inteligência artificial projetada pelo Imperial College para modelar as habilidades mentais humanas.

A Cognitron mede diferentes aspetos das faculdades mentais, tais como memória, atenção e raciocínio. Os resultados dos pacientes foram comparados entre grupos monitorizados.

Os resultados da investigação

Estes cientistas recolheram então alguns relatos anedóticos na fase de análise dos seus resultados. Por exemplo, os pacientes que sobreviveram aos casos graves de Covid-19, na sua maioria, relataram dificuldades em encontrar as palavras certas quando em situação de conversa.

Estes pacientes também mostraram outros sintomas curiosos:

Velocidades de processamento mais lentas, que se alinham com as observações anteriores pós-Covid-19 de diminuição do consumo de glicose cerebral na rede fronto-parietal do cérebro, responsável pela atenção, resolução de problemas complexos e memória de trabalho, entre outras funções.

 Referem os investigadores no artigo publicado.

O estudo indica ainda que:  

Alguns pacientes, 10 meses após a infeção aguda por Covid-19, começaram a ter finalmente melhorias muito lentas. Embora isto não tenha sido estatisticamente significativo, pelo menos é um sinal positivo. Contudo, a probabilidade é que alguns destes indivíduos nunca venham a recuperar-se totalmente.

Casos de Covid-19 leves podem, mesmo assim, deixar os pacientes vulneráveis

Já em Março deste ano, um outro estudo da Oxford University tinha avançado que as pessoas que sofrem sintomas leves de Covid-19 podem perdem até 2% da massa cinzenta do cérebro.

Este grupo de investigação, que publicou os seus resultados num artigo da revista científica Nature, descobriu danos nos tecidos de certas partes do cérebro de pessoas infetadas com Covid-19, que indicam que estas pessoas passaram a sofrer de envelhecimento acelerado, pelo menos temporariamente.

Os resultados deste estudo levam a crer também que este estado cerebral pós-Covid-19 é, possivelmente, um tipo de doença neurodegenerativa nova. Ou seja, que os danos cerebrais sofridos por estas pessoas, pelo menos em alguns casos, podem passar a ser um problema contínuo e permanente.

Para saber como está o seu cérebro a funcionar ao nível da cognição, visite este este website, onde pode experimentar os jogos cerebrais Cognitron e explorar os seus pontos fortes cognitivos, enquanto contribui como participante para a continuação da investigação destes cientistas.

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