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Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha após mortes a bordo

A cruise ship on the water near a port

Vista aérea do navio de cruzeiro MV Hondius parado ao largo do porto da Praia, capital de Cabo Verde, em 3 de maio. Source: AFP / Supplied

O Hondius, navio de expedição polar de luxo, segue para Espanha após um surto de hantavírus associado à morte de pelo menos três pessoas durante uma viagem pelo Atlântico Sul. Depois de Cabo Verde recusar o desembarque, cerca de 140 passageiros e tripulantes continuam confinados a bordo.


O Hondius é um navio de expedição único, tal como os seus passageiros: não se consideram passageiros de cruzeiro, mas sim viajantes marítimos em busca de destinos onde poucos chegam, assim como os itinerários que seguem.

A doença agora transmitida a bordo e que põe em quarentena os 140 ainda a bordo entre os 147 embarcados - também é singular.

Quando foi lançado ao mar na Croácia, o construtor e o proprietário do Hondius imaginavam que o navio se tornasse um caso especial entre os navios de cruzeiro.

Apenas centena e meia de passageiros em vez dos milhares dos grandes paquetes, mas com carateristicas praticamente únicas para o turismo no mar, turismo ambiental. A ideia era que o navio se destacasse por ter um casco reforçado capaz de romper gelo com até oitenta centímetros de espessura, adequado para expedições polares.. Isto não tem nada a ver com os típicos navios de cruzeiro.

O estaleiro que o projetou, Brodosplit, em Split, na Croácia, tem uma história. Fundado durante a época da antiga Jugoslávia, quando Josip Broz Tito ainda governava a partir de Belgrado, as suas instalações construíam engenhocas que não apareciam nos folhetos turísticos.

O atual Hondius começou por ser um navio para missões de investigação militar.

A partir de 2019, foi lançado o Hondius tornou-se um navio de expedição polar com bandeira holandesa, operado pela Oceanwide Expeditions, que conta com outros três navios na sua frota: os veteranos Ortelius e Plancius, bem como a escuna Rembrandt.

Este Hondius é navio concebido para ir onde outros não vão. Aí reside o problema, e também a grandeza deste tipo de viagens.

O Hondius não se parece em nada com um típico navio de cruzeiro com as suas escalas diárias nos portos. Os seus passageiros, um máximo de 170 com lotação máxima, são fotógrafos de natureza, biólogos amadores ou aventureiros experientes com elevado poder de compra, todos apaixonados por pinguins e ursos polares. São atendidos por 71 tripulantes, incluindo 13 guias especializados e o médico do navio. A maioria dos que embarcam tem entre 45 e 65 anos. Tendo viajado por mais de metade do mundo, querem chegar aos confins do planeta.

O preço reflete essa exclusividade. Os itinerários mais curtos a bordo do Hondius começam por cerca de US$9.650 por pessoa (aproximadamente 8.250 euros), embora as viagens mais longas, as que incluem as Ilhas Malvinas, a Geórgia do Sul ou a Antártida, possam ultrapassar os US$24.600 por pessoa.

Os viajantes nas suítes individuais pagam um suplemento de duas vezes o preço base, o que pode elevar a conta para valores incomparáveis a outros tipos de turismo. Não se trata de um produto para o mercado de massas: é puro luxo expedicionário e, no caso de uma viagem de quase dois meses, ainda mais.

O itinerário, que passou de discreto a notícia mundial, teve duas fases. A primeira foi uma viagem de ida e volta de Ushuaia à Península Antártica, entre 10 e 31 de março.

A 1 de abril, o navio voltou a zarpar em direção a norte, visitando as ilhas da Geórgia do Sul, Tristão da Cunha e Santa Helena, aquele recanto isolado do Atlântico onde Napoleão passou os seus últimos cinco anos, antes de seguir para Cabo Verde. Quase dois meses no mar. Para alguns passageiros, a viagem da sua vida. Para outros, um pesadelo que ainda não terminou.

20 de março de 2026. Patagónia Austral. As águas do Canal de Beagle, que separa a Argentina do Chile, não ultrapassam os 9°C. Um navio com 147 pessoas a bordo, está prestes a zarpar do porto de Ushuaia, a cidade mais a sul da Argentina.

O primeiro objetivo é o de circumnavegar parte do globo perto do Oceano Antártico antes de rumar para norte e atravessar o Atlântico.

Ainda faltam meses para chegar às praias paradisíacas de Cabo Verde, conhecidas como as Caraíbas africanas. Esta não é uma expedição científica; é uma experiência turística no fim do mundo, pela qual cada passageiro paga entre US$17.730 e US$ 28.845 dólares dosa Estados Unidos, dependendo das comodidades escolhidas.

Mas a 4 de maio, data prevista para o desembarque não arquipélago e Cabo Verde, a tripulação viu o acesso ao porto ser negado depois de um surto de hantavírus ter gerado alarme entre as autoridades de saúde.

Até ao momento, três pessoas morreram, presumivelmente em consequência da doença. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reporta um total de sete casos de hantavírus: dois confirmados em laboratório e cinco considerados suspeitos.

A primeira vítima mortal foi um passageiro holandês de 70 anos.

Morreu a 11 de abril no mar. A causa da morte não foi determinada e o seu corpo permaneceu a bordo durante duas semanas. Desembarcou a 24 de abril na ilha de Santa Helena. A sua mulher, de 69 anos, também desembarcou. Três dias depois, em terra firme, também ela faleceu. Até ao momento, no caso do casal, apenas esta segunda morte foi confirmada como sendo provocada por hantavírus.

Nesse mesmo dia, 27 de abril, outra pessoa a bordo adoeceu e foi evacuada para Joanesburgo, na África do Sul, onde foi internada em cuidados intensivos. Atualmente, encontra-se em estado grave. Dias depois, a 2 de maio, um outro passageiro, um cidadão alemão, morreu no navio. A causa da morte também ainda não foi confirmada.

À primeira vista, o navio não parece um navio de cruzeiro; é uma embarcação de aço capaz de atravessar águas polares sem sequer arranhar o convés.

O luxo, no entanto, está escondido no seu interior: camarotes espaçosos para dois passageiros, um lounge digno de qualquer hotel de luxo, com sofás estofados, um bar e lareiras, e menus gourmet de quatro pratos que proporcionavam aos passageiros um conforto à altura da experiência. Agora, esse mesmo conforto dos passageiros tornou-se o limite do seu confinamento. Permanecem ancorados ao largo do porto da Praia, capital de Cabo Verde, confinados ao navio para evitar a propagação do vírus.

*Atualização: O cruzeiro com casos de hantavírus está saindo das águas de Cabo Verde, onde está de quarentena, e a caminho das Ilhas Canárias, em Espanha, onde será feita uma "investigação epidemiológica completa", disse, nesta terça-feira, 5 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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