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Enfermeira que matou um rapaz no Algarve em crime macabro está na Indonésia, onde espera escapar à extradição

Polícia Judiciaria de Portugal

Mariana Fonseca está detida na Indonésia, mas não deverá ser deportada por se encontrar em situação legal naquele país que não tem tratado de extradição com Portugal.

Mariana Fonseca e sua namorada Maria Alveiro são acusadas de ter matado um rapaz por dinheiro. O corpo dele foi esquartejado. Maria foi encontrada morta na prisão, e Mariana agora foi localizada na Indonésia, que não tem acordo de extradição com Portugal por conta da questão do Timor Leste.


Mariana Fonseca, 26 anos e Maria Malveiro, 25, ambas enfermeiras, viviam no Algarve, sul de Portugal e eram namoradas.

Conheceram um rapaz, Diogo Gonçalves, técnico de informática e trataram de o envolver como namorado. A sedução de Diogo aconteceu depois de saberem que ele tinha recebido uma herança de 70 mil euros. Tentaram que ele lhes emprestasse dinheiro, alegadamente para comprarem uma casa. Diogo recusou. Mariana e Maria urdiram um plano macabro para matar Diogo e ficarem com aquele dinheiro da herança. Drogaram-no, asfixiaram-no e, depois de morto, cortaram o corpo em várias partes. Umas, atiraram ao mar, outras enterraram em diferentes lugares.

A polícia demorou a descobrir que Diogo tinha sido morto. Sobretudo demorou a encontrar vestígios do corpo. Mas, avançou em investigações que apontavam para Mariana e Maria, autoras de homicídio.

Foram levadas a julgamento, acusadas de homicídio e ocultação de cadáver. Os juízes afirmaram ter convicção de que Mariana e Maria eram culpadas. Mas, na ausência de provas, entenderam que tinham de as absolver.

Mariana terá percebido que, apesar de absolvida, o caso não estava definitivamente resolvido. Por isso, deixou a namorada e partiu para longe. Escolheu a Indonésia que, ainda efeito da questão de Timor, ainda não tem cooperação judicial com Portugal.

De facto, a polícia começou a encontrar as provas que faltavam, partes do corpo de Diogo. Começou de imediato a procura de Mariana e Maria, para as deter e levar outra vez a julgamento. – um tribunal superior, aproveitando o facto de ter havido recurso da absolvição.

Maria foi encontrada e detida. Veio a ser encontrada morta na cela prisional. A autópsia confirmou suicídio.

Mariana estava fugida. A policia portuguesa emitiu mandados internacionais de captura, pediu ajuda à Interpol.

Mariana veio a ser localizada neste março na Indonésia, onde era residente e trabalhava num café. Foi detida, está detida, mas não deverá ser deportada para Portugal por se encontrar em situação legal naquele país que não tem tratado de extradição com Portugal.

A ex-enfermeira vai ser apresentada a um juiz na Indonésia. Portugal pede que seja extraditada no âmbito do processo de homicídio no Algarve. No entanto, o procedimento judicial poderá prolongar-se durante vários anos, até porque Mariana deverá opor-se à extradição.

É de prever longa batalha legal em torno da eventual extradição.

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É Fernando e ouvintes da SBS. Esta história começou há quatro anos, 2022.

Mariana Fonseca, vinte e seis anos, e Maria Malveiro, vinte e cinco, ambas

formadas em enfermagem, a exercer em hospitais do Algarve, viviam naquela

região sul de Portugal, eram namoradas. Conheceram um rapaz, Diogo Gonçalves,

técnico de informática. Diogo tinha então vinte e um anos, era mais novo do que

elas. Trataram de o envolver como namorado, namorado na prática das

duas. A sedução de Diogo aconteceu depois de elas saberem que ele tinha recebido uma

herança de setenta mil euros. Tentaram que ele lhes emprestasse dinheiro,

alegadamente para comprarem casa. Diogo recusou. Mariana e Maria

urdiram um plano, um plano macabro para matar Diogo e ficarem com aquele dinheiro

da herança. Drogaram-no, asfixiaram-no, recorreram às técnicas que tinham como

enfermeiras

e depois de ele estar morto, cortaram o corpo em várias partes. Lê-se num

auto de acusação: "Cortaram o corpo às postas". Algumas das partes foram atiradas

ao mar, outras foram enterradas em diferentes lugares, separados entre eles

por dezenas de quilómetros no Algarve. A polícia demorou a descobrir que Diogo

tinha sido morto. Sobretudo, demorou a encontrar algum vestígio do corpo, mas

avançou em investigações que apontavam para Mariana e Maria serem autoras de

homicídio de Diogo. Elas foram levadas a julgamento acusadas de homicídio e

ocultação de cadáver. Proclamaram-se inocentes. Os juízes afirmaram ter

convicção de que Mariana e Maria eram de facto culpadas, mas na total ausência de

provas, entenderam que tinham de as absolver e mandar em liberdade. Mariana

terá percebido que, apesar de absolvida, o caso não estava definitivamente

resolvido. Por isso, deixou a namorada e partiu para longe. Escolheu a Indonésia,

que ainda em efeito do quase quarto de século com a questão de Timor, ainda não

tem cooperação judicial com Portugal. Mas a polícia portuguesa persistiu nas

investigações e começou a encontrar as provas que faltavam, em concreto, partes

do corpo de Diogo. Começou de imediato a procura de Mariana e Maria para as deter

outra vez e levar outra vez a julgamento. Neste caso, um tribunal superior,

aproveitando o facto de ter havido recurso da absolvição num primeiro tribunal.

Maria foi encontrada e detida, veio a ser encontrada morta dias depois na cela

prisional. A autópsia confirmou suicídio. Mariana estava fugida. A polícia

portuguesa emitiu mandados internacionais de captura, pediu ajuda à Interpol. Veio a

ser localizada neste mês, em março, na Indonésia, onde era residente e trabalhava

num café, afastada da enfermagem para não levantar suspeitas. Uma vez que ela foi

encontrada, a polícia indonésia cumpriu o mandato de captura emitido pela Interpol.

Foi detida, está detida. No entanto, não deve ser deportada para Portugal, isto por

se encontrar em situação conforme, legal, na Indonésia, que não tem tratado de

extradição com Portugal. A ex-enfermeira vai ser apresentada a um juiz na

Indonésia. Portugal pede que seja extraditada no âmbito do processo de

homicídio no Algarve. O processo é ao mesmo tempo judicial e político,

político-diplomático. O procedimento judicial pode vir a prolongar-se por

vários anos, até porque Mariana certamente vai opor-se à extradição. É de prever uma

longa batalha legal em torno da eventual extradição, mas com Mariana às ordens da

polícia indonésia.

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