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Na Austrália o dia das mães é celebrado no segundo domingo de maio. A data é comemorada em maio em vários países, incluindo Brasil e Portugal. A SBS em português publica neste mês de maio uma série de quatro entrevistas com mães imigrantes na Austrália. Elas contam suas histórias e tratam de diferentes aspectos de viver a maternidade fora do país de origem
Neste episódio, conversamos com Tainá Cintra Prascidelli. A paulista de 34 anos é arquiteta, mora na Austrália há quase dez anos, e hoje concilia sua carreira profissional com os cuidados das filhas gêmeas, Agatha e Olga, de dois anos de idade. Destacamos abaixo alguns trechos da entrevista:
Faz bem para mim (me desenvolver na profissão), mas eu gosto também de mostrar para elas (filhas) que elas podem ser o que quiserem.Tainá Cintra Prascidelli, Arquiteta, mãe da Agatha e da Olga

"Acho que fica um pouco de inspiração para elas, do crescimento na carreira, da mãe delas, imigrante, mulher, que veio, não conhecia ninguém, não tinha contatos aqui na Austrália, e tudo que conquistou foi por ela mesma. Acho que isso é um grande aprendizado. É o meu legado para elas".
"E obviamente que é para minha felicidade. Eu percebo que quando eu estou feliz, acabo ficando melhor com elas, a família acaba ficando melhor. Então é por todos nós. Elas me fizeram ser mais forte, eu diria".
Minha relação com a arquitetura é pela vida toda. Me dei conta de que queria ser arquiteta aos oito anos de idade.Tainá Cintra Prascidelli, Arquiteta, mãe da Agatha e da Olga

"Eu realmente não lembro de mim não estando associada com a arquitetura. É engraçado isso porque eu via as cidades e ficava pensando quem as construía, quem as desenhava. E aí, eu acho que meu pai e minha mãe me explicaram que eram os arquitetos, e eu fiquei com vontade de desenhar as cidades. Desde então eu vim com esse sonho, batalhei para entrar na faculdade, consegui, e vivo isso até hoje".
"Um grande passo foi me mudar para a Austrália e recomeçar essa vida aqui. Eu tinha um escritório com duas amigas da faculdade quando me mudei para cá. A princípio, segui trabalhando daqui para o escritório no Brasil, mas com as coisas acontecendo por aqui, decidi deixar o escritório lá e focar em ficar na Austrália".
"Eu consegui a residência permanente na Austrália pela arquitetura, que estava na lista de profissões em demanda no país. Eu requalifiquei minha graduação e fiz o skills assessment (teste de habilidades do órgão de arquitetura) para conquistar o visto".
A arquitetura possibilitou a nossa vida na Austrália. Foi pela minha profissão que conquistamos o visto de residência permanente no país.Tainá Cintra Prascidelli, Arquiteta, mãe da Agatha e da Olga

"Para eu exercer a profissão de arquiteta na Austrália, tive que aprender um vocabulário completamente diferente, tive que aprender legislações locais das cidades e dos códigos nacionais de construção, que são completamente diferentes. O sistema construtivo aqui é diferente do Brasil. Eu tive que meio que reaprender a arquitetura, então foi bem desafiador".
"Planejamos a gravidez depois que conquistei o registro de arquiteta na Austrália. Mas nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de ter gêmeas. Quando a técnica do ultrassom disse que eram dois bebês, eu pulei de susto. Eu fiquei em choque, para ser bem honesta. Sou uma pessoa muito prática e organizada. Não conseguia elaborar como ia dar conta de duas bebês sem rede de apoio aqui".
"Minha mãe veio para o nascimento das minhas filhas. Foi extremamente importante a presença dela aqui. Quando estamos no puerpério, qualquer coisa nos abala. Ficamos mais sensíveis, com medo. E ter dois bebês é muito intenso. Ter minha mãe por perto aqui nesse período me ajudava quanto à auto-estima, ao cuidado e bem-estar emocional".
"Eu sempre tive medo de ficar muito tempo fora do mercado de trabalho porque muita coisa acontece com relação a legislação. O código de construção da Austrália muda a cada dois anos basicamente. Então, se eu ficar muito tempo fora, fico desatualizada. Por isso, me planejei para voltar a trabalhar quando as meninas tivessem oito meses de idade".

Eu tinha medo de ficar muito tempo fora do mercado porque ficaria desatualizada. Por isso, planejei a volta ao trabalho para quando minhas filhas tivessem oito meses.Tainá Cintra Prascidelli, Arquiteta, mãe da Agatha e da Olga
"Tive que colocar os nomes delas na lista de espera na creche que escolhi, e consegui planejar a vinda dos meus sogros para cá para o período em que voltei ao trabalho. Assim eles me ajudaram nessa transição. A vida com gêmeos tem que ser muito planejada, senão vira caos".
"Voltei para o trabalho no regime de meio-período. Trabalhava três dias por semana e ficava dois dias em casa com elas. Seis meses depois que voltei a trabalhar, consegui uma promoção e agora trabalho quatro dias por semana. Fico em casa com elas às sextas, que chamo de nossas sextas-feiras, dia que curtimos juntas. É bem gostoso".
"Hoje o meu modo de trabalhar é mais intenso, porque tenho hora para sair do escritório e buscar as meninas na creche. Outra mudança depois delas é que os problemas no trabalho me parecem bem menores do que eram antes. Meus colegas dizem que estou mais paciente. Ainda estou aprendendo a separar o estresse de casa do estresse do trabalho, mas acho que no geral sou uma mãe melhor hoje porque tenho minha carreira".
Para ouvir a entrevista completa, clique no botão 'play' desta página.
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