Taxas americanas sobre produtos brasileiros entram em vigor: retaliação americana ao pix?

Pix
Vendedor de praia recebe pagamento pelo sistema de pagamento instantâneo PIX na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Source: AFP / PABLO PORCIUNCULA/AFP

O que começou como uma ferramenta de pagamento se tornou motivo de orgulho nacional. Em poucos anos, o PIX se consolidou como o principal método de pagamento na maior economia da América Latina. Mas, nesse processo, acabou entrando em conflito com poderosos interesses dos Estados Unidos.


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By AFP-SBS

Presented by Luciana Fraguas

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O que começou como uma ferramenta de pagamento se tornou motivo de orgulho nacional. Em poucos anos, o PIX se consolidou como o principal método de pagamento na maior economia da América Latina. Mas, nesse processo, acabou entrando em conflito com poderosos interesses dos Estados Unidos.


O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e gratuito, criado pelo Banco Central, tornou-se a principal forma de pagamentos na maior economia da América Latina, exigindo apenas um telefone.

Segundo o Banco Central, o Pix responde por 54% de todas as transações de pagamento no Brasil, com milhões de transferências diárias.

Para o carioca Paulo Ricardo Conceição Gramoza, que tem uma barraca de praia no Rio de Janeiro, o pix é gratuito e fácil de lidar.

“O banco digital facilita a vida do cidadão brasileiro. E o banco, a gente não precisa pagar taxa nenhuma pelo Pix. Por banco, a gente precisa pagar taxa de cartão de crédito, taxa anual, taxa de banco, taxa daquilo. Com o Pix, não. Você só baixa o aplicativo no celular e sem taxa de nada. Você só transfere e envia dinheiro, faz pagamentos,” diz.

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix virou um ponto de discórdia entre Washington e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição em três meses.

Os Estados Unidos argumentam que o Pix configura ‘concorrência desleal’ e prejudica as empresas de cartão de crédito americanas.

Essa percepção de deslealdade e outras supostas práticas comerciais discriminatórias levaram os EUA a impor uma tarifa de 25% sobre algumas exportações brasileiras.

Para Marco Aurélio Sanfins, professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, fala sobre o protecionismo americano.

“O Pix tirou uma receita gigantesca das empresas americanas de cartões de crédito. O governo americano protege, né, um protecionismo de, de uma maneira muito agressiva quando as empresas americanas, é, estão, es-estão, uma, em certa ameaça.”

Brasília rejeitou as acusações de Washington, afirmando que o Pix expandiu o sistema de pagamentos digitais, o que aumenta a atividade online e beneficia empresas americanas como o Google.

O Banco Central também destaca que o número de usuários de cartão aumentou no Brasil desde 2020.

Para o governo brasileiro, Washington vê o Pix e outros sistemas de pagamento semelhantes como uma ameaça potencial à hegemonia internacional do dólar.

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