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“Eu estava lá”: testemunhas relembram a luta pela independência de Timor-Leste

A diplomat, a journalist and an activist who witnessed the Timor-Leste crisis unfold.

Hannah Sinclair, da SBS News, conversou com três pessoas que testemunharam os eventos em torno do referendo da independência em Timor: um ativista, um diplomata e uma jornalista relembram o 30 de agosto de 1999 e contam o que viram.

O ativista: Abel Guterres e a luta pela independência

É da fumaça que Abel Guterres mais se lembra. Ele era um exilado timorense de 44 anos e ativista a favor da independência de seu país, quando dirigindo foi alvo de tiros disparados pelas milícias pró-Indonésia. 

Naquele dia, Guterres dirigiu para o topo de uma colina com vista para Dili, capital de Timor-Leste.

Ninguém estava respondendo suas ligações e ele logo saberia por quê: a cidade estava em chamas.

Era 31 de agosto de 1999, um dia depois do referendo histórico da independência de Timor.

Os timorenses tiveram que escolher entre a autonomia dentro da Indonésia ou a independência.

Anti-independence militiaman
Milícia anti-independência segura uma espada enquanto incêndios se espalham por Dili (Setembro de 1999)
APTN/AAP

No dia da votação, Guterres – que hoje é embaixador de Timor-Leste na Austrália – recorda que conversou com alguns jovens que estavam na fila esperando para votar.

Eles disseram a ele que apesar de estarem apreensivos com a violência ao redor deles, estavam agindo em nome dos familiares mortos. 

Por centenas de anos, Timor-Leste foi ocupado pelos portugueses e, em 1975, a Indonésia invadiu o país, o que desencadeou uma luta pela independência que durou 24 anos.

Estima-se que mais de 200 mil pessoas – um quarto da população – pereceu na guerra.

O referendo de 1999 mostrou que mais de 78 das pessoas eram favoráveis i​ndependência.

Grupos paramilitares pró-Indonésia começaram a atacar civis que lutavam pela independência, eles dirigiam pela cidades e ateavam fogo nos edifícios. Acredita-se que pelo menos 1.400 pessoas tenham sido mortas.

A conexão de Abel Guterres com a Austrália foi por acaso. Em 1975, ele e um amigo decidiram embarcar em um avião militar de transporte australiano com destino a Darwin.

 Os dois plenajavam ficar por duas semanas mas só voltaram a Timor 24 anos depois do período da invasão indonésia.

Como milhares de outros timorenses, Guterres refez sua vida na cidade Melbourne, onde trabalhou como motorista de ônibus e bonde, sem saber o que havia acontecido com sua família.

Em 1980, Guterres, que tinha 24 anos foi informado de que as forças indonésias tinham assassinado 13 de seus irmãos e seu pai. A tragédia o motivou a continuar fazendo campanha pela independência de Timor e ele se tornou um porta-voz do movimento de resistência Fretilin (a Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente).

Na lista negra das autoridades indonésias, o retorno de Guterres a Dili em 1999 o viu usar um nome falso para entrar no país.

Apesar dos riscos, ele estava determinado a votar no referendo pela independência.

Abel Guterres
Abel Guterres (esq) ainda jovem
Supplied

O diplomata: o embaixador John McCarthy que protegeu os estrangeiros

No período que antecedeu a votação de 1999, as milícias pró-Indonésia empreenderam uma campanha violenta contra cidadãos em Timor-Leste.

O embaixador da Austrália na Indonésia na época era John McCarthy.

McCarthy estava em Dili no dia do referendo. “Houve violência na cidade de Dili e dentro de alguns dias a violência explodiu em todo o país, vindo principalmente de milícias pró-integração até certo ponto apoiadas pelos militares,” disse ele.

Foi McCarthy quem entregou a 'carta de Howard' do então primeiro-ministro australiano John Howard ao novo presidente indonésio B.J. Habibie em dezembro de 1998. A carta propunha autonomia para Timor-Leste e chegou em um momento crítico na Indonésia.

O embaixador foi manchete internacional após ter sido alvo de disparos das milícias que rondavam Dili naqueles dias.

Ele lembra que naquele dia ele dirigia um jipe b​ranco com dois soldados indonésios como guarda costas, tentando transportar estrangeiros, inclusive jornalistas, para um lugar seguro.

Os tiros disparados pelas milícias passaram de raspão. “Felizmente,” John McCarhty Recorda, “eles erraram.”

East Timorese
Timorenses na fila para votar: 30 de Agosto 1999
AAP

A jornalista: Vesna Nazor cobriu os primeiros dias pós-referendo

A repórter da SBS, Vesna Nazor, lembra de um clima tenso antes da votação, mas também um sentimento único de antecipação.

A cobertura jornalistica dos eventos levou os jornalistas a saírem de seu hotel para uma casa onde seria mais seguro.

Vesna disse que jamais vai esquecer os eventos daquela noite.

Duas décadas após o banho de sangue, ela disse que a coragem do povo timorense deve ser lembrada.

"Muitos deles fizeram fila durante horas no sol quente e percorreram uma distância muito longa para chegar a uma cabine de votação," disse. "Eles apareceram para votar apesar das ameaças e violência da milícia," lembra a jornalista.

Dili
Dili em chamas (setembro de 1999): milícias atearam fogo nos prédios da cidade
AAP

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