A Austrália teve um início precoce da temporada de gripe em 2026, por conta de uma variante de rápida disseminação conhecida como subtipo K, jchamada de Super-K nos meios médicos.
No ano passado, a Austrália registrou mais de 500.000 casos de gripe e já foram contabilizados mais de 24 mil este ano, bem antes do pico da temporada gripal, no inverno.
O diretor de Doenças Infecciosas do Hospital Mater de Brisbane, Professor Paul Griffin, prega que todos devem se vacinar contra o vírus da gripe. E que as vacinas desta temporada já oferecem proteção contra a Super-K.
"Sabemos que um dos problemas com oa Super-K foi que ela sofreu mutações suficientes para que nossa vacina talvez não tenha oferecido a cobertura ideal no ano passado. Como fazemos todos os anos, atualizamos a vacina, incluindo diferentes tipos de gripe que devem nos dar a melhor proteção possível. Portanto, talvez este ano seja mais importante do que nunca se vacinar contra a gripe"
O professor Robert Booy, pediatra especialista em doenças infecciosas da Universidade de Sydney, disse ao Canal 9 que a variante Super-K é uma ameaça à saúde pública, pois se espalha com muita facilidade.
"A variante K do vírus influenza é geneticamente alterada, o que facilita muito sua disseminação. Ela não é mais grave, mas, devido ao número muito maior de casos, observa-se um aumento na gravidade da doença simplesmente por causa da quantidade de infectados."
No ano passado, 1.738 pessoas morreram na Austrália após contraírem gripe. Foi o pior ano já registrado em mortes por causa da infecção respiratória.
Paul Griffin afirma que o número de casos é maior do que deveria porque as taxas de vacinação caíram desde a pandemia de COVID-19.
"Atemporada de gripe do ano passado bateu recordes, com mais de 500.000 casos e mais de 1.700 mortes. São números muito preocupantes e parte disso se deve ao surgimento da Super-K, mas também, em grande parte, à baixa cobertura vacinal. E embora não possamos controlar a gripe em si, podemos controlar a magnitude da doença que vemos como resultado, aumentando a vacinação e tentando reduzir a transmissão. Pessoas que não estão se sentindo bem devem ficar em casa, e as vulneráveis ou realmente doentes também devem fazer o teste e receber antivirais. Se fizermos isso direito, não importa o que a temporada traga, veremos um impacto menos severo."
No ano passado, 60,5% das pessoas com 65 anos ou mais foram vacinadas na Austrália, e apenas 32,3% das pessoas entre 50 e 65.
Jules Bayliss é diretora médica da fabricante de vacinas CSL Seqirus. Ela afirmou ao Canal 7 que as pessoas com mais de 50 anos são as mais vulneráveis.
"Eles correm maior risco de contrair a doença e também correm o risco de não responder tão bem à vacinação".
O professor Paul Griffn afirma que a desinformação e informações erradas sobre vacinas são parcialmente responsáveis pelos baixos índices de imunização atuais.
"Acho que o que estamos vendo agora não é apenas uma questão de acesso e logística, mas provavelmente as crenças das pessoas são o principal fator que está fazendo com que a taxa de vacinação fique bem abaixo do ideal. Mas o principal conselho que eu daria às pessoas é que façam perguntas. Queremos que estejam informadas, mas certifiquem-se de obter informações de fontes confiáveis. Vemos muitas pessoas recorrendo à inteligência artificial ou às redes sociais, onde as informações recebidas não são necessariamente confiáveis. Nossos clínicos-gerais e farmacêuticos fazem um ótimo trabalho ao fornecer conselhos a cada um e, geralmente recomendamos a vacinação porque é a coisa certa a fazer. Portanto, certifiquem-se de obter informações de fontes confiáveis."
As vacinas contra a gripe já estão disponíveis nos centros médicos australianos. Abril e maio são considerados o período ideal para obter proteção antes do auge da temporada de gripe, no inverno.
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