Como é comum entre biólogos marinhos, a carioca Mariana Mayer Pinto tinha o sonho de conhecer a Austrália. Este sonho foi realizado em 2005, quando ela, após se formar e fazer mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, desembarcou em Down Under para um doutorado na Universidade de Sydney.
Vinte anos depois, a agora pós-doutora e professora da Universidade de New South Wales é uma das fundadoras e dirigentes do Living Seawalls - um projeto que transforma construções marinhas, como portos, paredões e marinas, em ambientes prósperos para a vida local usando módulos que simulam características dos habitats naturais.

O projeto é baseado nas pesquisas dos envolvidos e fornece evidências para a ecoengenharia sobre como desenvolver infraestrutura marinha para melhorar, ou ao menos minimizar danos à biodiversidade, à qualidade da água e ajudam na resiliência climática.
As instalações que Mariana e equipe fizeram no Sydney Harbour há seis anos aumentou em cerca de 30% o número de espécies no local, comparadas com as paredes não modificadas.

O Living Seawalls - que pode ser traduzido como "Paredes Vivas" - é um dos finalistas do Prêmio Eureka 2025, que muitos chamam de o Oscar da Ciência australiana, na categria Pesquisa e Inovação.
Mariana Mayer Pinto divide a nomeação com as colegas Melanie Bishop e Katherine Dafforn, professoras da Universidade Macquarie, e Maria Vozzo, doutora do CSIRO, a agência nacional de ciência da Austrália. A gerente do projeto é a Aria Lee, doutoranda do Instituto de Ciências Marinhas de Sydney.
Estamos muito felizes por sermos finalistas do prêmio. É um projeto que começou puramente científico. No clima político hoje em dia, ter coisas baseadas em ciência de boa qualidade que fazem a diferença é importante.Mariana Mayer Pinto.
As paredes marinhas desenvolvidas pela equipe do Living Seawalls agora estão virando uma empresa com projetos em várias partes do mundo, e ainda este ano haverá o início de uma parceria com a Unifesp e a USP para o desenvolvimento no porto de Santos, o maior da América Latina.

O projeto vencedor do Eureka será conhecido em 3 de setembro. Enquanto isso, conversamos com a professora-associada Mariana Mayer Pinto. Nesta entrevista à SBS em Português, ela conta como veio parar na Austrália, explica o desenvolvimento do Living Seawalls, afirma que o projeto está virando uma empresa cujo lucro não será a prioridade, e celebra a indicação ao Eureka como uma vitória da ciência de boa qualidade em meio ao clima político atual.
Eu brinco que vai ser uma empresa "for profit non-profitable". Não vai ser uma ONG por motivos burocráticos, mas a ideia não é o lucro. Não haverá investidores. É uma questão de propriedade intelectual mesmoMariana Mayer Pinto.
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