A artista e educadora Juliana Neves é a primeira brasileira a liderar o curso de Bacharelado em Artes Circenses do NICA, Instituto Nacional de Artes Circenses, o principal centro de formação da Austrália.
Com uma carreira internacional que ultrapassa três décadas, Juliana Neves é acrobata aérea, coreógrafa e educadora.

Em 1998, ela fez história ao se tornar a primeira artista de São Paulo a integrar o famoso Cirque du Soleil, onde se apresentou como solista no espetáculo Dralion e representou a companhia canadense em turnês pelo mundo.
Agora, em 2025, Juliana volta a fazer história como a primeira brasileira a liderar o curso de Bacharelado em Artes Circenses do NICA (National Institute of Circus Arts/ Instituto Nacional de Artes Circenses).
À frente da instituição, ela quer fortalecer a conexão entre arte, educação e inovação — e promete trazer mais música para a prática circense na Austrália.

"Eu sou a diretora do bacharelado de circo do NICA e também do programa vocacional. O NICA, na verdade, é um instituto muito conceituado, é o único bacharelado em Artes Circenses do hemisfério sul. Não existe nenhuma outra escola que dê diploma universitário para as Artes Circenses.
"Para mim, é um passo fantástico na minha carreira, porque em 2020 eu estava nos Estados Unidos trabalhando numa escola que eu acho que é uma das melhores escolas dos Estados Unidos, chamada circo Juventas, no estado de Minnesota. Eu estava prestes a lançar o primeiro bacharelado de circo dos Estados Unidos. Lá também não existe um curso de nível universitário de artes circenses, mas a pandemia colocou o projeto por água abaixo e não mais aconteceu. Então quando surgiu essa oportunidade para vir para cá, eu achei que fazia sentido na minha carreira, apesar de significar uma mudança de continente, de país, de novo, mas aqui estou," diz.

Circo no Brasil e na Austrália
Juliana acredita que o Brasil pode aprender com a Austrália no quesito formação de professores.
"Eu acho que o circo no Brasil precisa abrir cursos de bacharelado e assim atrair mais mestres circenses. O circo da Austrália com certeza pode aprender um pouco com a maleabilidade, com a criatividade do brasileiro e com a música."
O que o Brasil pode trazer para a Austrália?
"O que eu senti até agora aqui é que o Instituto tem que olhar para a música, eu acho que falta. Acho que a música está em todas as artes. Tem uma influência muito grande em todas as artes no Brasil. Eu acho que o brasileiro tem a música dentro dele. Eu quero muito trazer isso para essa escola, que é essa abertura com as outras artes," diz Juliana.
O Brasil tem uma força muito grande, os espetáculos que eu vi no Brasil são de uma garra, uma coisa que está no Global South, está nos países do sul, nos países mais pobres.Juliana Neves
Um Circo Que Amplia Fronteiras
O NICA sedia nesta semana a Conferência Australiana de Circo, com o tema Out of Lines. O encontro acontece no centro de treinamento da NICA, em Melbourne, entre 8 e 10 de outubro, e propõe fortalecer os laços entre artistas, pesquisadores e educadores — reafirmando o papel do circo como uma arte viva, diversa e em constante reinvenção.

Entre os participantes estão Dr. Joe Culpepper, mágico, educador e pesquisador do Research Centre for Human Potential (Montreal); Patrice Aubertin, fundador e diretor do mesmo centro; e Dr. Véronique Richard, especialista em psicologia do desempenho e criatividade da University of Queensland

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