O primeiro-ministro Scott Morrison deu as boas-vindas ao lançamento de um relatório muito aguardado sobre a cultura do parlamento, depois que surgiram preocupações levantadas a partir da declaração da ex-funcionária política Brittany Higgins de ter sofrido estupro no parlamento.
Depois de mais de oito meses, o relatório da Comissária de Discriminação Sexual Kate Jenkins, autorizado pelo governo federal, se tornou público.
O documento aponta que um a cada três trabalhadores do parlamento federal sofreram alguma forma de assédio sexual. E apenas 11% daqueles que sofreram assédio relataram o ocorrido.
O relatório recomenda que todos os partidos políticos devem buscar a paridade de gênero para mudar a cultura do local de trabalho, a criação de um novo código de conduta para parlamentares e seus funcionários, e a execução por uma Comissão Parlamentar Independente de Normas.

Scott Morrison agradeceu Brittany Higgins por seu trabalho de apoio à causa, e disse que o governo vai agir com relação às recomendações do relatório.
"Nós não esperamos receber esse relatório para tomar atitudes. Nós agimos através do relatório do comissionamento paralelo e implementando aquelas recomendações. Então agora nós abordamos as novas recomendações não do começo mas já em andamento, agindo juntos para responder a essas questões tão sérias que vieram à tona neste local. São problemas de todos nós, e que todos nós temos a responsabilidade de resolver".
A autora do relatório, Kate Jenkins, disse que ficou chocada com a predominância de assédio moral, assédio e agressão sexual sofridos por mulheres no parlamento federal.
"Ou por abuso online ou por assédio sexual direto, as taxas estiveram entre as mais altas do relatório. E isso foi realmente chocante para mim. Mas talvez isso identifique o que gera o poder e a desigualdade de gênero, e mostre que isso ainda existe no nosso local de trabalho. A maioria dos cargos mais altos não são ocupados por mulheres".

Ela disse que mesmo que não tenham sido feitas recomendações sobre cotas de gênero, há uma necessidade de mais representação de gênero e diversidade cultural nos cargos mais altos, e que o relatório público é um meio de atingir isso.
"Nós concluímos que os quatro principais impulsionadores dessa conduta errada são a falta de balanço de poder, a desigualdade de gênero, a falta de prestação de contas e a falta de diversidade. Quando olhamos para esses fatores, há uma urgência de mudança. E é por isso que uma das principais ações deve ser trazer mais diversidade ao parlamento. A realidade é que o parlamento deveria estar de acordo com a comunidade. Se há um local de trabalho que deveria representar a comunidade, esse lugar é realmente o nosso parlamento".
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