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'Guernica', de Picasso, volta ao centro de disputa política na Espanha

Guernica

Guernica, um dos mais poderosos manifestos visuais contra a guerra já criados. Credit: Carlos Alvarez/Getty Images

Pedido de empréstimo de 'Guernica', de Picasso, ao Guggenheim Bilbao reacende debate sobre memória, política e conservação.


Este quadro é um poderoso mural (antibelicista) sobre a guerra – mostra o tremendo sofrimento e o sem sentido da destruição em grau total de devastação

Mede 3,49 metros de altura e 7,76 metros de largura. Ou seja, é um painel enorme, pensado para impactar quem vê de frente.

A obra prima de Pablo Picasso que pintou a branco e negro mais centenas de tons de cinzento - sobre linho e juta para a Expo de 1937 em Paris.

Picasso vivia então exilado na capital francesa e o quadro foi encomenda do governo republicano de Espanha – o país que então estava da guerra civil guerra civil – a de 36/39 que antecedeu a II Grande Guerra Mundial.

O governo da 2ª república espanhola deu a Picasso liberdade de escolha e esta irrompeu de uma história tremenda da atualidade daquele tempo.

No dia 26 de abril de 1937 – 'Guernica' uma pequena cidade da província de Biscaya – no pais basco foi arrasada pelos caça-bombardeiros da legião condor da Alemanha de Hitler.

Tudo ruiu – as casas, as ruas desapareceram por entre os destroços.

Não foi o primeiro bombardeamento indiscriminado contra a população civil de uma cidade – mas foi a primeira vez que qualquer vestígio de vida foi apagado de uma cidade que sucumbiu a várias horas de sucessivos bombardeamentos.

Há quem veja Guernica como a cidade que antecipou os desastres – que abateram cidades na II Grande Guerra e desde então até agora. Dresden, depois Hiroshima, o Vietnã, Grozny, Aleppo, Mariupol, Gaza e outras cidades do sul do libano – não se sabe com evidencia se também no Irão.

Picasso decidiu representar em Guernica, a tristeza, a melancolia, o terror absoluto a angústia, o sofrimento extremo, o absurdo que é a a guerra.

Pintou num tempo, aquela década de 30 em que fervilhavam movimentos que faziam avançar a arte moderna – a abstração, o realismo, o surrealismo – e também um período de crítica tensão entre países – em vésperas da 2ª guerra mundial.

Picasso com Guernica criou uma obra prima – um dos quadros mais marcantes – possivelmente o mais – de todo o século 20.

É um simbolo mundial contra a barbárie e a crueldade da guerra – representa a barbárie de todas as guerras.

Passada a Expo de 1937 em paris – com o franquismo a impor-se no final da guerra civil espanhol – picasso exigiu que o quadr guernica só entrasse em solo espanhol quando o povo e o país recuperassem a liberdade o espantoso Guernica ficou por 44 anos à guarda do MoMA o museu de arte moderna de NY.

Franco morreu em novembro de 75 – começou a transição democrática em Espanha guiada pelo rei juan Carlos com vários líderes políticos - Adolfo Suarez um dos mais determinantes, depois Felipe Gonzalez. Os exilados políticos voltaram.

E numa manhã de setembro de 1981 – a Guernica enrolada num cilindra gigante voou num avião jumbo 747 da Iberia – de Nova Iorque para Madrid – em operação de máxima segurança e também simbolismo – foi como se fosse o regresso do último exilado – com a Guernica como simbólica primeira etapa da transição de Espanha do franquismo para a democracia.

O quadro de assombro passou a ser o principal íman do Reina Sofia – no quarteirão dos museus em Madrid.

Sucederam-se ao longo destes 45 anos – pedidos bascos para que esta Guernica de picasso viajasse até ao pais basco – pelo menos para uma exposição temporária no museu Guggenheim de Bilbao.

Agora, tornou-se questão de estado.

O Lehendakari – o presidente do governo basco, Imanol Pradales acaba de se reunir com Pedro Sanchez, presidente do governo central.

A ambição do governo basco é a de que a Guernica de Picasso - passe a estar no pais basco em bilbao – com realismo, por agora, em empréstimo por 9 meses, entre 1 de outubro deste ano e 30 de junho de 2027, no âmbito das comemorações do 90.º aniversário do primeiro Governo Basco e do bombardeamento de Guernica.

A reivindicação do lendakari invoca um gesto de memória histórica e "reparação simbólica" para com o povo basco.

Acrescentou ser grave erro politico não viabilizar este – por agora – empréstimo.

O Museu Reina Sofia opõe-se com firmeza – alega preocupações com a conservação e o mau estado da tela.

Para o museu madrileno pesa o facto de a guernica ser vista em cada ano por 2 a 4 milhões de pessoas. A guernica está para o reina sofia como a Gioconda de Leonardo da Vinci para o Louvre de Paris.

Mas os bascos invocam que o quadro representa uma barbárie sofrida por um lugar dos bascos – e colocam, por agora o empréstimo, com questão de estado.

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