O brasileiro fã de cinema na Austrália terá uma segunda-feira agitada, ao ter que trabalhar enquanto ficará de olho na premiação do Oscar, que tem início na manhã australiana.
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura como ator principal, concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Filme Estrangeiro e Oscar de Melhor Seleção de Elenco.

O filme, que fez parte do Sydney Film Festival de junho do ano passado, entrou em cartaz em janeiro nas salas australianas. No Brasil, já soma mais de dois milhões e quatrocentos mil espectadores nos cinemas.

É a obra mais vista do cineasta pernambucano, que trata da história de um professor universitário de 1977, interpretado por Moura. O personagem volta ao Recife escondido ao enfrentar problemas com o regime militar.
É um filme sobre memória e a falta dela. Sobre Pernambuco, Recife e salas de cinema, e os filmes que encantaram espectadores de outras gerações. É também sobre um momento tenso da história brasileira.
Em cinema, a qualidade intrínseca do filme não resolve todas as questões envolvidas. É preciso cuidar com muito carinho do lançamento e, portanto, da sua distribuição internacional. E isso aconteceu de maneira admirável com 'O Agente Secreto'. Tem a ver agora não mais com a equipe que o produziu, mas, sim, com outras pessoas que entram nessa barca e contribuem pra sua carreira internacional.Sergio Rizzo.
O sucesso de público une-se ao sucesso de crítica. "O Agente Secreto" teve estreia no Festival de Cannes, o mais tradicional do mundo, e faturou quatro prêmios, dentre os quais de melhor direção para Kleber Mendonça Filho e melhor interpretação masculina para Wagner Moura.
Para entender o sucesso da obra, conversamos com o crítico de cinema brasileiro Sérgio Rizzo, radicado na cidade do Porto, em Portugal. Jornalista há mais de quatro décadas, é mestre em Cinema e doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo, além de ter dirigido e roteirizado documentários.

O momento do cinema brasileiro.
O cinema brasileiro vive um momento de relevância internacional, primeiro com o Oscar para uma produção brasileira, o Melhor Filme Estrangeiro para "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, há um ano.
Agora, com o Agente Secreto a brilhar nos festivais internacionais e concorrendo a quatro estatuetas na mais famosa premiação da indústria cinematográfica.
Isso quer dizer que o cinema brasileiro vive um grande momento? Sergio Rizzo contextualiza que não é bem assim.
Estes filmes são êxitos pontuais. Falta uma política cultural de médio e longo prazo no Brasil. Falta, por exemplo, incentivo à exibição. O mercado é dominado pelas distribuidoras estrangeiras e elas privilegiam, evidentemente, seus próprios filmes.Sergio Rizzo.
Como aproveitar o sucesso para o mercado brasileiro.
Conversamos também com com Rafael Dutra, profissional do fomento ao cinema brasileiro, baseado em Sydney. Dutra explica que o filme não capta a partir da Lei Rouanet, e também que a obra de Kleber Mendonça Filho abre uma janela de oportunidades de políticas públicas.
Há o impacto econômico direto. A produção mobilizou equipes artísticas e técnicas em diversas regiões. Isso ajuda a criar mais empregos e renda em área como fotografia, figurino, trilhas diversas da economia criativa localRafael Dutra.





