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A química perfeita: casal de cientistas brasileiros conquista Global Talent e prêmios na Austrália

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O casal de cientistas de materiais Adriana Pires e Diego Souza acredita que a ciência deve estar a serviço da sociedade e da preservação do meio ambiente. Após conquistarem reconhecimento, prêmios e a cidadania australiana, eles trabalham agora para abrir portas a novos pesquisadores brasileiros no país. (arquivo pessoal)

Das salas de aula de escolas e universidades públicas brasileiras aos laboratórios de pesquisa na Austrália, Adriana Pires e Diego Souza transformaram a paixão pela ciência em uma carreira de reconhecimento internacional. À SBS em Português, o casal de nordestinos falou sobre a trajetória, a conquista da residência permanente através do visto Global Talent e a missão de abrir caminhos para outros pesquisadores brasileiros na Austrália.


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Presented by Felippe Canale

Source: SBS


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Das salas de aula de escolas e universidades públicas brasileiras aos laboratórios de pesquisa na Austrália, Adriana Pires e Diego Souza transformaram a paixão pela ciência em uma carreira de reconhecimento internacional. À SBS em Português, o casal de nordestinos falou sobre a trajetória, a conquista da residência permanente através do visto Global Talent e a missão de abrir caminhos para outros pesquisadores brasileiros na Austrália.


Naturais do Nordeste brasileiro, Adriana, 41 anos, nasceu em São Luís, no Maranhão, e Diego, 35 anos, em Fortaleza, no Ceará. Hoje, os dois atuam como cientistas de materiais e acumulam reconhecimentos pelo trabalho desenvolvido em áreas ligadas à energia, à sustentabilidade e à inovação tecnológica.

O relacionamento começou em uma universidade pública no Brasil

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Diego e Adriana se conheceram há quase dez anos, dando início a uma parceria que une a vida pessoal e a pesquisa científica. (arquivo pessoal)

Adriana conta que conheceu Diego na Universidade de São Paulo, em 2017.

"Nos vimos pela primeira vez na USP, eu trabalhava no Instituto de Química como pesquisadora e ele começou como aluno de mestrado lá. Foi aí que a gente começou a se relacionar".

Na entrevista ao podcast, ambos destacam a importância do ensino superior público em suas trajetórias acadêmicas e profissionais.

Foi nesse período que eu percebi que a ciência me permitia fazer perguntas que ainda não tinham respostas e contribuir para resolver problemas reais.
Adriana Pires, cientista de materiais

Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de dar continuidade à carreira científica do outro lado do mundo, ela relembra:

"Nós viemos para a Austrália no final de 2018, que foi quando o meu contrato na USP acabou e ao mesmo tempo o Diego tinha acabado o mestrado. Eu consegui uma vaga na Universidade de Sydney, eu vim com sponsor da universidade, e aí ele veio comigo".

Iniciando uma carreira internacional na ciência

A mudança de país representou não apenas uma nova etapa pessoal, mas também um desafio profissional para o casal.

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Diego e Adriana na Universidade de Sydney, onde ela atuou na área de pesquisa antes de se mudarem para Perth. (arquivo pessoal)

Tínhamos esperança de construir uma carreira internacional, mas sabíamos que seria um caminho cheio de desafios. Mudar de país significa reconstruir redes profissionais, adaptar-se a uma nova cultura e provar novamente sua capacidade.
Diego Souza, cientista de materiais

Embora reconheçam as exigências da carreira científica, Adriana acredita que compartilhar a mesma profissão trouxe vantagens ao longo da jornada.

"Ter alguém do lado que compreende esse processo torna os desafios mais leves e as conquistas ainda mais significativas”, diz a cientista.

Apesar de nunca terem trabalhado exatamente no mesmo projeto, os caminhos profissionais dos dois se cruzaram em diferentes momentos.

“Nós dois já trabalhamos no mesmo grupo de pesquisa na Curtin University. Eu era pesquisadora lá e ele entrou como aluno de PhD. Era o mesmo grupo, mas projetos diferentes”, relembra Adriana.

Pesquisas em busca de soluções mais eficientes e sustentáveis para o mundo

Mas, afinal, o que faz um cientista de materiais? Para responder a essa pergunta, o casal explica como o seu trabalho contribui para o desenvolvimento de novas tecnologias e em quais pesquisas estão envolvidos atualmente.

"Eu tenho desenvolvido materiais para o armazenamento, transporte e purificação de hidrogênio de maneira mais segura e eficiente. O hidrogênio é considerado um dos combustíveis mais promissores para reduzir as emissões de carbono", diz a cientista.

Meu trabalho busca ajudar a tornar a energia do futuro mais acessível e sustentável.
Adriana, cientista

Segundo ela, o objetivo é ajudar a acelerar a transição para energias limpas em setores como os transportes, a mineração e a indústria.

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Diego e Adriana na Curtin University, em Perth, na cerimônia de doutorado do cientista (arquivo pessoal)

Diego, por sua vez, destaca como a ciência dos materiais está presente no dia-a-dia das pessoas.

Muitas das tecnologias que usamos diariamente, como celulares, computadores e veículos elétricos, eles só existem porque alguém desenvolveu materiais com propriedades específicas para essas aplicações.
Diego, cientista de materiais

Ele também compartilha que o seu atual projeto está alinhado aos princípios da economia circular: um modelo de produção e consumo que procura reduzir o desperdício ao máximo.

"Atualmente, eu busco transformar resíduos industriais em recursos de valor, reduzindo desperdícios e contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis."

Assim, em vez de descartar materiais ao fim da sua utilização, a ideia é reutilizá-los, reciclá-los ou transformá-los em novos recursos.

Visto Global Talent: da pesquisa à residência permanente

Um dos marcos da trajetória do casal foi a conquista da residência permanente na Austrália através do Global Talent em 2021.

Adriana recebeu o visto em reconhecimento à relevância de sua atuação científica, e Diego foi incluído na mesma solicitação. Anos depois, os dois também conquistaram a cidadania australiana.

Toda a minha trajetória e formação foi construída na educação pública brasileira. Quando eu recebi o Global Talent Visa, eu senti que aquela conquista não era apenas minha, mas também resultado do investimento que a sociedade brasileira fez na minha educação.
Adriana Pires, cientista

Prêmios e reconhecimento de uma jornada brilhante

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Adriana prestigiando Diego quando ele recebeu o Universities Australia Award, uma honraria concedida por algumas universidades australianas a estudantes que se destacam pelo excelente desempenho acadêmico (arquivo pessoal)

Ao longo da carreira acadêmica e profissional, Diego recebeu prêmios como o Universities Australia Award, o Visualise Your Thesis Award e o Chancellor's Commendation Award.

Esses prêmios também reforçam uma convicção que carrego até hoje: fazer ciência é essencial, mas comunicar ciência é igualmente importante. O conhecimento só gera impacto real quando consegue chegar às pessoas e ajudá-las a compreender por que a pesquisa importa e como ela pode contribuir para a sociedade.
Diego Souza, cientista

Brasil e Austrália: diferenças e semelhanças na ciência

Após sete anos na Austrália, o casal avalia como o país de nascimento e o atual operam de maneira distinta na área científica.

Existem excelentes cientistas nos dois países. A principal diferença não está na qualidade dos pesquisadores, mas nas condições oferecidas para que eles desenvolvam o seu trabalho.
Adriana, cientista

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Em entrevista ao podcast, Diego compara a criatividade dos pesquisadores brasileiros com a infraestrutura oferecida pela Austrália para o desenvolvimento da ciência. (arquivo pessoal)

Ainda sobre os dois países, Diego acrescenta:

"A Austrália possui uma conexão muito forte entre universidades, indústria e governo, o que facilita transformar a pesquisa em inovação e impacto econômico. Por outro lado, o Brasil forma pesquisadores extremamente criativos e adaptáveis, que por muitas vezes produzem ciência de excelência, mesmo com recursos limitados."

Na minha opinião, o ideal seria combinar a criatividade e a qualidade científica do Brasil, com a estrutura, e integração com a indústria que caracterizam o sistema australiano.
Diego, cientista

Orgulho das raízes e da descendência indígena

Adriana também destaca a influência que a sua ascendência indígena brasileira, herdada por parte da mãe, traz para a sua vida.

Eu tenho muito orgulho dessa herança. Também tenho muito orgulho de ter sido a primeira pessoa da minha família a concluir o ensino superior e a seguir uma carreira científica.
Adriana, cientista

Ainda segundo ela:

"Esses valores continuam influenciando a forma como eu atuo como pesquisadora, como líder, como mentora, sempre buscando criar oportunidades para que outras pessoas também possam alcançar seus objetivos."

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Adriana Pires cofundou a They Science junto com Diego, iniciativa que auxilia brasileiros a conquistar bolsas de mestrado e doutorado em universidades australianas. (arquivo pessoal)

Abrindo portas para outros brasileiros

A experiência na Austrália inspirou o casal a criar a They Science, uma iniciativa voltada para ajudar pesquisadores brasileiros.

“Ninguém constrói uma carreira sozinho. E foi isso que nos inspirou a criar a They Science, que hoje ajuda pesquisadores brasileiros a acessarem bolsas e oportunidades internacionais”, diz a cientista.

Segundo Adriana, essas bolsas podem ultrapassar os 350 mil dólares australianos por estudante.

Hoje, uma das maiores satisfações da minha vida é ajudar outros brasileiros com a história parecida com a minha a conquistarem bolsas e oportunidades internacionais. Então, para mim, o sucesso não é apenas chegar longe, mas ajudar outras pessoas a chegarem também.
Adriana, cientista

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