Quando as pessoas imigram, elas normalmente pensam num futuro melhor - para elas mesmas, ou para seus filhos.
Quando um brasileiro vai morar na Austrália, a expectativa é realizar sonhos. Estudar, trabalhar, construir uma vida, uma carreira, uma família. Viajar, conhecer pessoas e lugares lindos.
Você vai, enfim, fazer o próprio filme da sua vida, e você quer que ele seja nada menos que magnífico.
Mas, como um bom filme, há altos e baixos.
É comum que os altos nós tenhamos planejado direitinho.
Mas os baixos, isso pouca gente te conta. E as fotos no Instagram não mostram.

Imigrar é um processo de autodescobrimento profundo. Você vai descobrir coisas sobre você mesmo que jamais imaginaria - às vezes, que não gostaria - sobre você, sobre o novo país, e também sobre o antigo país, sobre as pessoas.
Muitas vezes, imigrar, especialmente no começo, é conviver com a solidão.
A solidão de deixar para trás as suas raízes e quem você é. Até que construa um novo você.
E isso leva tempo.
Esta é a série de podcasts da SBS Português sobre os lutos do imigrante. As dificuldades que passamos, mas que nos tornam mais fortes.
Este é o primeiro capítulo - sobre a as dificuldades de adaptação e a solidão - as coisas que pouca gente te conta antes de você imigrar.
No áudio desta página, que você pode ouvir também no seu agregador de podcasts predileto ou no aplicativo da SBS Audio, brasileiros que moram na Austrália contam sobre as dificuldades de adaptação e o profundo processo de solidão da jornada, em especial, mas não só, no início dela.
Não consigo ter o senso de humor que eu tinha no Brasil. O humor é diferente, as piadas e os memes são diferentes. Aqui sou mais séria que no Brasil.Gabriela Ortega, de Sydney.
Conversamos com Laura do Valle, de Recife e radicada em Melbourne, que, entre idas e vindas entre os dois países, transformou a vida dela na Austrália em uma bolha de Brasil.
Também ouvimos a paulista Gabriela Ortega, de Sydney, que relata como é difícil criar laços com os australianos, e de como, apesar do inglês fluente, a língua muda a personalidade que tem no Brasil e na Austrália.

Elaine Taffner, de Sydney, que usou o Tinder para furar a bolha da solidão - e de como ela conseguiu criar sua rede de afetos a partir da Internet.
O capixaba Gel Freire conta como era lidar com a solidão antes da internet ser realidade na vida cotidiana - e de como a pelada de domingo dos Canarinhos, de Sydney, atua como rede de apoio e contato entre imigrantes da velha guarda e os recém-chegados, tudo em torno do futebol.

A partir dos depoimentos, ouvimos a psicoterapeuta brasileira Gabriella do Valle, baseada em Sydney, que analista do ponto de vista técnico a transformação que passamos ao imigrar. Para ela, o problema parte de que, no Brasil, imigrar está associado ao sucesso pessoal.
O processo de imigração tem as fotos do Instagram, nosso grande catálogo turístico de felicidade, mas de dentro ela tem uma dor que nem sempre pode ser compartilhada.Gabriella do Valle, psicóloga.
Para ouvir, clique no 'play' desta página, ou busque por 'O Luto e a Luta do Imigrante" no seu agregador de podcasts preferido.
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