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Filme retrata a vida do mito, fundador do pop português, António Variações

A estreia do filme Variações aviva, 35 anos depois da morte causada pela Sida, o mito exuberante de António Variações.

António Variações foi, nos anos 80, o inventor do pop português - com canções como “É prá amanhã”.

A expetativa em torno da estreia nesta próxima semana do filme Variações mostra como, 35 anos depois de morrer, António Variações continua a ser um ídolo.

Variações morreu em junho de 1984, tinha 39 anos, a SIDA tirou-lhe a vida, mas o mito sobreviveu-lhe.

Variações foi tudo o que a breve vida lhe permitiu ser, desde que nasceu António Ribeiro até se imortalizar ícone.

Entre 1977 e 1981, o "Tonito" de sua mãe, proveniente de Amares, foi do mundo e do que a música fez dele. Devoto da grande Amália Rodrigues, voz original do Povo que Lavas no Rio que ele adaptou, Variações atingiria glória máxima com "O corpo é que Paga".

Filho do chamado nacional cançonetismo que marcou a música portuguesa dos anos 60 e 70 (antes da revolução), mas sem ser dele refém, António Variações surgiu como um homem exuberante que fazia o que bem entendia, tinha uma visão sobre as coisas, sobre a sua forma de vestir, cantar e escrever, com toques de fado e flamenco.

Variações vivia o ritmo dele com imensa liberdade, trauteava e fintava as métricas como a vida.

Das romarias e do folclore sorveu a cor, da sociedade conservadora perseguiu as sombras. As tesouras de barbeiro que tambem foi também lhe serviram para cortar as etiquetas sociais. António

Variações não cabe em caixinhas com etiquetas, embora a sua barbearia criativa fosse um depósito kitsch que ele, com audácia, modernizou.

Variações introduziu uma nova forma de se fazer uma música, aquela que "fica entre Braga e Nova Iorque", entre as raízes do folclore e a vanguarda sofisticada. É assim mesmo que Rui Pregal da Cunha, vocalista da banda Heróis do Mar, evoca o homem sem barreiras. "As pessoas gostam de inserir as coisas em caixas e etiquetá-las. Isso não é exequível com pessoas únicas."

O hibridismo, o cosmopolitismo, a abertura ao mundo num contexto fechado, a sexualidade, a moda, o do-it-yourself, a forma como ele lidou com essas questões e as transpôs para o espaço visível da indústria cultural, tudo isso marca a figura de António Variações. Sempre perturbador, sempre genial.

O filme Variações, de João Maia, que agora vai estrear e que tem prometido correr mundo, vem avivar o mito de António Variações. Morreu há 35 anos, mas os cantores que têm hoje à volta de 20 ou 30 anos continuam a querer adaptar músicas e estilos dele.

O mito sebastianista ocupa o imaginário português, onde persiste a tentativa de fazer surgir, de vez em quando, mais um António Variações.

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