Com larga experiência do tempo colonial, a medicina tropical portuguesa está outra vez mobilizada. Subitamente, quando julgávamos estar a libertar-nos de traumas como o da Covid19, entrou-nos o sobressalto com o que para a maior parte de nós era um estranho, um desconhecido: o hantavírus, que atravessava o Atlântico a bordo de um navio de cruzeiro para naturalistas. Este caso ainda não estava definitivamente ultrapassado e irrompe uma outra ansiedade: o regresso do ébola.
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Este caso ainda não estava definitivamente ultrapassado e irrompe uma outra ansiedade: o regresso do ébola, febre hemorrágica grave, altamente contagiosa, com letalidade que varia entre os 30 e os 90%, conforme a estirpe (desde a primeira deteção, em 1976, na RDC, estão detetadas 16 estirpes
Está na memória a catástrofe que foi a crise de ébola que nos anos 2018/ 2020 causou a morte de umas 2300 pessoas na zona de guerra de Goma e em volta dos grandes lagos de Africa, Congo, Ruanda e Uganda (uma zona com milhares de refugiados em campos de emergência).
O ébola transmite-se às pessoas a partir de animais selvagens e propaga-se através do contacto com o sangue, com secreções e outros fluidos corporais de pessoas infetadas. Ainda não há vacina e o tratamento de um doente é complexo e de resultado incerto, requerendo dezenas de litros de água por dia para cada pessoa.
A OMS fez aterrar em Goma cinco toneladas de material sanitário, mas como lastima Jean Pierre Mangion, coordenador de emergências dos MSF, o problema logístico em volta desta emergência ébola está critico.
Há pelo menos 350 casos suspeitos (sabe-se de 90 mortes no ultimo mês). Demorou a saber-se que era o regresso do ébola, mas tudo está a ser tentado para evitar mais propagação do vírus.
Estes casos, o hantavírus, o ébola, tal como antes o coronavírus, avivam-nos o alerta para milhões de vivos em circulação, alguns alarmantes.
Os obcecados com a conspiração e os antivacinas contestam a inquietação com vírus, designadamente os pouco conhecidos - justificam que se diga que esses populismos anticientíficos fazem mal à saúde.
Para cuidar o nosso bem existe a OMS, reunida esta semana em assembleia geral em Genebra. Em discussão está um acordo sobre pandemias, que inclui um anexo que visa estabelecer um sistema de acesso a agentes patogénicos e repartição de benefícios (PABS).
Está difícil fazer aprovar este documento. A dificuldade passa pela necessidade de compromisso entre os defensores da propriedade intelectual da investigação (empresas farmacêuticas) e a necessidade de auxiliar os países menos equipados industrialmente para produzir terapias.
Parece evidente que a saúde do planeta merece que seja conseguido o multilateralismo inclusivo que permita esse acordo necessário.
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