Os dados do Censo da Educação Superior do Brasil de 2024 acabam com a ideia de que a política de cotas reduz a qualidade de ensino das instituições. A opinião é da coordenadora do programa de Lideranças Negras e Oportunidades de Acesso da Fundação Tide Setubal, Viviane Soranso. A organização não governamental busca promover oportunidades para pessoas em vulnerabilidade social, diminuindo desigualdades.
O levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontou que 49% dos alunos que entraram em universidades federais e em instituições federais de educação profissional, científica e tecnológica concluíram a graduação. O número é superior ao registrado pelos demais estudantes: 42%.
De acordo com o censo, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de alunos ingressaram em universidades federais a partir da reserva de vagas. Para Viviane Soranso, as políticas de cotas servem como incentivo aos estudantes.
"Esses dados, eles desmontam uma ideia muito equivocada de que as cotas reduziriam a qualidade do ensino, da universidade, da unidade de ensino. Na prática, o que a gente vê, é que quando há oportunidades, esses estudantes respondem com compromisso, permanência e bons resultados."Viviane ainda cita alguns fatores que ajudam a explicar a porcentagem maior de conclusão por parte dos alunos cotistas.
"Tem alguns fatores importantes aí. Acho que o primeiro é pensar que a política de cotas, ela não é só sobre acesso. Ela amplia o reconhecimento de trajetórias que já são muito potentes, mas que historicamente foram excluídas. Acho que a gente precisa também pensar nesse processo de abrir possibilidades e ampliar o acesso. Além disso, muitos desses estudantes chegam com um nível muito alto de dedicação, porque eles sabem o quanto foi difícil acessar esses espaços. Então acho que não é surpresa que o desempenho seja bom."Em 2023, a Lei de Cotas passou por mudanças, entre elas a ampliação para as famílias que recebem até um salário mínimo por pessoa. Além disso, uma cota própria para quilombolas foi implementada.
(Vitor Mendes, para a Radioagência Nacional)
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