Mais uma conquista fantástica para as startups brasileiras cada vez mais reconhecidas ao redor do mundo por sua criatividade e inovação.
A plataforma brasileira SisterWave, inicialmente criada para apoiar as mulheres brasileiras que viajam sozinhas no Brasil, e agora expandindo para o mercado internacional, ganhou o prêmio global de start ups da Organização Mundial do Turismo (OMT), agência da ONU. A SisterWave é a primeira start up brasileira a vencer o prêmio. A proposta foi a escolhida entre as mais de dez mil propostas concorrentes.

Jussara Pellicano Botelho conta que a SisterWave é uma comunidade onde as mulheres podem compartilhar dicas, perguntas de viagem, trocarem informação e serem companheiras de viagem uma para outra. Elas também podem contactar diretamente as moradoras locais das cidades que querem visitar através do chat disponibilizado pelo serviço.
A SisterWave já conta com 18 mil mulheres no Brasil e deve expandir para a Portugal e Espanha, e Oceania em junho de 2021.
Ser a primeira start up a receber o Prêmio Global da OMT (Organização Mundial de Turismo) foi para Jussara uma experiência ‘inenarrável’.
A gente trabalha muito para diminuir os obstáculos e para permitir que mais e mais mulheres se sintam livres para desbravar o mundo e se transformarem. A experiência do homem que viaja sozinho é completamente diferente da mulher que viaja sozinha.
Mercado em crescimento
Cada vez mais mulheres estão viajando sozinhas, um mercado que aumentou exponencialmente, conta Jussara.
“Mais de 100 milhões de mulheres viajam sozinhas ao redor do mundo segundo a Forbes então é realmente uma tendência. A Europa ocupa o primeiro lugar com mais mulheres viajantes e também com o continente que mais recebe mulheres que estão viajando sozinhas.
“Uma mulher que viaja sozinha mostra para outras mulheres que isso é possível. Então eu vejo realmente como uma onda né? Uma vai influenciando a outra. A plataforma atende à vontade de viajar com mais liberdade e também a tecnologia é um fator muito importante nisso.
A SisterWave, como o setor de turismo mundial, foi fortemente afetada pela pandemia da Covid19 no início de 2020. Após um ano de crescimento extraordinátio – a startup iniciou operação em 2019 – o projeto foi interrompido.
“Tivemos que nos reinventar, criamos tours virtuais que são experiências online imersivas divertidas em que as mulheres estão dentro de uma videoconferência e tem uma especialista do destino que apresenta sua cidade. O pós covid eu vejo que haverá uma demanda muito latente.
Obstáculos para a mulher que viaja sozinha
“A viagem masculina é muito diferente da viagem feminina a gente passa por obstáculos que são invisíveis para os homens, lugares que podem parecer de ‘risco’ para as mulheres não são para os homens. Também nós mulheres, temos ‘o toque de recolher invisível’, se uma mulher está sozinnha na rua à noite e algo acontece com ela é como se a culpa fosse dela. Como se a gente não tivesse esse direito de ir e vir,” conta Jussara.
Segunda ela, o medo não vai deixar de existir, ele está sempre presente. “O que a gente fala também é a coragem, né? Que a coragem não é ausência do medo é ir também com medo.
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