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Como o samba floresceu em Sydney na última década

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Roda do Divino Samba no Portugal Madeira Club: o ritmo que é sinônimo de Brasil se tornou parte da rotina de muitos imigrantes brasileiros na capital de NSW., através de diversos grupos musicais.

Reunimos no Bondi Pavilion três das muitas figuras que fazem a cena musical do samba acontecer na capital de NSW: Edgee Ribeiro (Performance Brazil), Dimitri Carmello (Divino Samba) e Leo Barbosa (Bateria 61). Eles nos contam como shows, rodas de samba e apresentações de percussão fizeram o ritmo se transformar de exceção à rotina na vida dos brasileiros na cidade.


Quem frequenta a região de Bondi, em Sydney, está acostumado a ouvir samba, porque tem roda aqui e ali, e também alguns dos bares e restaurantes da região eventualmente oferecem um batuque.

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Leo Barbosa (Bateria 61), Dimitri Carmello (Divino Samba), Edgee Ribeiro (Performance Brazil) e o jornalista Fernando Vives, durante o programa em português no Bondi Pavilion.

E se a música é um soft power brasileiro, o samba concorre com a Bossa Nova como grande símbolo musical do país no exterior. Na Austrália, não é diferente. Rodas de samba estão presentes em diversas comunidades brasileiras em diferentes momentos. E desde o fim da pandemia que o ritmo está em alta, ao menos em Sydney. Está em outros lugares também, mas hoje vamos focar aqui na capital de Nova Gales do Sul.

A SBS em Português reuniu no Bondi Pavillion três das muitas figuras que fazem a cena musical do samba acontecer na capital de NSW.

O mais longevo deles, Edgee Ribeiro, vive na Austrália desde 1990. E desde sempre manteve um pé na música brasileira, em especial em rodas de samba. Atualmente ele é o líder do grupo Performing Brazil.

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Uma das formações do Performance Brazil. Edgee Ribeiro é o terceiro, da esquerda para direita.

Dimitri Carmello, percussionista e um dos idealizadores do Divino Samba, que faz a ponte entre o samba de raiz e as novas gerações de brasileiros (e também com australianos) fãs do ritmo na Austrália.

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Dimitri Carmello, durante apresentação do Divino Samba.

E também Leo Barbosa, que há nove anos está na Bateria 61, onde hoje é um dos mestres dos ritmistas. Em março. ele e a Bateria 61 estiveram em Melbourne para o Encontro de Baterias, que reuniu sete grupos de diferentes cidades da Austrália, e também um da Nova Zelãndia. Mais de 150 pessoas mostrando a importância da cultura musical brasileira no coração de Melbourne

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Leo Barbosa, durante apresentação da Bateria 61.

Neste bate-papo, cada um conta sua história e comenta a cena musical brasileira na cidade.

Edgee relembra que, nos anos 90, o samba estava inserido nos festivais de ritmos latino-americanos, mas, crescimento do número de brasileiros em Down Under, acabou ganhando demanda própria.

Dimitri enumero os grupos que tem feito acontecer a partir do boom dos últimos anos, mesmo com a interrupção da pandemia.

E Leo Barbosa conta como a Bateria 61 atrai pessoas de origens completamente distintas em torno da batida brasileira, e abraçados por um espírito comunitário e de pertencimento.

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E se a música é um soft power brasileiro, o samba concorre com a bossa nova como

grande símbolo musical do país no exterior. Aqui na Austrália não é

diferente. Rodas de samba estão presentes em diversas comunidades brasileiras na

Austrália, em diferentes momentos. E desde o fim da pandemia, o ritmo está em alta,

ao menos em Sydney. Mas não só em Sydney, eu tenho certeza.

Trouxe três convidados aqui pra falar de como o samba prospera em Sydney.

Três nomes que fazem isso acontecer. Primeiro, o mais longevo deles, Ed

Ribeiro, que vive na Austrália desde 1990, que manteve sempre um pé na música

brasileira neste período, em especial em rodas de samba. Atualmente, ele é um dos

nomes do grupo Performing Brazil. Obrigado por você estar aqui, Ed, um prazer tê-lo

-aqui. -O prazer é todo meu, é, com muito carinho.

Temos também Dimitri Carmelo,

percussionista, um dos idealizadores do Divino Samba, que faz a ponte entre o

samba de raiz e as novas gerações de brasileiros e também com australianos fãs

do ritmo e da música brasileira na Austrália. Dimitri, boa tarde, feliz de

-tê-lo aqui conosco. -Boa tarde, muito obrigado pelo convite.

E também Léo Barbosa, que há nove anos está na bateria 61, onde hoje é mestre dos

ritmistas, é um dos mestres dos ritmistas. Ele e a bateria 61 acabaram de

voltar de Melbourne. Rolou lá um encontro de baterias que reuniu sete grupos de

bateria de samba da Austrália e também um da Nova Zelândia, veja só, né. Mais de

cento e cinquenta pessoas mostrando esse importante lado cultural brasileiro no

coração de Melbourne. Léo, muito prazer conhecê-lo pessoalmente e seja muito

-bem-vindo. -Boa tarde, Fernando. Obrigado pelo convite

de tá aqui falando sobre a música brasileira, é um prazer.

Eu vou começar com Dimitri. Meu caro, eu vivo há oito anos aqui na Austrália. Houve

uma pandemia no meio disso, como todo mundo sabe, e nos últimos dois anos temos

tido a mais forte cena de samba em Sydney, no mínimo no período que eu tô aqui.

Conta pra gente quais grupos estão fazendo isso acontecer.

Bom, a gente pode falar um pouco até um pouco antes de começar a pandemia, lá por

2015, 2016, já tiveram alguns projetos, né, inclusive o do Ed,

mas tinha projetos que eram mais bandas, assim, por exemplo, você pode falar do

Samba Austrália, que começou, o Samba Roots, foram pioneiros nesse esquema de

samba, mas como palco, como banda. Da pandemia pra cá, eu acho que é importante

destacar o lado do estilo de projetos, né, que é, que é o resgate da roda de samba,

não aquela coisa do, do repertório, do palco, né. Então, de lá pra cá da, da

pandemia, digamos que tem alguns projetos muito bacanas, interessantes. Podemos

começar com Quintal Sydney,

com o Divino Samba. Temos o Cria do Samba, temos o Voz e Chinelo, tem o Samba de

Moça, que é um grupo muito legal, que é só formado por mulheres. Tem o Choro das

Minas também, que é muito interessante. E desde lá estamos bem popular.

É, há vários músicos que se intercalam nesses grupos, né?

-Sim. -Então um toca com o outro, etc.

-Sim, sim. -Porque é, porque é uma cena, mas a coisa

está fluindo muito bem. Vamo falar um pouquinho sobre a proposta do Divino. Você

é uma das pessoas que comanda. Que tipo de som diferente vocês querem trazer aqui?

É, o Divino, digamos que não é, é sobre a

música, óbvio, né, o resgate da música brasileira, do samba de raiz brasileiro,

mas não só a música em si, a cultura que vem junto, né. Então a gente

faz aquele ambiente de roda de samba e o que a gente quer que as pessoas sintam

quando entram lá, é que literalmente eles estão indo num, numa escola de samba,

aquela tradição da roda de samba antes do ensaio, antes da avenida. Então é esse

clima aconchegante que os, as pessoas chegam, então tem aquela decoração de

escola de samba, aquele clima de escola de samba e o samba de raiz, que a gente

tende a tocar músicas

que não todos os lugares tocam aqui, músicas mais de raízes, mais tradicionais

e exaltando compositores da música brasileira.

Cita alguns desses compositores, dessa música mais antiga que vocês trazem.

Cartola, não podemos esquecer de Além do Cruz, Almir guineto,

não podemos esquecer de Branca de Neve, Fundo de Quintal, toda aquela geração do

Cacique de Ramos, né, todos aqueles compositores, não só os músicos

intrépidos, né, mas digamos assim, os compositores, né. Marquinho PQD, Beto Sem

Braço. Então é, é um resgate dessa, dessa geração aí que a gente quer trazer pra cá.

Anos setenta, oitenta.

É.

-Ed. -Uhum.

Me fala um pouco sobre o Performing Brazil. É você que mantém ele lá desde os

-anos noventa, não é? -Sim, sim, exatamente.

Conta pra gente um pouco co-como você vem sustentando isso e qual a sua proposta

-assim. -Então, a história é bem longa, né. Se

voltar no, no final dos anos noventa, foi quando eu comecei a, a me desenvolver mais

a parte do, do, do chorinho, né. E precisava achar pessoas que tocassem, não

tinha, né. Até que conheci o Adam. Adam é um dos,

das pessoas que começaram o projeto comigo. Hoje ele é professor de, de música

em Melbourne. Fez o PhD em cavaquinho, viajou o mundo, foi pro Brasil e tudo

mais. E a partir dali a gente começou a buscar músicos, né, que conhecesse ou

tivesse algum, alguma bagagem de música brasileira pra poder, é, se juntar à

gente. Aí começamos. Começamos com um violão, uma percussão, pessoas que já

tocavam alguma coisa por aqui. E com o passar do tempo foram chegando, né. Eu vou

contar essa história um pouco depois, mas foram chegando outros músicos que, que

completaram a, a banda e, e aos pouquinhos foi aparecendo. É muito difícil no

começo, né. Até o ponto onde eu cheguei que consegui colocar num palco, mas aí já

foi lá pro,

no, no 2007, 2008, por aí, nove músicos no palco,

com saxofone, bandolim, violão sete cordas, tudo. Mas, é,

foram aos pouquinhos chegando, mas eu não fui desistindo, né. Fui

-con- -Teve persistência.

Continuando e insistindo. Mas o espaço que teve também, né, graças aos festivais

brasileiros que tinham na época, foi abrindo espaço pra isso.

A gente já vai chegar lá. Vou um pouquinho com o Léo agora. Léo, conta pra gente a

proposta da bateria 61Quem participa, quem quer participar, vai participar do que

exatamente?

Então, a bateria 61 ela é um grupo comunitário, né, ela não-não visa lucro, o

que ela visa, na real, é representar o-o samba da escola de samba, né, que é muito

popular no carnaval aqui na Austrália

e ela é formada por-por pessoas de todos os lugares, inclusive nós temos mais-- de

pessoas representando mais de vinte e cinco países e atualmente nós temos em

média umas sessenta pessoas ativas no grupo e trinta delas são pessoas que estão

lá regularmente, ou seja, ensaiando toda semana. É um grupo onde abraça todo mundo

que chega lá pra fazer parte porque não precisa saber tocar o instrumento, a

pessoa só precisa querer fazer parte. E aí quando ela chega lá na bateria, se ela

souber tocar um instrumento, é excelente, vai agregar muito pro grupo, mas se ela

não souber, nós temos muito prazer em ensinar, até porque é muito legal ver

pessoas de outros países amando ali o samba e querendo tocar e querendo

aprender, e é um prazer enorme ensinar e poder ajudar.

Eu sei que eu já vi vocês em atuação, queria entender mais

sobre a parte de, além dos instrumentos, nós temos uma sessão de passistas. Porque

são as duas coisas juntas, o espetáculo tem todo esse painel.

Vi um espetáculo uma vez que vocês entraram e foi uma coisa impressionante.

É, então, aí a bateria ela toca individualmente com ou sem passistas, mas

é claro que quando é possível, e na maioria das vezes é possível ter as

passistas dançando pra gente, torna o-o show muito mais bonito, muito melhor,

muito mais atraente, atrativo pras pessoas que estão ali assistindo. A bateria ela

não tem as passistas da bateria, mas tem dois grupos de passistas que sempre dançam

com a gente, que é o Samba Samambaia, que já são experientes, elas já têm muitos

anos ali dançando, e tem também as passistas da Escola de Samba de Sydney,

que são as alunas que são de diversos lugares, que vão pra escola, aprendem e aí

dançam pra gente, inclusive

pouquíssimas brasileiras. É incrível você ver ali tantas mulheres de lugares

distintos dançando ali como se fossem brasileiras, realmente, cê não consegue

-nem distinguir. -Eu acho interessantíssimo esse fenômeno da

música brasileira que que-- nem todo mundo conhece. Muita gente que gosta de

música quando conhece,

fica louco, se apaixona, que faz realmente uma imersão nesse mundo que a gente tem.

É o caso inclusive da bateria 61, né. Vocês têm muitas pessoas que não são

-brasileiras ali. -Sim, sim, com certeza. Ali, na verdade,

setenta por cento é composto de não brasileiros. Agora ultimamente, nos

últimos anos, tem entrado um pouco mais de brasileiros no grupo, mas é um grupo--

foi formado basicamente por um australiano, que é o mestre de bateria, o

Jeff, com a sua esposa, que é a Uru, que é japonesa.

Então só por aí você já tem uma ideia da diversidade do grupo

e inclusive quan-- elas se interessam tanto pela cultura brasileira, que elas

acabam culminando de viajar pro Brasil juntas. E aí elas vão todo ano pro Brasil

e participam dos ensaios técnicos, participam dos ensaios de rua, algumas

desfilam nas escolas de samba e a gente acaba indo junto, né, porque quando tem um

brasileiro junto, a gente acaba fazendo ali o papel do guia, que se tem um

carioca, o guia turístico, né, mas a gente tá sempre junto e eles são muito

interessados. É incrível ver o quanto eles pesquisam sobre o samba, sobre a história

do samba, sobre a história da música, sobre como eles conhecem o carnaval. Eu

não tinha ideia do quanto o carnaval é grande, é importante a nossa música

brasileira no mundo até vim pra Austrália, até ver como as pessoas amam a nossa

música brasileira.

É uma coisa interessante que a experiência do imigrante é também se conhecer, né.

Então você precisa ir longe pra entender muita coisa que você,

na-na-na palavra, na expressão inglesa, você take for granted.

É.

E que a gente quando você vai fala, olha, eu não reparei quanto que isso era

especial, eu acho que o carnaval, música, tem toda essa mitologia do carnaval como

-uma coisa muito interessante, né. -É interessante você dizer isso porque eu

me-- indo pra trás assim bem longe, me sinto que eu me tornei mais brasileiro na

Austrália do que quando eu tava no Brasil. Nesse sentido de

-participar da comunidade. -Faz muito sentido. Você exerce a sua

-brasilidade aqui. -Ah, com certeza,

muito. É uma

-sobrevivência, vamos dizer, né. -Ed,

de nós quatro aqui, você é o que está há mais tempo na Austrália. Você chegou em

1990. Era uma outra Austrália, né? Certamente muito menos brasileira. Conta

pra gente como era aquele tempo e como você conseguiu agir pra tocar, pra fazer

-da música algo na sua vida aqui. -Então, estamos em Bondi, Bondi lembra

muito o Brasil, lembra muito o batuque, essas coisas. Na verdade, meu irmão chegou

antes, uns quatro anos antes, e ele

trouxe os instrumentos, a gente tocava no Brasil, veio tocar um pouquinho aqui, aí

deu a ideia, vamos pegar os instrumentos e tocar na praia, por que não? Aí começou a

rolar batucada aqui.

A comunidade era bem pequena, bem pequena, até que então começaram-- um trouxe o

violão, o outro trouxe o cavaquinho e mudaram pra um bar

mais ou menos perto daqui, acho que uns dois quarteirões ali em cima,

e aonde tocavam

samba tradicional, tinha um cavaquinho, um violão,

umas-- duas percussão, eu tinha acabado de chegar, eu tocava cavaquinho, e era só a

gente.

Só isso. Conhecia mais o que tava acontecendo fora, né, da-da Dennis of

Wales, mas eu acho que naquela época era mais começando por aqui mesmo, né.

-E como isso evoluiu? -Então, aí evoluiu no sentido em que

começaram a aparecer os festivais, né. Tanto que nos anos noventa até final dos

anos noventa, tinha o Festival Sul-Americano aqui. E Festival

Sul-Americano era bem sul-americano mesmo, tinha muitas bandas de salsa, muita-- os

brasileiros faziam mais a parte de dança, de música e de capoeira, de show, né,

de-de chama de Brazilian Show,

com as meninas dançando, a batucada e a capoeira e tudo mais

E virou isso que a gente praticamente fazia mais do que samba, como tem,

Dimitri falou, samba de roda, não existia samba de roda, né. Chorinho, não existia.

Então o brasileiro aqui era visto como

aquele batuqueiro, aquele capoeirista que faz show no palco

junto com as bandas de salsa.

Então a gente acompanhava, né, o mundo latino que tinha e através daí a gente

começou a arrumar espaço, desenvolver mais o que a gente podia fazer. Até que depois

dos anos 2000 que surgiram os, os festivais brasileiros mesmos, né, que a

-gente pode também falar sobre isso. -E houve um boom de brasileiros depois dos

anos 2000, 2010, aí que começou a pintar pra valer e também uma facilidade,

-imagino, pra trazer instrumentos. -Ah, exatamente. Eu tava até falando pro

Dimitri antes,

o, o boom, por coincidência,

a virada do milê-

-Milênio. -Do milênio, de 2000, foi aniversário de

quinhentos anos do Brasil.

Então já o festival Ritmo, né, organizado pelo Braca,

começou no Darling Harbour, foi eu acho que um do primeiro grande festival que

teve.

Abriu espaço pra vários músicos, pessoas que tocam e as bandas começaram a se

formar a partir dali,

onde o espaço ali era totalmente brasileiro, né.

Então eu até hoje tenho ainda o programa todo daquele festival onde tinha capoeira,

samba, tinha... Eu fiz show, inclusive um, um show de dança de gafieira, pra ter

uma ideia, né, tocamos chorinho, foi-- tinha um pouco de tudo, né. Uma salada

brasileira, assim, vamos dizer. E dali então foram cinco eventos em Darling

Harbour até 2005.

Aí começaram a surgir as bandas mais, mais separadas assim.

Houve um boom também de músicos aqui, né. Se eu não me engano, Dimitri, a gente já

conversou sobre isso antes, que chegaram músicos muito qualificados também, que

conseguem tocar aqui em vários lugares também, foi isso?

É, eu acredito que depois de 2014, por aí, chegou uma leva de músicos maiores aqui

em Sydney. É, só um adendo também do que o Ed falou, no passado, eu vim duma época

ali do, de 2006 a 2009,

eu morava numa região de Sydney que naquela época o pessoal não olhava como

Sydney, né, que é as Northern Beaches, né. E lá não tinha evento brasileiro, não

tinha nada. Então quando a gente começou o samba lá, era literalmente a gente, já

teve samba que a gente fez em um apartamento de dois quartos minúsculos e

tinha, sei lá, oitenta pessoas entrando e saindo dentro do apartamento.

-A vizinhança deve ter adorado. -Naquela época, a vizinhança até gostava,

porque era muito novo pra eles, eles não conheciam aquilo, e, e o clima das

Northern Beaches era diferente naquela época, eles eram mais aberto a essa coisa

cultural e diferente, então funcionava até naquela época, né. Hoje em dia já é, já é

completamente diferente, mas era um contraste que tinha outras coisas

brasileiras acontecendo do lado da cidade e do nosso lá era a gente fazendo na

diversão, na raça mesmo.

Dimitri, me conta

alguma música que você toca que te inspira e você fala: "nossa, quando a gente toca

isso, o povo levanta", que você fica feliz, assim.

[riso] Ah, que o povo levanta, assim, a gente num, nunca pode esquecer do, do

Fundo de Quintal, né, qualquer música do, do Fundo de Quintal, né. Assim, é uma

homenagem que qualquer lugar do mundo que cê vai, vai-- o pessoal vai saber cantar

Fundo de Quintal, né, o Show tem que Continuar, todo mundo canta, todo mundo

lembra do Brasil, né. E também o, no Divino tem muitas músicas, se você

frequentar o Divino, cê só vai escutar no Divino também. A nossa proposta também é

tocar muita música,

que não é as mais famosas, que o pessoal não canta assim, mas que aprendem no

-Divino também. -Léo, bateria 61.

Vocês acabaram de ir pra um evento enorme em Melbourne, a gente citou isso aqui na

introdução.

Conta pra gente o que foi isso, esse monte de bateria brasileira no coração de

-Melbourne. Explica pra gente o evento. -Bom, só pra começar, eu posso dizer que

foi maravilhoso, foi incrível,

foi eu acho que a maior experiência que eu tive de carnaval, de brasilidade aqui na

Austrália. O encontro é uma, é um evento que acontece todos os anos aqui na

Austrália. Cada ano a gente tenta fazer em uma cidade diferente,

que é um evento que reúne as baterias de todos os lugares da Austrália. Então esse

ano foi em Melbourne e nós tínhamos sete baterias tocando, então de Perth,

Melbourne, Sydney, Adelaide, Canberra. E nós tínhamos também uma bateria

representante da Nova Zelândia.

Baterias cada uma se apresentando individualmente. E no domingo, nós tivemos

o projeto que chama Unidos da Cacatua, que é onde todas as baterias e as

passistas

tocam e dançam juntos. E aí foi muito legal, porque a gente fez um minidesfile

lá em Melbourne e a gente começou a to-- a gente tocou ali no Red Stairs, então

ficaram mais de cento e cinquenta ritmistas ali nos degraus e mais de

cinquenta passistas dançando. Então aquilo ali foi incrível, parecia realmente que

eu tava na Sapucaí.

Que coisa boa isso. Léo,

questão da, da, da bateria 61 é muito comunitária. Ela é uma coisa feita pra

você vir aqui, olha, você vai participar de algo-

-Sim. -E a gente vai crescer juntos, aprender

juntos, etc.

Conta pra gente momentos especiais que você viveu ao longo da, da bateria 61.

A, a bateria a gente costuma dizer que é, é a família Be 61, né, é uma grande

família, todo mundo que entra ali acaba vendo o, um integrante ali da bateria não

só como um músico que toca junto, mas como um amigo realmente acaba fazendo parte da

vida. E um momento inesquecível na minha vida foi no meu casamento, que foi em

dezembro de 2022. Foi uma cerimônia muito simples, muito pequena, então não tinha

como convidar todo mundo da bateriaE aí a gente preferiu não convidar ninguém,

porque se tivesse que excluir alguém, a gente preferiu não convidar ninguém. E a

gente acabou marcando o nosso casamento no mesmo dia que teve um evento que chama

Gala, que é o evento ali que é o final do ano das passistas, né. E aí é um evento de

gala, a gente pôde chamar os nossos familiares e amigos mais próximos

presentes pra ir pra esse evento, onde a bateria se apresentou. Quando eu cheguei

lá pra tocar, eu tava vestido de noivo. E aí eu fui colocar a roupa da bateria, a

Uro, que é a dona da bateria, falou: "Não, hoje é o seu dia, é o dia do seu

casamento, você vai tocar de noivo". E aí eu toquei lá a caixa de noivo e um momento

do show, o Jeff, que é o mestre da bateria, ele puxou, me puxou pra frente da

bateria vestido de noivo e a Uro, que é a esposa dele, puxou a minha esposa pro

palco e ela tava de noiva. E aí foi muito legal, porque a bateria toda tocando, eu

tocando e a minha esposa sambando ali de noiva, foi um momento inesquecível.

Isso é muito comunidade, né, cês tão construindo algo juntos aqui, eles querem

-celebrar um pouco- -Sim.

Do que você é, né. Na época da pandemia também houve algo diferente que vocês

fizeram por motivos óbvios, não dava pra se reunir.

-Isso. -Conta pra gente tudo

-ali. -É, durante a pandemia, como a gente não

conseguia ir pro estúdio pra ensaiar e tá ali junto, pra evitar que também as

pessoas se sentissem sozinhas e não tivessem ali com quem ter um momento de

lazer, os integrantes da bateria resolveram fazer um grupo que ia tocar

instrumentos de sopro, né, saxofone, trompete, trombone, flauta. E aí a gente

começou a fazer isso online e foi graças ao Greg, o Greg iniciou esse projeto,

chama Brass Sixty One. E ali, durante a pandemia, a gente fazia vídeos e fazia

videochamada pra um ensinando o outro, um tocando junto com o outro. E depois,

quando acabaram as restrições, a gente conseguiu se juntar, o Brass Sixty One

continuou tocando e aí a bateria Sixty One acabou se juntando pra tocar as músicas

ali, o pessoal do sopro tocando com acompanhamento da bateria. E é muito

legal, porque a gente toca músicas de blocos do Rio de Janeiro, né, o Bloco da

Onça. A gente toca lambada, a gente tocou forró e a gente toca Michael Jackson,

Beyoncé. É incrível, porque misturou muito ali a cultura brasileira com o resto do

-mundo, sabe? -O melhor do carnaval é isso, né?

-Isso. -Como você consegue, é,

ressignificar. Eu agora vou cobrar vocês então pra fazer bloco de rua aqui em

-Sydney, entendeu? -Eu acho justo.

Eu acho que tá na hora da gente começar a ter um carnaval de, de bloco de rua aqui,

como tá acontecendo no Brasil inteiro. Edi, agora eu vou perguntar pra você

também o que eu perguntei pro Dimitri antes. Você tá aqui há tanto tempo, deve

ter tantos, tantas lembranças, tantos sentimentos.

-Ah, muita história, muita história. -Qual é a música que você toca que te

cativa e que, que você fala: "Nossa, que bom que a gente tem isso aqui".

Então, é muita música, né, como você sabe, eu já falei, eu toco chorinho, mas também

toco samba, toco pagode já. Léo já tocou comigo no Perform Brazil,

agora toco, também toco com o Divino. Então, muita música, muita, muita

história, mas, é, juntando

o boom do Perform Brazil, a época que a gente, que eu falei antes, né, que eu pude

colocar até uns nove músicos no palco, foi entre 2008, 2000-- séria 2008. A gente

fazia parte dum Café Carniválico, é um evento que era, hã, financiado pela

Australian Culture and Music. Nessa época tinha

muita possibilidade de fazer mais coisas no palco, vamos dizer. Então eu pude-- a

felicidade de juntar a banda com o show de gafieira, que eu também dava aula de

gafieira. Então eu dançava e tocava também na, na, na banda.

E foi incrível porque eu lembro que antes de entrar no palco, tocou a música do

Jorge Aragão, Malandro. Né? [cantando] Malandro, eu ando querendo falar com você.

Antes de entrar no palco, tava tocando essa música pelo DJ

e o MC da, da festa me introduziu. Agora, Edi Ribeiro. E nessa época me trouxe

muitas memórias porque a música me levou quando eu era jovem, né. Na época dessa

música,

eu ia nos barzinhos de São Paulo e tocava essa música. Falei: ah, que coincidência.

A música que eu mais gosto na minha época quando eu era jovem tá tocando antes de

entrar no palco pra apresentar um trabalho muito trabalhoso e muito interessante.

-Foi... -É aquele momento que junta tudo, né, cê--

-a vida passa na sua frente. -Ah, passa na questão de segundos ali e a

-gente realmente agradece a Deus. -Gente, eu queria agradecer demais Edi

Ribeiro, Dimitri Carmelo e Léo Barbosa, pela presença de vocês aqui e eu desejo

muito sucesso pra cena do samba aqui em Sydney.

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