Com quase AU$ 50 mil em financiamento do governo australiano, um programa criado na Universidade de Adelaide quer ampliar a presença feminina em posições de liderança no esporte usando o futebol como ferramenta de formação, confiança e inclusão.
A iniciativa Fit2Lead foi criada pela professora brasileira Maria Vieira, da Escola de Educação da Universidade de Adelaide, em parceria com o Adelaide University Soccer Club.
O programa oferece formação prática, mentoria e experiência em ambientes reais de treino e gestão esportiva para mulheres em Adelaide.
“Apesar das mudanças que têm acontecido, ainda existe uma falta muito grande de mulheres em posições de liderança”, disse Maria Vieira.
Segundo ela, o projeto nasceu da união entre educação e esporte. “Eu trabalho na Escola de Educação da universidade e meu colega é presidente do clube de futebol da universidade. A gente combinou essas duas coisas e montou esse projeto focado em liderança no esporte”, explicou.
O Fit2Lead recebeu apoio do COALAR, fundo do governo australiano voltado ao fortalecimento das relações entre Austrália e América Latina. Maria conta que a equipe ficou surpresa com a aprovação do projeto.
Esse ano existiram mais de 800 aplicações. É um grant realmente muito competitivo. A gente ficou muito feliz com o reconhecimento e com a oportunidade de fazer diferença nas nossas comunidades.Maria Vieira
O programa combina aulas online, mentorias e prática presencial com equipes de futebol da Universidade de Adelaide. Ao todo, são 30 horas de formação em temas como preparação física, nutrição, bem-estar, conhecimento tático e liderança.
“A gente quer que essas mulheres tenham não só o conhecimento teórico, mas também a oportunidade de colocar isso em prática”, explicou Maria.
As participantes acompanham equipes juvenis de futebol em Adelaide e trabalham em dupla durante as atividades práticas.

Segundo Maria, o modelo também ajuda mulheres que ainda não se sentem totalmente confiantes com o inglês.
“Algumas não se sentem muito confiantes com o inglês. Então estar junto com outra pessoa dá mais confiança para elas”, disse.
Embora o futebol seja a base prática do projeto, Maria destaca que a maior parte do conteúdo pode ser aplicada em qualquer modalidade esportiva.
“Setenta por cento do conteúdo é genérico. Ele é aplicável para todos os esportes e contextos. O futebol foi a oportunidade que a gente teve de colocar isso em prática”, explicou.
Para ela, Austrália e Brasil têm muito a aprender um com o outro no esporte feminino.
“A Austrália tem muito a ensinar para o Brasil em políticas públicas e criação de oportunidades para mulheres”, afirmou.
“Mas o Brasil também tem muito a ensinar para a Austrália sobre relacionamento humano, construção de confiança e conexão entre técnicos e atletas.”
Natural de Blumenau, em Santa Catarina, Maria chegou à Austrália em 2018. Antes de entrar para a área acadêmica, trabalhou com marketing e tecnologia. Ela conta que sua própria experiência como imigrante influenciou diretamente a criação do projeto.
“Na primeira empresa em que trabalhei aqui eu era a única mulher. Isso mexeu muito com a minha confiança”, relembrou.
Depois disso, Maria decidiu mudar de carreira e fez doutorado investigando desigualdade de gênero em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Hoje, ela vê no esporte uma forma poderosa de transformação social.
“O meu grande sonho é que essas mulheres se sintam realizadas e confiantes para ocupar esses espaços”, disse.
O programa ainda tem vagas abertas para mulheres em Adelaide interessadas em participar. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail: fit2lead@adelaide.edu.au.
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