Henrique Fucs, 32 anos, nascido em São Paulo, conseguiu a residência permanente em 2025 através do Global Talent, um dos vistos mais exclusivos da Austrália, concedido a profissionais com reconhecimento nacional e internacional por suas habilidades especiais e trajetória excepcional. Morando em Sydney há mais de oito anos, o brasileiro acumula títulos no Kung Fu e no Sanda (também conhecido como boxe chinês), com resultados expressivos ao longo da carreira.
Henrique já competiu no Brasil, no Japão, na China e na Austrália. Atualmente, além de continuar representando o país em campeonatos, ele também dedica seu trabalho à formação de atletas e ao condicionamento físico de praticantes de diferentes culturas e idades, incluindo crianças e pessoas da melhor idade. Quem o vê hoje talvez não imagine o caminho que o levou a praticar esportes.
Minha trajetória nas artes marciais começou quando eu tinha 13 anos. Foi uma forma de eu emagrecer, pois eu era uma criança bem sedentária, então me tornei mais ativo nessa época. Comecei praticando judô e já falei para os meus pais que era isso que eu queria pra minha vida. Dali eu passei a praticar boxe em academia de bairro, fiz um pouco de jiu-jitsu e cheguei a treinar no Centro Olímpico, que é um grande nome em São Paulo. E depois que encontrei o Kung Fu e Sanda, passei a competir e nunca mais pareiHenrique Fucs, 32 anos

Conquistas mundiais nas artes marciais
De São Paulo para o mundo. Em entrevista ao podcast, Henrique relembra alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira.
"Eu costumo dizer que eu tenho três momentos emblemáticos na minha carreira até hoje: o meu campeonato na China, que é o berço do Kung Fu e Sanda, no 27º Kung Fu International Championship, que eu tive a minha primeira vitória internacional. O segundo é o campeonato do Shidokan International ano passado no Japão. Eu recebi um knockdown no primeiro round, mas consegui dar a volta por cima e vencer. E um terceiro foi o meu campeonato nacional ano passado aqui na Austrália, onde eu fui campeão nacional", diz Henrique.

Recebendo a notícia da residência permanente
O brasileiro conta ter ficado sabendo deste tipo de visto em um grupo online do Facebook, e decidiu procurar uma agência de imigração para auxiliá-lo no processo do Global Talent.
E pouco mais de um ano da aplicação, ele recebeu o tão esperado telefonema.
"Eu estava na academia trabalhando quando recebi a ligação da minha advogada de imigração dando a notícia. Confesso que demorou para cair a ficha. Liguei para os meus pais, alguns amigos e só depois que bateu a emoção. Até chorei sozinho na academia quando recebi a notícia, mas de ver onde eu cheguei, depois de ter passado aquela dificuldade que quase todo brasileiro enfrenta quando vem para a Austrália: trabalhando, muitas vezes, numa área que não é a sua, que você não gosta tanto, antes de conseguir se colocar na sua área e ter o visto aprovado".
As instabilidades e realocações profissionais que quase todo imigrante passa
O campeão de artes marciais diz que a sua trajetória não foi fácil, mas que viver na Austrália trabalhando na sua área é um sonho realizado.
Assim como a maior parte dos brasileiros, eu acredito que quando chegamos aqui, trabalhamos no que aparece. Eu trabalhei como pedreiro, jardineiro, traffic controller e descarregando contêineres. Então, atualmente com esse visto e podendo trabalhar com o que amo, seja na formação motora de uma criança, ou uma senhora que tá querendo carregar as compras do mercado sem sentir dor, ou até a preparação física de um atleta pra uma luta, é sensacional. Sou muito feliz que eu posso fazer isso aquiHenrique Fucs
Planos futuros: um patrocínio para continuar competindo
Henrique conta ter muitos planos pela frente e, um deles, é voltar a treinar jiu-jitsu para competir mais vezes em lutas de MMA, modalidade que mistura diferentes artes marciais. Além disso, ele compartilha mais desejos no podcast.
"Eu não tenho um, mas sim alguns sonhos que eu gostaria de realizar dentro do esporte. Como atleta, eu costumo dizer que eu estou chegando na minha reta final, com 32 anos, mas eu gostaria muito de conseguir alguns patrocínios. A gente passa por essa dificuldade de querer competir o máximo que a gente consegue, no maior número de vezes, no maior número de lugares possíveis, mas nem sempre é possível".
Conselho para atletas que desejam a vitória da residência permanente
No encerramento do podcast, Henrique abriu o jogo sobre o que ele diz para quem deseja trilhar um caminho parecido com o seu.
Eu diria que se esse é o seu sonho, faça tudo com muita paixão. Sem essa intensidade, você não vai conseguir levar os seus projetos pra frente. Dê sempre o seu melhor, seja em cada treino ou em cada competição. E se vai aplicar o visto, dê o seu melhor nos documentos que você vai ter que fornecer. Guarde todas as fotos, medalhas e certificados. Enriqueça o seu currículo como atleta, esportista ou até como educador físico. Só assim você vai conseguir com que o governo olhe para você com bons olhos, como alguém que vai ter algo a acrescentar nesse paísHenrique Fucs
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