Ventos que ultrapassaram 200 km/h colocam Portugal em estado de calamidade

Roda gigante após depressão Kristin

A roda gigante que tombou no Parque das Gaivotas, em Figueira da Foz, após passagem da depressão Kristin por Portugal. EPA/PAULO NOVAIS Credit: PAULO NOVAIS/EPA

A passagem da depressão Kristin registrou rajadas de impressionantes 209 km/h. Há cenário de destruição em diversos pontos do país.


Às 5 e 10 da madrugada de quarta-feira, 28 de janeiro, o anemómetro do aeroporto militar de Monte Real, distrito de Leiria,100 quilómetros para norte de Lisboa, registou uma rajada de vento com a velocidade de 172km/h. Passados 6 minutos, foi medida uma rajada com 178km/h. A partir daquele momento, o sofisticado medidor do vento na base militar deixou de funcionar,

Mas num farol na Nazaré foram registadas rajadas a 209km/h.

Nunca em Portugal tinha sido sentido um vendaval assim medonho. O diabo veio do mar para terra, clamou um pescador da Figueira da Foz.

Estes ventos espalharam devastação em várias zonas de Portugal, sobretudo nos primeiros 100 quilómetros para dentro da linha de costa numa frente que atingiu cerca de um milhão dos 11 milhões de residentes em Portugal.

A dimensão do desastre é tal que o governo decidiu a medida excecional de decretar estado de calamidade. 60 dos 308 municipios portugueses estão no alerta vermelho.

A destruição é tremenda. São milhares as árvores não apenas arrancadas da terra, muitas voaram. Aconteceu o mesmo com os postes que suportam os cabos que distribuem energia elétrica.

Com milhares de postes derrubados a parte central do país ficou sem energia elétrica. Dois dias depois, 600 mil pessoas continuavam assim. Ficar sem energia implica não ter água canalizada, não ter comunicações, nem internet, nem tv nem telemóvel. Muita gente desesperava para dizer à família ou a amigos como estava. A rádio, nos transístores a pilhas, é o único meio que continuou sempre ligado.

Telhados de milhares de casas, armazéns e fábricas voaram. O telhado do aeródromo de Cernache, em Coimbra caiu sobre vários aviões e quebrou-os.

O vendaval foi tal que na principal praça da cidade de Leiria vários carros foram virados. Literalmente ficaram de rodas para o mar.

Leiria é o distrito mais atingido, logo a seguir Coimbra,

Esta bomba meteorológica causou a morte de 6 pessoas. O padeiro que ia ao volante distribuir pão apanhou com uma árvore de grande porte, teve morte imediata. Há quem tenha perdido a vida apanhado por telhados que voavam.

Há centenas de pessoas que sofreram ferimentos.

O instituto tinha antes colocado o país sob alerta vermelho. Mas ninguém estava preparado para algo assim nunca visto.

A cobertura do estádio de futebol em Leiria voou. Vários quarteis de bombeiros ficaram destroçados. O mesmo com escolas e até hospitais.

As violentíssimas rajadas de vento da depressão Kirstin acordaram o país ao mesmo tempo que espalhavam grande destruição. Os prejuízos são imensos.Muitos, muitos milhões de euros.

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