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Dez anos depois, prescrição para tratamento médico com cannabis é comum na Austrália, mas estigma permanece

Medical Marijuana Legislator's Network

Dados oficiais mostram que as aprovações para prescrição de cannabis medicinal na Austrália passaram de cerca de 17 mil em 2020 para mais de 800 mil em 2024. (AP Photo/David Goldman) Credit: David Goldman/AP

Quase uma década após a aprovação da maconha em tratamentos para a saúde no país, o número de prescrições explodiu nos últimos anos, mas o medo de ser mal visto ainda leva muitos pacientes a preferirem o anonimato. Conversamos com duas brasileiras e um australiano (fluente em português), que relatam como o uso da cannabis tem ajudado a lidar com diferentes quadros clínicos e melhorar a qualidade de suas vidas. Também falamos com um médico que prescreve derivados da planta para pacientes há mais de cinco anos e tem experiência jurídica sobre o tema.


O uso da cannabis para fins medicinais foi aprovado no país em 2016, completando dez anos em 2026. Desde então, mudanças na legislação federal passaram a permitir o cultivo, a produção e a prescrição de medicamentos à base da planta sob supervisão médica. O acesso ao tratamento é regulado pela Therapeutic Goods Administration (TGA), agência responsável pela aprovação de medicamentos no país.

Dados oficiais mostram que as aprovações para prescrição de cannabis medicinal passaram de cerca de 17 mil em 2020 para mais de 800 mil em 2024, refletindo o aumento da demanda pelo tratamento.

Cannabis
A brasileira Patrícia (nome fictício), 36 anos, que vive em Sydney, começou o tratamento após anos enfrentando insônia severa. Ela conta que havia períodos em que dormia apenas quatro horas por noite, o que afetava sua rotina e produtividade. Credit: RUNGROJ YONGRIT/EPA

Apesar disso, o tema ainda gera receio entre pacientes. Uma pesquisa da Universidade de Nova Gales do Sul indica que cerca de 8 em cada 10 pessoas que usam cannabis medicinal se preocupam com possíveis problemas legais, enquanto quase 4 em cada 10 temem consequências no trabalho, assim como possíveis demissões.

Como qualquer tratamento médico, o uso de cannabis medicinal deve sempre ser cuidadosamente avaliado e acompanhado por um profissional qualificado.
Doutor Navin Naidoo prescreve cannabis medicinal há mais de cinco anos

Entre os entrevistados desta reportagem, todos pediram para não ter o nome verdadeiro divulgado.

A brasileira Patrícia (nome fictício), 36 anos, que vive em Sydney, começou o tratamento após anos enfrentando insônia severa. Ela conta que havia períodos em que dormia apenas quatro horas por noite, o que afetava sua rotina e produtividade. Após conversa com um médico, ele sugeriu o tratamento com óleo de cannabis.

“Hoje consigo dormir até oito horas por noite, o que transformou completamente a minha rotina. Eu não gostava de recorrer a medicamentos para dormir, porque no dia seguinte eu me sentia muito mole e sonolenta, sem conseguir funcionar bem ao longo do dia. Se eu soubesse antes como esse tratamento funcionava, provavelmente teria começado muito mais cedo.”

O australiano Peter (nome fictício), 31 anos, de Melbourne, conta que utiliza cannabis medicinal para aliviar dores nas costas causadas pela escoliose. Antes deste tratamento, ele tentou fisioterapia, alongamentos e medicamentos convencionais para dor, com resultados limitados.

“Com o óleo de cannabis, eu sinto que a dor diminui bastante e o meu corpo fica mais relaxado. Dormindo melhor, eu consigo me sentir mais equilibrado no dia a dia, o que também ajuda bastante com a minha saúde mental.”

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Dr. Navin Naidoo é clínico geral, especialista em medicina de emergência e prescritor autorizado de cannabis medicinal na Austrália. Ele também atua como consultor jurídico para médicos.

O médico Navin Naidoo explica que o tratamento pode ser indicado para diferentes condições e sintomas, incluindo insônia, dor crônica, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, esclerose múltipla, algumas formas de epilepsia e náuseas associadas à quimioterapia, entre outras condições.

Além disso, o médico afirma que embora a cannabis medicinal seja legal na Austrália, muitos produtos contêm THC, substância que pode permanecer detectável no organismo por dias ou até semanas. “E como a maioria dos testes de drogas detecta a presença do THC - e não se a pessoa está sob efeito da substância no momento - pacientes que usam cannabis podem enfrentar medidas disciplinares em alguns setores.”

O tema ainda gera debate no país, e já houve casos analisados pela Fair Work Commission em que trabalhadores foram demitidos ao testarem positivo. Vale destacar que caso isso aconteça, é possível contestar a decisão judicialmente.

A percepção das pessoas está mudando, mas ainda existe preconceito, especialmente no ambiente de trabalho
Peter usa óleo de cannabis como tratamento para a escoliose

Já em Adelaide, a brasileira Isabel (nome fictício), de 42 anos, relata que recorreu à cannabis medicinal após anos lidando com sintomas associados à doença celíaca e questões relacionadas ao transtorno do espectro autista.

Depois de tentar diferentes tratamentos, ela afirma que encontrou alívio ao usar diferentes formas de cannabis medicinal, incluindo óleo, gummies e flores.

Na primeira semana de uso de cannabis medicinal, eu chorei de felicidade. Com o tratamento certo, as crises ficaram no passado e nunca mais tive as dores físicas que tinha antes
Isabel usa óleo, gummies e flor seca de cannabis para tratar doença celíaca e autismo

Segundo ela, além de reduzir dores e inflamações, o tratamento também ajudou a melhorar o sono e a lidar melhor com situações do dia a dia que antes geravam ansiedade ou sobrecarga sensorial.

O doutor Naidoo diz que as principais formas de consumo de cannabis medicinal incluem o óleo, as cápsulas ou comprimidos, a flor seca, spray oral, produtos comestíveis (como pastilhas ou gummies), e produtos tópicos (como cremes e gel). Assim como outros tratamentos, a dose e o tipo de produto são definidos pelo médico e podem ser ajustados ao longo do acompanhamento clínico.

Para muitos pacientes, falar sobre suas experiências ainda exige cautela, mas também é uma forma de ampliar o debate público sobre o tratamento.

Já ouvi colegas comentando que cannabis é “droga”, sem sequer considerar o contexto medicinal. É impressionante como a falta de informação influencia a forma como as pessoas enxergam o tema. É por isso que decidi compartilhar a minha experiência
Patrícia usa cannabis medicinal como tratamento para insônia severa

“Meu marido trabalha em uma empresa que realiza testes para detectar a presença de drogas no organismo, e quem testa positivo pode até perder o emprego. Por causa disso, ele que sofre de ansiedade, nunca pôde sequer considerar o uso de cannabis medicinal como opção de tratamento. Isso é algo que nos deixa muito frustrados”, diz Patrícia.

Peter relata que se sente seguro ao usar cannabis com prescrição médica. “Isso é importante porque garante a qualidade do produto e também a segurança, já que você sabe exatamente o que está usando e em que dose. Para mim, isso é o mais importante.”

—-

Ouvintes da SBS que enfrentam problemas com o uso de substâncias que causam dependência podem entrar em contato com a Linha Nacional de Ajuda para Álcool e Outras Drogas pelo número 1800 250 015 para obter apoio gratuito e confidencial 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mais informações estão disponíveis no site da Lifeline no lifeline.org.au.

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-[música suave] -A Austrália aprovou o uso da

cannabis para fins medicinais em 2016, completando agora dez anos. E desde então,

mudanças na legislação federal passaram a permitir o cultivo, a produção e a

prescrição de medicamentos à base da planta sob supervisão médica. O acesso ao

tratamento é permitido apenas com prescrição e é regulado pela Therapeutic

Goods Administration, o TGA, que é a agência responsável pela aprovação de

medicamentos no país. Eu sou o Felipe Canali e no podcast de hoje eu vou

conversar com duas brasileiras e um australiano que é fluente em português, e

eles compartilham como que o tratamento com cannabis medicinal tem ajudado a lidar

com diferentes condições de saúde e melhorado a qualidade de suas vidas.

Embora a cannabis medicinal seja legal em todo o país, as leis relacionadas ao uso e

à fiscalização variam entre estados e territórios. Por exemplo, no território da

capital australiana, adultos podem cultivar pequenas quantidades da planta em

casa, enquanto o cultivo doméstico continua sendo proibido no restante do

país. Além disso, eu também converso com o médico Navin Naidoo, que prescreve

cannabis medicinal há mais de cinco anos aqui no país. Ele é clínico e também atua

como consultor jurídico para médicos, reunindo assim experiência médica e

-jurídica sobre este tema. -"Many medicinal cannabis products contain

THC, which can remain detectable in the body for days or even weeks after."

Segundo o doutor Naidoo, embora a cannabis medicinal seja legalizada em toda a

Austrália, muitos produtos contêm THC, que é uma substância que pode permanecer

detectável no organismo por dias ou até semanas. E como que a maioria dos testes

de drogas detecta a presença do THC no organismo, e não se a pessoa está sob o

efeito da substância naquele exato momento, pacientes que usam cannabis podem

enfrentar medidas disciplinares em alguns setores da indústria. O tema ainda gera

debate no país e já houve casos analisados pela Fair Work Commission, em que

trabalhadores foram demitidos ao testarem positivo. Vale destacar que, caso isso

aconteça, é possível contestar a decisão judicialmente. Entre os entrevistados de

hoje, todos preferiram manter o anonimato para este podcast.

[música suave] Eu vou falar agora com a Isabel, de quarenta e dois anos, que

reside em Adelaide. Me conta por que que você começou a usar a cannabis medicinal

-com acompanhamento médico. -Eu tenho a doença celíaca e as restrições

alimentares são muito fortes e eu acabei desenvolvendo diversos sintomas. Doença

celíaca é uma doença autoimune que não tem cura. Ela é regulada através da exclusão

do glúten, então as minhas reações são muito perigosas. Eu já tinha tentado

florais, acupuntura, remédios convencionais, mas nada teve o resultado

-satisfatório. -E quais são as formas de cannabis que você

-usa e como que elas te ajudam? -Experimentei algumas opções até chegar

onde estou agora. Hoje uso gummies, óleos e flores e fui ajustando as doses do gummy

com a flor da sativa que relaxa. E depois fui pra o óleo também, que foi

maravilhoso. A utilização do óleo diminui os processos inflamatórios do corpo e

nunca mais cheguei aos níveis de estresse e dores que tinha antes.

E você também usa produtos à base de cannabis para o tratamento do autismo. Me

-fale um pouco sobre isso. -Faço terapia desde os quatorze anos e há

cerca de seis anos ou um pouco mais, comecei a trabalhar com a minha terapeuta

os aspectos relacionados ao espectro autista. Foi quando encontrei respostas

para as minhas perguntas sobre o que estava vivendo.

E como que esse tratamento te ajudou, seja na sua vida pessoal ou no ambiente de

trabalho? Você já percebeu alguma diferença logo nos primeiros dias de uso?

Na primeira semana de uso de cannabis medicinal, eu chorei de felicidade. Com o

tratamento certo, as crises ficaram no passado e eu nunca mais tive as dores

físicas agudas que tive antes. A cannabis e o óleo da cannabis são os únicos

componentes que me trazem alívio nas dores que sofro, nas juntas, no corpo

todo, com consequências mais graves como a endometriose, entre outras coisas mais.

Além disso, eu passei a dormir muito melhor e a ter a qualidade nas minhas

noites de sono. Hoje eu consigo sair de casa sem ficar tão estressada. Antes,

um-uma simples ida ao mercado ou shopping me deixava muito ansiosa por causa da

música am-ambiente, do excesso de cores e de produtos. Agora a música virou apenas

um som de fundo e não tira mais a minha concentração e nem me deixa aflita. E no

trabalho eu deixei de ficar tão obsessiva com a organização e a realização das

-tarefas. -E a sua família e a empresa que você

trabalha, eles sabem que você faz uso de cannabis medicinal? Eu te pergunto isso

porque você decidiu dar essa entrevista anonimamente. Por qual motivo?

Meus pais sabem da utilização do óleo e da cannabis, e eles ficaram muito felizes

porque trouxe qualidade de vida e regulou as minhas dores referentes à doença

celíaca e às alergias ao glúten. Mas eu não falaria publicamente sobre, porque

ainda tem muito preconceito e a empresa em que trabalho não sabe. Então eu não

gostaria de abrir essa informação pra muitas pessoas e esse é o motivo da minha

-entrevista ser anônima. -Muito obrigado por ter conversado com a

gente. Pra encerrarmos a nossa entrevista, o que que você diria pra quem tem

curiosidade sobre a cannabis medicinal e ainda não sabe por onde procurar ajuda?

Se você tá pensando em procurar um médico pra saber mais sobre a cannabis medicinal,

eu super recomendo. Não tenha preconceito sobre a cannabis, pois a ciência e a

medicina estão em nosso lado hoje e sempre pra melhorar as nossas condições. No meu

caso, hoje eu sinto que o mundo é um lugar muito melhor, menos barulhento e menos

hostil, por isso eu consigo ficar relaxada e focar muito melhor nas minhas

-atividades diárias. -Segundo o doutor Naidu, a cannabis pode

ser prescrita para uma série de condições e sintomas, incluindo:

Including insomnia, chronic and severe pain, anxiety, depression.

Insônia, dor crônica, ansiedade, depressão, transtorno de estresse

pós-traumático, transtorno de espectro autista, esclerose múltipla,

algumas formas de epilepsia, náuseas, especialmente aquelas causadas por

quimioterapia, entre outras condições de saúde.

[música suave] Eu converso agora com a Patrícia, de

trinta e seis anos, que mora em Sydney. Por qual motivo você começou a fazer uso

-de cannabis medicinal? -É, eu sofro de insônia desde que eu me

conheço por gente. Eu sempre tive muita dificuldade pra dormir. Tiveram períodos

que eu dormia quatro horas por noite, no máximo, e aí isso acabava afetando pra

caramba, né, meu bem-estar, a minha produtividade no dia a dia.

E você já tinha tentado algum outro tipo de tratamento?

Eu não gostava de recorrer a medicamentos pra dormir, porque aí no dia seguinte eu

ficava muito sonolenta, ficava muito mole, sem conseguir funcionar bem ao longo do

dia, sabe? E aí, depois de tentar várias abordagens diferentes pra melhorar meu

sono, eu procurei um médico aqui na Austrália e durante a consulta ele me

perguntou se eu já tinha considerado o uso de cannabis medicinal.

E você já sabia que esse tratamento à base de cannabis medicinal era legalizado aqui

-na Austrália? -Eu nem sabia que era legal cannabis

medicinal aqui. Enfim, depois de conversar com ele, eu resolvi dar uma chance, né? E

faz cerca de dois anos, mais ou menos, que eu utilizo o óleo de cannabis pra

-dormir. -E o que que você passou a sentir depois

dessa nova abordagem médica? A sua qualidade de sono melhorou?

Olha, pra mim a mudança [risada] foi enorme, foi muito positiva. Hoje eu

consigo dormir até oito horas por noite, por exemplo, o que transformou totalmente

minha rotina. Eu me sinto mais descansada, mais produtiva, sabe? Se eu soubesse

antes como esse tratamento funcionava, provavelmente eu teria começado muito mais

-cedo. -E me fala por que que você preferiu dar

-essa entrevista anonimamente. -É, eu prefiro conceder essa entrevista

ainda de forma anônima, porque tem muito preconceito, sabe, em relação ao uso de

cannabis, mesmo quando fala de cannabis medicinal. Esse estigma existe também

dentro da minha própria família. E também, além disso, eu tenho receio de sofrer

consequências no trabalho, já que ninguém lá sabe que eu faço esse tratamento, sabe?

Mas você já chegou a ouvir algum tipo de,

-de comentário negativo em relação a isso? -Eu já ouvi colegas comentando que cannabis

é droga, entendeu? Sem nem considerar o contexto medicinal. É impressionante como

a falta de informação ainda influencia a forma que as pessoas enxergam o tema, né?

E o que que você espera que aconteça ao você compartilhar um pouco da sua

-experiência com o público da SBS? -Eu espero que compartilhar essa minha

experiência talvez ajude, né, possa ajudar, sei lá, a levar mais informação ao

público. Acredito que ainda existe muito preconceito em torno desse tema, né? Mas

espero também que com mais informação, mais debate, essa realidade comece a mudar

no futuro.

E pra gente terminar aqui a nossa conversa: como que você acha que o

preconceito e até o estigma em relação à cannabis possa prejudicar alguém que

poderia estar se beneficiando com o uso desse medicamento?

Ah, e um exemplo disso aconteceu dentro da minha própria casa. O meu marido trabalha

numa empresa que realiza teste pra detectar a presença de drogas no organismo

e quem testa positivo perde o emprego, pode perder. Por causa disso, ele, que

sofre de ansiedade, nunca pôde sequer considerar o uso de cannabis medicinal

como opção de tratamento. Isso é algo que deixa a gente bem frustrado.

Dados oficiais mostram que as aprovações de prescrição médica de cannabis passaram

de cerca de dezessete mil em 2020 para mais de oitocentas mil em 2024,

refletindo o aumento da demanda pelo tratamento no país. E apesar de as

prescrições estarem se tornando cada vez mais comuns, ainda há muito estigma em

relação ao uso da cannabis. Segundo uma pesquisa da University of New South Wales,

cerca de oito em cada dez pessoas disseram se preocupar em serem presas ou

enfrentarem problemas legais, enquanto quatro em cada dez pessoas relataram

receio de consequências no trabalho, assim como uma possível demissão.

[música suave] E a gente encerra esse podcast conversando com o australiano

Peter, que tem trinta e um anos, mora em Melbourne e fala português fluentemente.

Me fala por que que você começou a usar cannabis como forma de tratamento e há

-quanto tempo você utiliza. -Eu tenho escoliose e me-- isso me causa

bastante dor nas costas. Comecei a usar óleo de cannabis medicinal há cerca de

-três anos já. -E quais outros tratamentos que você já

-havia tentado antes disso? -Antes disso, eu tentei outros tratamentos,

como fisioterapia, alongamentos e alguns medicamentos para dor. Alguns ajudavam um

pouco, mas o que realmente funcionou melhor pra mim foi o óleo de cannabis.

E pra quem não sabe, escoliose é uma condição da coluna vertebral em que ela se

curva lateralmente. No seu caso, como que o óleo te ajudou em relação aos

sintomas dessa condição?

Ah, no meu caso, o principal benefício foi a redução da dor nas costas, ah, causada

pela escoliose. Ah, antes eu tinha muita tensão, hã, muscular e desconforto,

principalmente no final do dia. Com o óleo de cannabis, ah, eu, eu sinto que a dor

diminui

bastante e o meu corpo fica mais relaxado. Dormindo melhor, eu consigo se-- me

sentir mais equilibrado no dia a dia,

o que também ajud-ajuda bastante com a minha sa-saúde mental.

Então te ajuda não só em relação à dor nas costas, como também te ajuda a relaxar

pra ter uma melhor qualidade de sono, né? E eu fiz essa mesma pergunta pras nossas

duas primeiras entrevistadas e eu vou fazer agora pra você também. Por qual

motivo você tá me dando essa entrevista anonimamente?

Porque ainda existe um certo estigma em, em relação ao uso de, de cannabis, mesmo

quando é medicinal e legal. Acho que a percepção das pessoas está mu-mudando, hã,

mas ainda existe algum preconceito em certos contextos, especialmente no

ambiente do, hã, de trabalho. Então preferi manter um pouco de, hã, um pouco

-mais de privacidade. -Muito obrigado por conversar aqui com a

SBS em português pra gente encerrar a nossa entrevista. Você conhece outras

pessoas que fazem uso de cannabis medicinal? E falando nisso, quais são os

benefícios de morar em um país que liberou o uso da planta para tratamentos

-médicos? -Olha, no meu círculo de amigos e

conhecidos, todas as pessoas que usam cannabis medicinal fazem isso com

prescrição médica. Isso é importante porque garantia a qualidade do produto e

também a segurança, hã, já que você sabe exa-exatamente o que está usando e em

que dose. Quando é feito dentro do sistema médico, existe acompanhamento

profissional e muito mais, é muito mais transparente, sabe? Hã, pra mim, isso é

mais, o mais importante.

[música suave] As principais formas de consumir cannabis medicinal são: o óleo,

as cápsulas ou comprimidos, a flor seca, spray oral, produtos comestíveis, como

pastilhas ou gummies, e produtos tópicos, que são os cremes ou gel. Assim como

outros tratamentos, a dose e o tipo de produto são definidos pelo médico e podem

ser ajustados ao longo do acompanhamento clínico. Ouvintes da SBS que enfrentam

problemas com o uso de substâncias que causam dependência podem entrar em contato

com a Linha Nacional de Ajuda para Álcool e Outras Drogas, através do número um

oitocentos duzentos e cinquenta zero quinze, para obter apoio gratuito e

confidencial vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Para maiores

informações, consulte o site da Lifeline, que é o

lifeline.org.au.

[música suave]

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