Mulher, imigrante e executiva em um ambiente corporativo ainda dominado por homens, Bruna Mazziotti acaba de assumir um cargo de liderança na Clean Energy Finance Corporation (CEFC), instituição do governo australiano que financia projetos de energia limpa no país.
Pontos principais
- Uma brasileira na liderança da transição energética na Austrália
- Bruna Mazziotti assumiu o cargo de diretora de risco de investimentos na CEFC, fundo do governo australiano que administra mais de AUD30 bilhões para projetos de energia limpa.
- Na entrevista à SBS Portuguese, Bruna fala sobre os desafios de crescer como mulher e imigrante em setores ainda dominados por homens, como finanças, investimentos e energia.
- Ela também compartilha conselhos para brasileiros que querem entrar no mercado corporativo australiano e defende que migrantes precisam “trabalhar sua marca”, criar networking e acreditar no próprio potencial.
Sobre o futuro da energia limpa na Austrália, ela resume em uma palavra: “promissor”.
Talvez ainda mais promissor por contar hoje com uma brasileira experiente e respeitada em um cargo de liderança em um dos setores mais estratégicos e sob demanda no país.
A brasileira Bruna Mazziotti acaba de assumir o cargo de diretora de risco de investimentos na Clean Energy Finance Corporation (CEFC), instituição do governo australiano que financia projetos de energia limpa em todo o país.
Depois de mais de 20 anos no setor financeiro, com passagens por Citibank, HSBC e Westpac, Bruna agora atua diretamente em uma das áreas mais estratégicas da economia australiana: a transição energética.
Depois de 22 anos trabalhando no mercado bancário, chega um momento em que você quer trabalhar com propósito e quer fazer o bemBruna Mazziotti
A CEFC administra mais de AUD30 bilhões destinados a apoiar empresas e tecnologias ligadas à meta australiana de neutralidade de carbono.
Segundo Bruna, o objetivo é ajudar desde startups até grandes empresas a tirar projetos sustentáveis do papel.
“Os bancos tradicionais muitas vezes não conseguem apoiar algumas iniciativas por causa do apetite de risco ou da regulamentação. A CEFC consegue ajudar essas empresas a chegar lá.”

“Infelizmente, tanto mulheres quanto migrantes enfrentam o que chamamos de glass ceiling.”
Ela explica que precisou construir sua própria rede de contatos e trabalhar constantemente sua marca profissional.
“Você tem que fazer networking, tomar café com pessoas, ajudar outros profissionais. Se você não trabalha a sua marca, ninguém vai saber do seu potencial.”
Bruna também fala sobre trabalhar em inglês e lidar com o peso de ser estrangeira em ambientes corporativos de alta pressão.
“As pessoas às vezes assumem que você não vai ser tão bom porque o inglês não é sua primeira língua.”
Ainda assim, ela nunca tentou esconder sua identidade brasileira.
“Eu tenho sotaque e sou muito orgulhosa do meu sotaque. Eu adoro minha identidade e adoro meu país.”
Para ela, preparação e resiliência fizeram toda a diferença.
“Você tem que se preparar mais do que a média sendo imigrante. Mas também precisa continuar tentando, mesmo errando.”
Ao refletir sobre sua trajetória, Bruna diz que o maior orgulho é mostrar que brasileiros podem ocupar espaços de liderança na Austrália.
“Brasileiros conseguem construir uma carreira de sucesso aqui equivalente à que teriam no Brasil, essa é uma realização minha.”
Bruna também acredita que Brasil e Austrália têm muito a aprender um com o outro na área de energia limpa. Segundo ela, o Brasil possui experiência avançada em transmissão de energia e hidrelétricas, enquanto a Austrália se destaca no uso residencial de painéis solares e baterias.
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