E se a música é um soft power brasileiro,
o samba concorre com a bossa nova como
grande símbolo musical do país no
exterior. Aqui na Austrália não é
diferente. Rodas de samba estão presentes
em diversas comunidades brasileiras na
Austrália, em diferentes momentos. E desde
o fim da pandemia, o ritmo está em alta,
ao menos em Sydney. Mas não só em Sydney,
eu tenho certeza.
Trouxe três convidados aqui pra falar de
como o samba prospera em Sydney.
Três nomes que fazem isso acontecer.
Primeiro, o mais longevo deles, Ed
Ribeiro, que vive na Austrália desde 1990,
que manteve sempre um pé na música
brasileira neste período, em especial em
rodas de samba. Atualmente, ele é um dos
nomes do grupo Performing Brazil. Obrigado
por você estar aqui, Ed, um prazer tê-lo
-aqui.
-O prazer é todo meu, é, com muito carinho.
Temos também Dimitri Carmelo,
percussionista, um dos idealizadores do
Divino Samba, que faz a ponte entre o
samba de raiz e as novas gerações de
brasileiros e também com australianos fãs
do ritmo e da música brasileira na
Austrália. Dimitri, boa tarde, feliz de
-tê-lo aqui conosco.
-Boa tarde, muito obrigado pelo convite.
E também Léo Barbosa, que há nove anos
está na bateria 61, onde hoje é mestre dos
ritmistas, é um dos mestres dos
ritmistas. Ele e a bateria 61 acabaram de
voltar de Melbourne. Rolou lá um encontro
de baterias que reuniu sete grupos de
bateria de samba da Austrália e também um
da Nova Zelândia, veja só, né. Mais de
cento e cinquenta pessoas mostrando esse
importante lado cultural brasileiro no
coração de Melbourne. Léo, muito prazer
conhecê-lo pessoalmente e seja muito
-bem-vindo.
-Boa tarde, Fernando. Obrigado pelo convite
de tá aqui falando sobre a música
brasileira, é um prazer.
Eu vou começar com Dimitri. Meu caro, eu
vivo há oito anos aqui na Austrália. Houve
uma pandemia no meio disso, como todo
mundo sabe, e nos últimos dois anos temos
tido a mais forte cena de samba em Sydney,
no mínimo no período que eu tô aqui.
Conta pra gente quais grupos estão fazendo
isso acontecer.
Bom, a gente pode falar um pouco até um
pouco antes de começar a pandemia, lá por
2015, 2016, já tiveram alguns projetos,
né, inclusive o do Ed,
mas tinha projetos que eram mais bandas,
assim, por exemplo, você pode falar do
Samba Austrália, que começou, o Samba
Roots, foram pioneiros nesse esquema de
samba, mas como palco, como banda. Da
pandemia pra cá, eu acho que é importante
destacar o lado do estilo de projetos, né,
que é, que é o resgate da roda de samba,
não aquela coisa do, do repertório, do
palco, né. Então, de lá pra cá da, da
pandemia, digamos que tem alguns projetos
muito bacanas, interessantes. Podemos
começar com Quintal Sydney,
com o Divino Samba. Temos o Cria do Samba,
temos o Voz e Chinelo, tem o Samba de
Moça, que é um grupo muito legal, que é só
formado por mulheres. Tem o Choro das
Minas também, que é muito interessante. E
desde lá estamos bem popular.
É, há vários músicos que se intercalam
nesses grupos, né?
-Sim.
-Então um toca com o outro, etc.
-Sim, sim.
-Porque é, porque é uma cena, mas a coisa
está fluindo muito bem. Vamo falar um
pouquinho sobre a proposta do Divino. Você
é uma das pessoas que comanda. Que tipo
de som diferente vocês querem trazer aqui?
É, o Divino, digamos que não é, é sobre a
música, óbvio, né, o resgate da música
brasileira, do samba de raiz brasileiro,
mas não só a música em si, a cultura que
vem junto, né. Então a gente
faz aquele ambiente de roda de samba e o
que a gente quer que as pessoas sintam
quando entram lá, é que literalmente eles
estão indo num, numa escola de samba,
aquela tradição da roda de samba antes do
ensaio, antes da avenida. Então é esse
clima aconchegante que os, as pessoas
chegam, então tem aquela decoração de
escola de samba, aquele clima de escola de
samba e o samba de raiz, que a gente
que não todos os lugares tocam aqui,
músicas mais de raízes, mais tradicionais
e exaltando compositores da música
brasileira.
Cita alguns desses compositores, dessa
música mais antiga que vocês trazem.
Cartola, não podemos esquecer de Além do
Cruz, Almir guineto,
não podemos esquecer de Branca de Neve,
Fundo de Quintal, toda aquela geração do
Cacique de Ramos, né, todos aqueles
compositores, não só os músicos
intrépidos, né, mas digamos assim, os
compositores, né. Marquinho PQD, Beto Sem
Braço. Então é, é um resgate dessa, dessa
geração aí que a gente quer trazer pra cá.
Me fala um pouco sobre o Performing
Brazil. É você que mantém ele lá desde os
-anos noventa, não é?
-Sim, sim, exatamente.
Conta pra gente um pouco co-como você vem
sustentando isso e qual a sua proposta
-assim.
-Então, a história é bem longa, né. Se
voltar no, no final dos anos noventa, foi
quando eu comecei a, a me desenvolver mais
a parte do, do, do chorinho, né. E
precisava achar pessoas que tocassem, não
tinha, né. Até que conheci o Adam. Adam é
um dos,
das pessoas que começaram o projeto
comigo. Hoje ele é professor de, de música
em Melbourne. Fez o PhD em cavaquinho,
viajou o mundo, foi pro Brasil e tudo
mais. E a partir dali a gente começou a
buscar músicos, né, que conhecesse ou
tivesse algum, alguma bagagem de música
brasileira pra poder, é, se juntar à
gente. Aí começamos. Começamos com um
violão, uma percussão, pessoas que já
tocavam alguma coisa por aqui. E com o
passar do tempo foram chegando, né. Eu vou
contar essa história um pouco depois, mas
foram chegando outros músicos que, que
completaram a, a banda e, e aos pouquinhos
foi aparecendo. É muito difícil no
começo, né. Até o ponto onde eu cheguei
que consegui colocar num palco, mas aí já
no, no 2007, 2008, por aí, nove músicos no
palco,
com saxofone, bandolim, violão sete
cordas, tudo. Mas, é,
foram aos pouquinhos chegando, mas eu não
fui desistindo, né. Fui
-con-
-Teve persistência.
Continuando e insistindo. Mas o espaço que
teve também, né, graças aos festivais
brasileiros que tinham na época, foi
abrindo espaço pra isso.
A gente já vai chegar lá. Vou um pouquinho
com o Léo agora. Léo, conta pra gente a
proposta da bateria 61Quem participa, quem
quer participar, vai participar do que
Então, a bateria 61 ela é um grupo
comunitário, né, ela não-não visa lucro, o
que ela visa, na real, é representar o-o
samba da escola de samba, né, que é muito
popular no carnaval aqui na Austrália
e ela é formada por-por pessoas de todos
os lugares, inclusive nós temos mais-- de
pessoas representando mais de vinte e
cinco países e atualmente nós temos em
média umas sessenta pessoas ativas no
grupo e trinta delas são pessoas que estão
lá regularmente, ou seja, ensaiando toda
semana. É um grupo onde abraça todo mundo
que chega lá pra fazer parte porque não
precisa saber tocar o instrumento, a
pessoa só precisa querer fazer parte. E aí
quando ela chega lá na bateria, se ela
souber tocar um instrumento, é excelente,
vai agregar muito pro grupo, mas se ela
não souber, nós temos muito prazer em
ensinar, até porque é muito legal ver
pessoas de outros países amando ali o
samba e querendo tocar e querendo
aprender, e é um prazer enorme ensinar e
poder ajudar.
Eu sei que eu já vi vocês em atuação,
queria entender mais
sobre a parte de, além dos instrumentos,
nós temos uma sessão de passistas. Porque
são as duas coisas juntas, o espetáculo
tem todo esse painel.
Vi um espetáculo uma vez que vocês
entraram e foi uma coisa impressionante.
É, então, aí a bateria ela toca
individualmente com ou sem passistas, mas
é claro que quando é possível, e na
maioria das vezes é possível ter as
passistas dançando pra gente, torna o-o
show muito mais bonito, muito melhor,
muito mais atraente, atrativo pras pessoas
que estão ali assistindo. A bateria ela
não tem as passistas da bateria, mas tem
dois grupos de passistas que sempre dançam
com a gente, que é o Samba Samambaia, que
já são experientes, elas já têm muitos
anos ali dançando, e tem também as
passistas da Escola de Samba de Sydney,
que são as alunas que são de diversos
lugares, que vão pra escola, aprendem e aí
dançam pra gente, inclusive
pouquíssimas brasileiras. É incrível você
ver ali tantas mulheres de lugares
distintos dançando ali como se fossem
brasileiras, realmente, cê não consegue
-nem distinguir.
-Eu acho interessantíssimo esse fenômeno da
música brasileira que que-- nem todo
mundo conhece. Muita gente que gosta de
fica louco, se apaixona, que faz realmente
uma imersão nesse mundo que a gente tem.
É o caso inclusive da bateria 61, né.
Vocês têm muitas pessoas que não são
-brasileiras ali.
-Sim, sim, com certeza. Ali, na verdade,
setenta por cento é composto de não
brasileiros. Agora ultimamente, nos
últimos anos, tem entrado um pouco mais de
brasileiros no grupo, mas é um grupo--
foi formado basicamente por um
australiano, que é o mestre de bateria, o
Jeff, com a sua esposa, que é a Uru, que é
japonesa.
Então só por aí você já tem uma ideia da
diversidade do grupo
e inclusive quan-- elas se interessam
tanto pela cultura brasileira, que elas
acabam culminando de viajar pro Brasil
juntas. E aí elas vão todo ano pro Brasil
e participam dos ensaios técnicos,
participam dos ensaios de rua, algumas
desfilam nas escolas de samba e a gente
acaba indo junto, né, porque quando tem um
brasileiro junto, a gente acaba fazendo
ali o papel do guia, que se tem um
carioca, o guia turístico, né, mas a gente
tá sempre junto e eles são muito
interessados. É incrível ver o quanto eles
pesquisam sobre o samba, sobre a história
do samba, sobre a história da música,
sobre como eles conhecem o carnaval. Eu
não tinha ideia do quanto o carnaval é
grande, é importante a nossa música
brasileira no mundo até vim pra Austrália,
até ver como as pessoas amam a nossa
É uma coisa interessante que a experiência
do imigrante é também se conhecer, né.
Então você precisa ir longe pra entender
muita coisa que você,
na-na-na palavra, na expressão inglesa,
você take for granted.
E que a gente quando você vai fala, olha,
eu não reparei quanto que isso era
especial, eu acho que o carnaval, música,
tem toda essa mitologia do carnaval como
-uma coisa muito interessante, né.
-É interessante você dizer isso porque eu
me-- indo pra trás assim bem longe, me
sinto que eu me tornei mais brasileiro na
Austrália do que quando eu tava no Brasil.
Nesse sentido de
-participar da comunidade.
-Faz muito sentido. Você exerce a sua
-brasilidade aqui.
-Ah, com certeza,
-sobrevivência, vamos dizer, né.
-Ed,
de nós quatro aqui, você é o que está há
mais tempo na Austrália. Você chegou em
1990. Era uma outra Austrália, né?
Certamente muito menos brasileira. Conta
pra gente como era aquele tempo e como
você conseguiu agir pra tocar, pra fazer
-da música algo na sua vida aqui.
-Então, estamos em Bondi, Bondi lembra
muito o Brasil, lembra muito o batuque,
essas coisas. Na verdade, meu irmão chegou
antes, uns quatro anos antes, e ele
trouxe os instrumentos, a gente tocava no
Brasil, veio tocar um pouquinho aqui, aí
deu a ideia, vamos pegar os instrumentos e
tocar na praia, por que não? Aí começou a
A comunidade era bem pequena, bem pequena,
até que então começaram-- um trouxe o
violão, o outro trouxe o cavaquinho e
mudaram pra um bar
mais ou menos perto daqui, acho que uns
dois quarteirões ali em cima,
samba tradicional, tinha um cavaquinho, um
violão,
umas-- duas percussão, eu tinha acabado de
chegar, eu tocava cavaquinho, e era só a
Só isso. Conhecia mais o que tava
acontecendo fora, né, da-da Dennis of
Wales, mas eu acho que naquela época era
mais começando por aqui mesmo, né.
-E como isso evoluiu?
-Então, aí evoluiu no sentido em que
começaram a aparecer os festivais, né.
Tanto que nos anos noventa até final dos
anos noventa, tinha o Festival
Sul-Americano aqui. E Festival
Sul-Americano era bem sul-americano mesmo,
tinha muitas bandas de salsa, muita-- os
brasileiros faziam mais a parte de dança,
de música e de capoeira, de show, né,
de-de chama de Brazilian Show,
com as meninas dançando, a batucada e a
capoeira e tudo mais
E virou isso que a gente praticamente
fazia mais do que samba, como tem,
Dimitri falou, samba de roda, não existia
samba de roda, né. Chorinho, não existia.
Então o brasileiro aqui era visto como
aquele batuqueiro, aquele capoeirista que
faz show no palco
junto com as bandas de salsa.
Então a gente acompanhava, né, o mundo
latino que tinha e através daí a gente
começou a arrumar espaço, desenvolver mais
o que a gente podia fazer. Até que depois
dos anos 2000 que surgiram os, os
festivais brasileiros mesmos, né, que a
-gente pode também falar sobre isso.
-E houve um boom de brasileiros depois dos
anos 2000, 2010, aí que começou a pintar
pra valer e também uma facilidade,
-imagino, pra trazer instrumentos.
-Ah, exatamente. Eu tava até falando pro
o, o boom, por coincidência,
-Milênio.
-Do milênio, de 2000, foi aniversário de
quinhentos anos do Brasil.
Então já o festival Ritmo, né, organizado
pelo Braca,
começou no Darling Harbour, foi eu acho
que um do primeiro grande festival que
Abriu espaço pra vários músicos, pessoas
que tocam e as bandas começaram a se
onde o espaço ali era totalmente
brasileiro, né.
Então eu até hoje tenho ainda o programa
todo daquele festival onde tinha capoeira,
samba, tinha... Eu fiz show, inclusive
um, um show de dança de gafieira, pra ter
uma ideia, né, tocamos chorinho, foi--
tinha um pouco de tudo, né. Uma salada
brasileira, assim, vamos dizer. E dali
então foram cinco eventos em Darling
Aí começaram a surgir as bandas mais, mais
separadas assim.
Houve um boom também de músicos aqui, né.
Se eu não me engano, Dimitri, a gente já
conversou sobre isso antes, que chegaram
músicos muito qualificados também, que
conseguem tocar aqui em vários lugares
também, foi isso?
É, eu acredito que depois de 2014, por aí,
chegou uma leva de músicos maiores aqui
em Sydney. É, só um adendo também do que o
Ed falou, no passado, eu vim duma época
eu morava numa região de Sydney que
naquela época o pessoal não olhava como
Sydney, né, que é as Northern Beaches, né.
E lá não tinha evento brasileiro, não
tinha nada. Então quando a gente começou o
samba lá, era literalmente a gente, já
teve samba que a gente fez em um
apartamento de dois quartos minúsculos e
tinha, sei lá, oitenta pessoas entrando e
saindo dentro do apartamento.
-A vizinhança deve ter adorado.
-Naquela época, a vizinhança até gostava,
porque era muito novo pra eles, eles não
conheciam aquilo, e, e o clima das
Northern Beaches era diferente naquela
época, eles eram mais aberto a essa coisa
cultural e diferente, então funcionava até
naquela época, né. Hoje em dia já é, já é
completamente diferente, mas era um
contraste que tinha outras coisas
brasileiras acontecendo do lado da cidade
e do nosso lá era a gente fazendo na
alguma música que você toca que te inspira
e você fala: "nossa, quando a gente toca
isso, o povo levanta", que você fica
feliz, assim.
[riso] Ah, que o povo levanta, assim, a
gente num, nunca pode esquecer do, do
Fundo de Quintal, né, qualquer música do,
do Fundo de Quintal, né. Assim, é uma
homenagem que qualquer lugar do mundo que
cê vai, vai-- o pessoal vai saber cantar
Fundo de Quintal, né, o Show tem que
Continuar, todo mundo canta, todo mundo
lembra do Brasil, né. E também o, no
Divino tem muitas músicas, se você
frequentar o Divino, cê só vai escutar no
Divino também. A nossa proposta também é
que não é as mais famosas, que o pessoal
não canta assim, mas que aprendem no
-Divino também.
-Léo, bateria 61.
Vocês acabaram de ir pra um evento enorme
em Melbourne, a gente citou isso aqui na
Conta pra gente o que foi isso, esse monte
de bateria brasileira no coração de
-Melbourne. Explica pra gente o evento.
-Bom, só pra começar, eu posso dizer que
foi maravilhoso, foi incrível,
foi eu acho que a maior experiência que eu
tive de carnaval, de brasilidade aqui na
Austrália. O encontro é uma, é um evento
que acontece todos os anos aqui na
Austrália. Cada ano a gente tenta fazer em
uma cidade diferente,
que é um evento que reúne as baterias de
todos os lugares da Austrália. Então esse
ano foi em Melbourne e nós tínhamos sete
baterias tocando, então de Perth,
Melbourne, Sydney, Adelaide, Canberra. E
nós tínhamos também uma bateria
representante da Nova Zelândia.
Baterias cada uma se apresentando
individualmente. E no domingo, nós tivemos
o projeto que chama Unidos da Cacatua,
que é onde todas as baterias e as
tocam e dançam juntos. E aí foi muito
legal, porque a gente fez um minidesfile
lá em Melbourne e a gente começou a to-- a
gente tocou ali no Red Stairs, então
ficaram mais de cento e cinquenta
ritmistas ali nos degraus e mais de
cinquenta passistas dançando. Então aquilo
ali foi incrível, parecia realmente que
questão da, da, da bateria 61 é muito
comunitária. Ela é uma coisa feita pra
você vir aqui, olha, você vai participar
de algo-
-Sim.
-E a gente vai crescer juntos, aprender
Conta pra gente momentos especiais que
você viveu ao longo da, da bateria 61.
A, a bateria a gente costuma dizer que é,
é a família Be 61, né, é uma grande
família, todo mundo que entra ali acaba
vendo o, um integrante ali da bateria não
só como um músico que toca junto, mas como
um amigo realmente acaba fazendo parte da
vida. E um momento inesquecível na minha
vida foi no meu casamento, que foi em
dezembro de 2022. Foi uma cerimônia muito
simples, muito pequena, então não tinha
como convidar todo mundo da bateriaE aí a
gente preferiu não convidar ninguém,
porque se tivesse que excluir alguém, a
gente preferiu não convidar ninguém. E a
gente acabou marcando o nosso casamento no
mesmo dia que teve um evento que chama
Gala, que é o evento ali que é o final do
ano das passistas, né. E aí é um evento de
gala, a gente pôde chamar os nossos
familiares e amigos mais próximos
presentes pra ir pra esse evento, onde a
bateria se apresentou. Quando eu cheguei
lá pra tocar, eu tava vestido de noivo. E
aí eu fui colocar a roupa da bateria, a
Uro, que é a dona da bateria, falou: "Não,
hoje é o seu dia, é o dia do seu
casamento, você vai tocar de noivo". E aí
eu toquei lá a caixa de noivo e um momento
do show, o Jeff, que é o mestre da
bateria, ele puxou, me puxou pra frente da
bateria vestido de noivo e a Uro, que é a
esposa dele, puxou a minha esposa pro
palco e ela tava de noiva. E aí foi muito
legal, porque a bateria toda tocando, eu
tocando e a minha esposa sambando ali de
noiva, foi um momento inesquecível.
Isso é muito comunidade, né, cês tão
construindo algo juntos aqui, eles querem
-celebrar um pouco-
-Sim.
Do que você é, né. Na época da pandemia
também houve algo diferente que vocês
fizeram por motivos óbvios, não dava pra
se reunir.
-Isso.
-Conta pra gente tudo
-ali.
-É, durante a pandemia, como a gente não
conseguia ir pro estúdio pra ensaiar e tá
ali junto, pra evitar que também as
pessoas se sentissem sozinhas e não
tivessem ali com quem ter um momento de
lazer, os integrantes da bateria
resolveram fazer um grupo que ia tocar
instrumentos de sopro, né, saxofone,
trompete, trombone, flauta. E aí a gente
começou a fazer isso online e foi graças
ao Greg, o Greg iniciou esse projeto,
chama Brass Sixty One. E ali, durante a
pandemia, a gente fazia vídeos e fazia
videochamada pra um ensinando o outro, um
tocando junto com o outro. E depois,
quando acabaram as restrições, a gente
conseguiu se juntar, o Brass Sixty One
continuou tocando e aí a bateria Sixty One
acabou se juntando pra tocar as músicas
ali, o pessoal do sopro tocando com
acompanhamento da bateria. E é muito
legal, porque a gente toca músicas de
blocos do Rio de Janeiro, né, o Bloco da
Onça. A gente toca lambada, a gente tocou
forró e a gente toca Michael Jackson,
Beyoncé. É incrível, porque misturou muito
ali a cultura brasileira com o resto do
-mundo, sabe?
-O melhor do carnaval é isso, né?
-Isso.
-Como você consegue, é,
ressignificar. Eu agora vou cobrar vocês
então pra fazer bloco de rua aqui em
-Sydney, entendeu?
-Eu acho justo.
Eu acho que tá na hora da gente começar a
ter um carnaval de, de bloco de rua aqui,
como tá acontecendo no Brasil inteiro.
Edi, agora eu vou perguntar pra você
também o que eu perguntei pro Dimitri
antes. Você tá aqui há tanto tempo, deve
ter tantos, tantas lembranças, tantos
sentimentos.
-Ah, muita história, muita história.
-Qual é a música que você toca que te
cativa e que, que você fala: "Nossa, que
bom que a gente tem isso aqui".
Então, é muita música, né, como você sabe,
eu já falei, eu toco chorinho, mas também
toco samba, toco pagode já. Léo já tocou
comigo no Perform Brazil,
agora toco, também toco com o Divino.
Então, muita música, muita, muita
história, mas, é, juntando
o boom do Perform Brazil, a época que a
gente, que eu falei antes, né, que eu pude
colocar até uns nove músicos no palco,
foi entre 2008, 2000-- séria 2008. A gente
fazia parte dum Café Carniválico, é um
evento que era, hã, financiado pela
Australian Culture and Music. Nessa época
tinha
muita possibilidade de fazer mais coisas
no palco, vamos dizer. Então eu pude-- a
felicidade de juntar a banda com o show de
gafieira, que eu também dava aula de
gafieira. Então eu dançava e tocava também
na, na, na banda.
E foi incrível porque eu lembro que antes
de entrar no palco, tocou a música do
Jorge Aragão, Malandro. Né? [cantando]
Malandro, eu ando querendo falar com você.
Antes de entrar no palco, tava tocando
essa música pelo DJ
e o MC da, da festa me introduziu. Agora,
Edi Ribeiro. E nessa época me trouxe
muitas memórias porque a música me levou
quando eu era jovem, né. Na época dessa
eu ia nos barzinhos de São Paulo e tocava
essa música. Falei: ah, que coincidência.
A música que eu mais gosto na minha época
quando eu era jovem tá tocando antes de
entrar no palco pra apresentar um trabalho
muito trabalhoso e muito interessante.
-Foi...
-É aquele momento que junta tudo, né, cê--
-a vida passa na sua frente.
-Ah, passa na questão de segundos ali e a
-gente realmente agradece a Deus.
-Gente, eu queria agradecer demais Edi
Ribeiro, Dimitri Carmelo e Léo Barbosa,
pela presença de vocês aqui e eu desejo
muito sucesso pra cena do samba aqui em
Sydney.
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