Filmado na Austrália e na Amazônia brasileira, o documentário Edge of Life acompanha dois médicos que usam psilocibina, o composto dos cogumelos alucinógenos, em terapias com pacientes em cuidados paliativos.
Suas experiências os levam até o Acre, onde conhecem o povo Yawanawá, guardiões da tradição da ayahuasca — bebida sagrada usada há séculos em cerimônias de cura e conexão espiritual.
“A cultura ocidental nega a morte. Os Yawanawá me mostraram que ela é apenas uma passagem, não o fim”, diz Lynette Wallworth.
A diretora conta que a inspiração nasceu de uma experiência pessoal: “Tive uma quase morte aos onze anos e fui reanimada. Desde então, nunca mais temi o fim. Quando encontrei povos como os Yawanawá e os Martu, na Austrália Ocidental, percebi que a relação com a morte podia ser mais natural e serena.”
Em Edge of Life, a diretora une ciência e espiritualidade, mostrando o encontro entre a medicina ocidental e o conhecimento ancestral.

Wallworth filmou pela segunda vez com os Yawanawá, após o sucesso de Awavena, sobre a primeira mulher do povo a se tornar xamã. Para o novo projeto, ela optou por uma equipe mínima: “Não queríamos interferir em experiências tão profundas. Fomos como convidados, com a responsabilidade de honrar o que os Yawanawá desejam compartilhar com o mundo.”
O filme também propõe um diálogo entre os povos originários do Brasil e da Austrália. “Em ambos os lugares, há um entendimento comum: o espírito não termina com o corpo. O que muda é a linguagem, não a essência.”

Para a cineasta, a mensagem do filme é de esperança: “A morte pode ser uma professora, se tivermos coragem de escutá-la. Quando entendemos que fazemos parte de algo maior que o corpo, vivemos com mais presença e menos medo.”
“Não vamos à natureza para aprender com ela. Vamos porque somos parte dela”, resume Wallworth.

O xamã Muka Yawanawá, uma das lideranças espirituais mais respeitadas do povo Yawanawá, é o guia dos médicos australianos retratados no filme Edge of Life. Sua presença no documentário representa o encontro entre saberes ancestrais e a busca ocidental por reconciliação com a morte.
“A ayahuasca nos ensina a aceitar a morte com serenidade. Sentimos tristeza quando alguém parte, mas não medo. Durante as cerimônias, aprendemos que o espírito continua, que há outros caminhos além deste corpo.
”Sobre a filmagem na aldeia para nós, foi um momento de confiança e respeito. Lynette já é parte da nossa história — ela filmou Awavena conosco e sempre nos escuta antes de filmar. As câmeras estavam lá, mas o mais importante era a energia, a intenção. Quando há respeito, o espírito do filme caminha junto com o espírito da floresta,” diz.
Após estreia no Adelaide Film Festival o documentário será exibido em cinemas por toda a Austrália, acompanhe as datas no seu estado por esse link.
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