O conjunto das direitas saiu das eleições com 66% dos votos, sendo que destes 33% são da coligação AD, encabeçada pelo PSD, do primeiro-ministro Montenegro, que prefere a etiqueta de centro-direita. Nunca a esquerda esteve tão fraca no parlamento português. Toda somada ainda fica a umas décimas dos 33% da AD. Francisco Sena Santos, de Lisboa, faz uma análise.
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As direitas à direita da AD, sobretudo os ultras do Chega, mas também a Iniciativa Liberal já estão a clamar que esta maioria das direitas deve ser usada para mexer em todas as leis ideológicas criadas pelo socialismo. Inclusive, deve ser revista a constituição onde está escrito que o país garante às pessoas um Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuto.
Ora, estes primeiros dias após as eleições estão a dar um sinal claro: o primeiro-ministro Luís Montenegro não alinha na vaga das direitas e pelo contrário, quer aproveitar a mão estendida do muito debilitado PS para governar a promover acordos com os socialistas.
Ou seja; os grandes partidos do meio século de Portugal em democracia preferem entender-se a ousar parcerias com novidades radicais. Daqui se conclui que as direitas triunfam mas o governo da AD prefere avançar pelo centro a cavalgar com a direita extremista.
Sobretudo a partir do momento em que a nova direção do PS vai seguramente trocar a esquerda pelo centro-esquerda. Significa que, apesar de os resultados eleitorais terem sido um terramoto politico, a governação de Portugal vai continuar no caminho do compromisso ao centro.
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