O objetivo era construir duas casas em um mesmo terreno, maximizando ao máximo seu uso; o desafio era manter a privacidade das moradoras e ao mesmo tempo atender às necessidades específicas das duas residências.
Assim nasceu o projeto de arquitetura contemporânea Ohana Residences, que significa ‘família’ em polinésio.
O projeto das casas 'geminadas' que dividem o mesmo terreno, muro, quintal e terraço, foi o vencedor do Prêmio de Arquitetura da Austrália/ Western Australia na categoria Voto Popular.

‘Projetei a casa de ‘cima para baixo’, coloquei um drone para ver a altura que a obra teria que chegar para eu ter a vista do rio, dali fiz a laje e a casa embaixo,” explica Juliana, que inscreveu as casas onde ela e a irmã moram na competição.
“Queria que nossas casas fossem um lugar para nos reunirmos, que trouxessem um senso de comunidade, de família. Foi em homenagem à minha mãe, que enquanto viva, sempre quis morar com as filhas nas casas vizinhas. Consegui realizar esse sonho aqui na Austrália, ” diz Juliana. Segundo ela, ter a irmã por perto, a única pessoa da família em Perth, foi fundamental para superar inclusive os meses difíceis do confinamento da Covid-19.

As casas são semelhantes na fachada, banheiros e fluxo, mas completamente diferentes por dentro. “Minha irmã é muito mais ‘tecnológica’ que eu. Sua casa tem mais acessórios digitais; a garagem, por exemplo, é subterrânea com mesa giratória e elevador, o que não é necessário na minha casa.
“A principal diferença é a localização das salas e quartos – bem como a sua utilização. Na minha casa, a área de estar fica no térreo e os quartos no primeiro andar. Na casa da minha irmã isso foi invertido, quartos no térreo, sala de estar no primeiro andar. O objetivo foi dar mais privacidade a quem mora nas casas.
"Isso foi pensado também para o futuro; as casas poderão ser ocupadas por diferentes famílias e vendidas separadamente, só teria que construir um muro no terraço e no quintal.”

O Instituto de Arquitetos Australianos é uma organização nacional que representa mais de 11.500 profissionais australianos que atuam no país e no mundo.

O Ohana Residences venceu outros 21 projetos residenciais na categoria Voto Popular, com 2 mil votos. A competição foi realizada em nível estadual, em Western Australia.
Juliana credita parte de sua vitória à comunidade brasileira na Austrália, e no mundo, que se encantou com a casa e votou em peso.
“Eu não tenho palavras para expressar a minha gratidão para os brasileiros que moram na Austrália. Brasileiro sabe a luta que é ser reconhecido fora do país, essa surpresa foi demais, “ disse a arquiteta que já acumula 23 anos de experiência.

"Minha experiência inclui design de alguns projetos icônicos de Perth, como os escritórios da BHP e centro de operações remotas em Brookfield Place, Fiona Stanley Hospital e SJOG Midland Public and Private Hospitals. Paralelamente, também projetei e gerenciei vários empreendimentos residenciais privados," conta.

Ouça a entrevista completa com Juliana Torres, arquiteta brasileira e premiada na Austrália.
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