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Brasileira integra reality “Flex” e relata rotina de exposição em Bondi

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Maria Isabel Gelinski, que vive há oito anos na Austrália, expõe sua vida em Sydney no reality show "Flex". Source: Supplied

Maria Isabel Gelinski, que vive na Austrália há oito anos, é uma das participantes do reality australiano "Flex" e conta como a experiência a levou a lidar com exposição, identidade cultural e o estilo de vida nos arredores de Bondi, em Sydney.


“Eu nunca imaginei que faria parte de nada disso.” A afirmação é da brasileira Maria Isabel Gelinski, de 27 anos, uma das oito participantes do reality australiano Flex, exibido em microepisódios diários nas redes sociais e que acompanha a rotina de jovens que vivem nos arredores de Bondi, em Sydney.

A série reúne participantes na faixa dos 20 aos 30 anos que compartilham o estilo de vida voltado para exercícios, aparência e relações sociais em uma das regiões mais valorizadas da cidade mais famosa da Austrália. Para Maria Isabel, que vive no país há oito anos, a participação surgiu de forma inesperada.

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Sobre a participação em "Flex", Maria relata: "Vim de uma cidade pequena. Nunca tive nada de exposição. Então no começo ficava muito nervosa". Source: Supplied

A brasileira conta que foi indicada por uma amiga após uma produtora entrar em contato com ela. “Uma das produtoras contactou ela, só que para ela não funcionaria. Então ela falou: ‘acho que tenho uma amiga que vai gostar dessa ideia’. E acabou passando o meu contato.”

Depois de uma entrevista e conversas com a equipe, ela foi selecionada para o programa. “Eles super se interessaram. Eram muitas coisas que encaixavam com o tema do programa.”

Apesar da surpresa, ela afirma que nunca havia cogitado participar de um reality show.

Nunca na minha vida eu imaginei que faria parte de nada disso. Mas a oportunidade aconteceu e eu pensei: por que não?
Maria Isabel Gelinski, participante do reality australiano "Flex"

Com gravações semanais e produção de “diary cams” para atualização constante dos episódios, o formato exige presença frequente diante das câmeras, algo novo para a brasileira. “Nos primeiros dias eu estava com o meu rosto encharcado de tão nervosa. Tudo era muito novo pra mim.”

Ela relata que a adaptação foi difícil no início, especialmente por nunca ter tido experiência com televisão ou exposição pública. “Eu vim de uma cidade pequena. Nunca tive nada de televisão, exposição. Então no começo eu ficava muito nervosa.”

Com o tempo, porém, a experiência se tornou mais natural. “O time de Flex é incrível. Eles sempre me deixaram confortável, me ajudaram muito. Agora eu tô começando a melhorar, eu acho.”

Descrita pela produção como uma série que expõe “a realidade do fingir até conseguir” e as pressões de uma geração que tenta se manter relevante em áreas ricas de Sydney, Flex também retrata a intensidade do estilo de vida em Bondi. Algo que, segundo Maria Isabel, faz parte da experiência.

Quem olha para um lugar tão lindo como Bondi, só pensa na parte boa. Mas não vê quanto você tem que trabalhar para pagar o custo de vida.
Maria Isabel Gelinski, participante do reality australiano "Flex"

Entre os participantes, Maria Isabel destaca a importância da diversidade de perfis dentro do programa, que inclui pessoas com diferentes histórias de vida e visões de mundo. Entre eles, um profissional do sexo e uma pessoa declaradamente não-monogâmica. “Mesmo vindo de lugares muito diferentes, todo mundo está tentando fazer acontecer.”

Ela também afirma que a sua identidade brasileira influencia suas relações no reality. “A gente é muito caloroso, muito amigável, muito amoroso. A gente recepciona as pessoas muito bem. Eu sou muito orgulhosa dessas características.”

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Maria Isabel chegou na Austrália como estudante há oito anos e morou em Gold Coast antes de se mudar para Sydney. Source: Supplied

Entre os colegas de elenco com quem mais se identifica, ela cita duas participantes. “A Willow é a pessoa com quem eu mais me identifico. Ela tem uma personalidade muito forte. A Berlin também, super dedicada.”

Morando no país desde que veio como intercambista, Maria Isabel conta que sua trajetória envolveu mudança de cidade e de trabalho, até chegar ao momento atual, em que busca se consolidar na área artística.

“No Brasil, eu saí do Direito, fui tentar Medicina, voltei para o Direito. Hoje, aqui na Austrália, ainda tô tentando me encontrar.”

Ela explica que a decisão de permanecer na Austrália foi gradual e marcada pela adaptação à vida no exterior. “Demorou vários anos pra eu realmente saber onde eu ia morar.”

Hoje, ela reconhece que ainda está em processo de construção pessoal e profissional. “Agora eu quero focar em fazer alguma coisa que eu sou apaixonada. Mas isso é muito difícil.”

Apesar de se sentir adaptada à Austrália, a brasileira afirma que ainda existe um sentimento de pertencimento dividido entre os dois países.

“Tem um sentimento que nunca vai ser preenchido, porque [aqui] não é onde eu cresci.”

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Maria Isabel com parte da família que saiu do interior do Paraná para visitá-la em Sydney. Source: Supplied

Sobre o futuro no programa, Maria Isabel diz que seu principal objetivo é compartilhar sua história e a experiência de viver como imigrante na Austrália.

Meu objetivo principal é compartilhar um pouco da minha história, especialmente como imigrante.
Maria Isabel Gelinski, participante do reality australiano "Flex"

A série continua em produção e deve incluir novos participantes nos próximos episódios. “Agora eles estão recrutando mais pessoas. É uma oportunidade de mostrar mais histórias também.”

Para a brasileira, a experiência já representa um marco pessoal, não apenas pela exposição, mas pela possibilidade de se enxergar de outra forma. “No começo foi muita vergonha, muita exposição. Mas agora eu tô mais tranquila.”

Aperte o 'play' para ouvir a entrevista completa.

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[música suave]

Uma brasileira está entre os oito integrantes de um reality show australiano

exibido num formato diferente. São micro episódios publicados diariamente nas redes

sociais. Na série Flex, os participantes têm em comum a faixa etária dos 20 aos 30

anos e o lugar onde vivem, os arredores de Bondi, a praia mais famosa de Sydney.

Todos eles praticam exercícios, se preocupam com o corpo, a aparência e falam

de vida, trabalho e relacionamentos. Maria Isabel Gelinski é a brasileira de 27

anos que participa da série. Ela vive na Austrália há oito anos e conversa com a

gente agora pra contar como está sendo essa experiência. Bel, muito obrigada por

ter aceitado conceder essa entrevista aqui pra SBS em português. É um prazer falar

-com você. -O prazer é todo meu. Eu fiquei muito feliz

de ser convidada, principalmente pela comunidade brasileira, né, pra dar essa

entrevista em português e compartilhar um pouco mais da minha história.

Vamo começar falando então do reality show, da série. Como é que você ficou

sabendo de Flex e como foram os trâmites pra você participar?

Na verdade, a ideia foi introduzida por uma amiga minha. Uma das produtoras

contactou ela, só que pra ela não funcionaria, então ela falou assim: "Eu

acho que eu tenho uma amiga que vai gostar dessa ideia".

-Uhum. -E acabou mandando meu contato pros

produtores. Eu tive uma entrevista, compartilhei um pouco da minha história,

eles super se interessaram, eram muitas coisas que encaixavam com o tema do

programa. Aí eu conheci os outros produtores, o Ben, que tá fazendo o show,

produzindo o show, e a gente foi a partir daí.

Você já tinha pensado em algum momento da sua vida em participar de um reality show?

Nunca na minha vida eu imaginei que eu

faria parte de nada disso. Eu sou uma pessoa que gosto muito de sair, conversar,

fazer amigos, mas tá num show assim é, é bastante exposição, né? Você se coloca

numa vulnerabilidade e eu jamais pensei, mas a oportunidade aconteceu e é muito

relacionado com o estilo de vida, com exercícios, e eu falei: "Por que não?"

Como você descreve Flex? A gente recebeu um release enviado pela produção da série,

um release preparado pra imprensa, e aí eles definem a série como, abre aspas:

"Uma aula de como sobreviver nas áreas mais ricas de Sydney, expondo a realidade

do fingir até conseguir de uma geração sob pressão". E aí fala também que a série

revela a luta árdua, né, necessária pra se manter atraente, relevante e no jogo.

-Você sente isso mesmo da série? -Eu acredito que sim, essa foi uma

definição muito boa. Eles realmente querem mostrar a realidade. Quando a gente olha

pra um lugar tão lindo como Bondi, a gente só pensa na parte boa, né? A gente não vê

quanto que cê tem que trabalhar pra pagar todo o teu custo de vida, o aluguel, as

longas horas de trabalho. Se você quer se manter com um estilo de vida muito bom

quando está relacionado aos exercícios, o quanto cedo que cê tem que levantar, o

quanto que cê tem que correr pra chegar naquele corpo que te faz sentir bem. Então

eu acho que Flex veio pra realmente mostrar todas

os struggles relacionados a realmente manter esse estilo de vida em Bondi, que

pode muitas vezes-- é muito competitivo, sabe? Então eu achei muito legal a ideia e

-por isso que eu resolvi participar. -Como é que é a rotina de gravações? Vocês

têm uma frequência específica? Como é que funciona isso?

As gravações, geralmente, a gente tem de dois a três dias de filmagem na semana, e

agora a gente tá fazendo os diary cams também,

é, pra deixar todo mundo atualizado, tudo que tá acontecendo, ser mais rápido, a

gente conseguir conectar com o público bastante também.

Como é isso pra você, né? Já que você é uma pessoa que cê não tinha pensado ainda,

né, nunca em participar de um reality show, estar na frente das câmeras falando

sobre você mesma, né, sendo você mesma. Foi difícil no começo pra você se adaptar?

Agora você se sente mais à vontade? Tem as pessoas ali também ao redor orientando

em algumas coisas? Como é que é isso?

Então, é engraçado porque eu tava tirando sarro que pra mim é muito difícil de suar,

mas no primeiro dia eu estava com o meu rosto encharcado de tão nervosa

[risos]. Porque

realmente tudo era muito novo pra mim, sabe? Tá na frente das câmeras, que é

intimidador, né, tá compartilhando tua história já. Então pra mim no começo foi

muito difícil, porque eu tava tentando me acostumar. Imagina, eu vim numa cidade

-pequena, nunca tive nada de televisão- -Aham

...exposição, tá atrás da câmera. Então no começo eu ficava muito nervosa e querendo

ou não, você quer compartilhar tua história do jeito mais honesto possível-

-Uhum -...mas você tá tão nervosa que cê não

-consegue nem pensar direito, sabe? Mas- -É difícil ser natural, né? Quando você tá

-nervosa- -É difícil ser natural

-...e tem uma câmera te filmando, né? -Exato, mas o time da Flex, eles são

incríveis, todos os produtores, os cameramen, eles são pessoas muito

queridas, sempre me deixaram muito confortáveis, sempre me guiaram muito,

sabe? Porque eles têm muita experiência, toda, toda a equipe tá trabalhando nessa

-área faz muito tempo- -Uhum

...então eles sempre me deixaram muito confortáveis e me ajudaram muito com isso.

E agora tô começando a melhorar, eu acho [risos].

Pra mim, desde o início você me pareceu bem natural, bem à vontade, né, falando de

você mesma, né? Até porque você, nas primeiras publicações, primeiro, né, você

fala de como é ser uma brasileira, inclusive eu queria que você falasse sobre

isso um pouquinho. O que você considera que é ser uma brasileira? Quais são as

características? Isso você fala, né, durante a série.

É muito engraçado. Meu Deus, a hora que eu vi esse vídeo eu dei muita risada. Falei:

"ai, não acredito que eles tão começando com isso".

Mas, é, ah, eu acho que na nossa cultura, relacionando esse vídeo que você me

ensinou, a gente é muito caloroso, sabe? A gente é muito-- todo mundo fala, tenho

vários amigos visitando o Brasil toda hora, eles falam: "nossa, que país

incrível". A gente é muito amoroso, a gente é muito amigável, a gente recepciona

as pessoas muito bem, a gente gosta de mostrar afeto e eu sou muito orgulhosa

-dessas nossas características. -Sim.

-Sabe? É- -E de que forma isso, na série, isso

interfere na forma como você se relaciona mesmo com os outros participantes da

-série? -Então, eu fiquei muito lisonjeada quando

eles me convidaram pra participar do programa que, na minha cabeça, achei que

seria só pessoas locais mesmo, né? Eu achei que foi uma honra ser uma pessoa de

fora sendo convidada a mostrar um pouco do, do estilo de vida em Bondi. Então,

realmente eu acho que meu relacionamento com os outros participantes é muito

-baseado já na pessoa que eu sou- -Uhum

...nas qualidades que eu tenho, e eu acho que é muito sobre isso, de, de você

continuar sendo quem você é, e as amizades vêm a partir disso.

Tem algum ou alguns participantes com quem você se identifica mais? Quem são e por

-quê? -Eu acho que a, a Willow é a participante

que eu mais me identifico, assim, sabe? Eu acho que ela tem uma personalidade muito

forte, mas ela vai atrás do que ela quer, do que ela gosta, sabe o que ela quer e

não aceita menos que isso. E eu acho ela uma menina superquerida, supereducada. A

Berlin também a mesma coisa, ela superdedicada assim, sabe? Mas eu gosto de

todos os participantes, nunca tive problema com nenhum deles.

-Uhum. -Mas realmente a gente sempre tem as

pessoas que a gente se identifica mais, né?

É, exatamente. Aí você citou aí alguns perfis, né, citou algumas participantes. É

interessante porque apesar de ter essas coisas em comum, que eu já, já citei, né,

faixa etária, região em que vive, o estilo de vida também, né, tem perfis

diferentes, né? Tem um profissional do sexo, tem uma pessoa declaradamente não

monogâmica, tem uma pessoa que recentemente, né, começou a falar sobre

transtorno dismórfico corporal, que afeta a forma como a gente enxerga o próprio

corpo, entre outros. O que que você acha dessa mistura de perfis? Você que fala,

né, sobre o fato de você ter saído de um emprego estável e agora tá tentando, né,

viver da arte que você faz, né, tornar o, o seu hobby um trabalho, enfim. O que que

cê acha dessa mistura e se isso te ensina alguma coisa, né, traz alguma coisa no

-sentido de aprendizado pra você? -Eu acho muito interessante ter

participantes com background muito diferente, sabe? Tanto pra mim quanto pra

quem tá assistindo, e realmente mostrar que mesmo a gente vem de lugares muito

diferentes, com histórias muito diferentes, todo mundo tá tentando fazer

acontecer. E pra mim, eu acho incrível essa ideia de você poder se relacionar,

conhecer, entender. Acho que essa é a parte mais legal, assim, de se relacionar

com outras pessoas, escutar as histórias deles, porque você realmente entende mais

porque as pessoas agem do jeito que elas agem, por que que elas falam as coisas que

elas falam, sabe? Porque elas têm uma história atrás daquilo. Então eu acho

muito interessante ter pessoas que vieram de lugares diferentes, contando histórias

diferentes, fazendo parte do mesmo programa com interesses em comum, né?

E essa história de você falar de você nesse sentido, né, na questão de trabalho,

de ter que se virar, ter que se sustentar, e aí você inclui essa história,

né, de você ter largado o emprego e agora tá se dedicando, né, a se aperfeiçoar na

arte que você faz, né, naquelas telas que você faz com texturas, com cores, enfim,

por que esse foco no seu caso? Isso é uma coisa que tá muito presente nesse momento

-na sua vida, é isso? -Eu acho que, é, com certeza, isso, eu acho

que isso sempre foi parte da minha jornada aqui na Austrália. O primeiro

trabalho que eu tive foi um trabalho assim: tá, eu preciso me sustentar, o que

que eu vou fazer agora? Comecei a trabalhar numa loja, eu saí do direito, eu

fazia direito no Brasil, daí fui tentar fazer medicina, voltei pra direito. Então

é uma coisa que eu ainda tô tentando figure it out, sabe? Então é uma coisa

-muito- -Se encontrar, digamos assim, né,

-profissionalmente. -Se encontrar totalmente. Total. Ainda mais

quando você vem num país estrangeiro, tem tantas outras coisas. Cê tá tentando se

encaixar, você tá tentando entender como funciona a dinâmica aqui. A gente vem sem

amigos, vem sem família, então é muita coisa acontecendo. Demorou vários anos pra

eu realmente saber onde eu ia morar. Eu morei em Gold Coast por um ano, daí mudei

pra cá. Então teve muitas coisas pra eu realmente me encontrar, né? Mas agora eu

acho que eu cheguei numa fase da minha vida, depois-- eu já viajei muito, já

conheci muitos lugares e agora eu realmente quero focar em ter alguma coisa,

fazer alguma coisa que eu sou apaixonada, e isso é muito difícil, sabe? Você pode

ter um sonho e às vezes pode acontecer, pode não acontecer, mas eu acho que é

interessante a gente mostrar o quão difícil é fazer uma coisa que cê gosta e

-se encontrar realmente. -E aí você fala disso pro público geral e

você tem colegas seus, digamos assim, de show, que estão analisando essa sua

decisão, né? Porque tem esses vídeos também das pessoas analisando os outros

participantes. Pra você, às vezes você acha que é muita exposição ou você já

-aprendeu a lidar com isso? -Não, eu, eu acho que eu tô tranquila com

isso agora. E de novo, assim, todo mundo tá numa jornada diferente, sabe? Claro que

foi muito difícil, é muito difícil vocêTá fazendo tudo isso, mas eu acho legal tá

mostrando tudo isso. No começo, não vou mentir, foi muita exposição, mas eu acho

que agora eu tô mais tranquila e querendo ou não, isso é uma forma, você estar atrás

das câmeras contando a tua história, coloca mais pressão pra eu fazer as coisas

acontecerem, sabe? O que que vai vim depois disso, sabe?

-Uhum. -Então eu tô achando legal.

E você hoje já se vê e acha: "ah, tá tudo bem, essa sou eu mesma", ou às, às vezes

você ainda acha estranho quando você se vê?

Assistir os vídeos foi muito difícil no começo. É muito estranho. Eu ficava com

muita vergonha, porque minha primeira vez, né, fazendo alguma coisa nesse sentido.

Então quando saiu o primeiro episódio, eu mandei pra minha família, eu falei: "meu

Deus, por favor, assista por mim primeiro" [risos].

-Falei alguma bobagem, não sei. -Cê tava com medo de assistir, é isso?

-[risos] -Muito! Medo, vergonha, não sei. E é um

sentimento muito estranho, a primeira vez que você se vê num vídeo, e quando

apareceu na televisão, alguém gravou um vídeo e mandou pra mim, eu falei: "meu

Deus, eu não consigo assistir, eu tô com muita vergonha!"

-E agora já tá um pouco melhor, então? -Agora tá melhor, sim, mas você quer ser

muito honesto, natural, mas é, às vezes é uma pergunta que você não pensa tanto, às

vezes você fala uma coisa, cê fala: "poxa, podia ter dado uma resposta melhor",

sabe? Ainda mais quando tem muito, também muitas pessoas comentando e julgando,

-sabe? -Exatamente, né, que é o, justamente o caso

de um reality show. Quanto tempo ainda deve durar a série? Eu vi que agora parece

que tão recrutando mais participantes. O que que vem pela frente, que você pode

falar, né? Claro que tem muita coisa que não pode divulgar, mas enfim.

O tempo de gravação, a gente vai ter que assistir pelos vídeos.

-Uhum. -Não posso dar muito spoiler.

-Tá. -Mas sim, eles estão recrutando mais

participantes. Agora eu acho que todo mundo já tem uma ideia melhor do que é a

Flex e o que eles querem mostrar. Então agora é uma oportunidade ótima pra gente

recrutar mais participantes que querem compartilhar um pouco mais da história

-deles também. -E da sua história, por que que você veio

pra Austrália e o que que te fez querer ficar aqui?

Como eu mencionei antes, eu comecei a fazer Direito, parei, daí achei que meu

sonho era fazer Medicina. Aí voltei pro Direito, daí foi quando minha mãe falou:

"Maria Isabel, o que você tá fazendo? [risos] Você não faz ideia, faz?" Eu

estudei numa escola de inglês por muitos anos, então eu já tinha uma, uma base

muito boa do inglês, e aí minha mãe me deu a ideia de eu fazer um, um intercâmbio,

né? Então eu vim, eu fiquei numa homestay, eu morei com uma família em Gold Coast, e

no começo, nossa, eu achei que eu sabia falar inglês até eu chegar aqui. Foi muito

difícil, muito difícil. Ainda mais que eu morava numa parte de Gold Coast que era

um inglês, assim, super raiz, mas foi uma experiência incrível. Morei com dois

menininhos coreanos que também tavam fazendo intercâmbio e eu amei, eu amava,

eu sempre gostei muito do mar, sempre fui apaixonada por, por praia. Então quando eu

tive a oportunidade, né, de experienciar, de viver numa cidade que tinha tantos

lugares lindos, eu me apaixonei demais. Eu fiz um curso de inglês quando eu cheguei

também, pra continuar estudando, né, me aperfeiçoando. A ideia era ficar seis

meses. Já tava tudo preparado pra eu voltar um pouco antes do Natal, em

dezembro, eu acredito. E teve um dia que eu liguei pra ela e falei assim: "mãe,

acho que não vai acontecer, acho que eu não vou voltar embora mais".

-[risos] E ela? -Eu não falei que eu não ia voltar embora

mais, eu falei: "vou ficar mais um pouco, ficar mais um ano". Aí foi quando ela

bateu o pé, ela falou assim: "tá, minha filha, então agora vamos começar a vida

adulta". Eu acho que foi quando ela percebeu que realmente tinha um futuro pra

mim na Austrália, né? E acabou que eu fui estendendo, estendendo e aqui estamos.

E agora você se sente em casa aqui já? Você considera a Austrália a sua casa e

você se sente pertencente à cultura local também?

Olha,

é engraçado, porque quando eu vou viajar e eu volto,

vindo do aeroporto pra minha casa, eu tenho aquele sentimento assim: "nossa, que

-bom tá em casa de novo", sabe? -Uhum.

Mas no dia a dia ainda tem muitas coisas, e eu acho que isso é um sentimento que

nunca vai mudar, ainda tem aquele sentimento assim, sabe,

que eu não fui pra escola aqui, eu não tenho meus amigos de infância, eu não

tenho várias conexões que eu tenho no Brasil, sabe? No sentido assim de, da

minha família tá por volta, daquele lugar que eu costumava tomar um café com a minha

avó quando eu tinha 10 anos, sabe? Aquele, aquele sentimento. Então eu acho

que eu sou apaixonada pela Austrália, claro, moro aqui tantos anos que tem esse

sentimento que eu pertenço, que, e tudo, mas eu acho que sempre tem aquele vazio

que nunca vai ser preenchido, porque realmente não é onde eu cresci, né? Onde

eu tenho minhas memórias de infância, onde eu tenho minha família, que eu acho que é

a parte mais importante, assim, e que é a parte mais triste de morar fora, né?

-É. -Você não ter tua família com você.

O que que você espera da sua participação na série, que essa participação nessa

série te traga? Tem alguma expectativa, alguma coisa específica que você espera,

-né, de tá participando da Flex? -Eu acho que o objetivo principal é

realmente compartilhar um pouco da minha história, especialmente como uma

imigrante. É, mostrar o estilo de vida pra quem não está aqui e quer conhecer um

pouco mais de Bondi, de Sydney, das dificuldades, das partes boas também,

porque esse lugar tem muitas coisas lindas, né? Mas eu acho que esse é meu

objetivo principal, só compartilhar um pouco da minha história.

E aqui você costuma frequentar bares, restaurantes, eventos brasileiros, já que

cê falou, né, que sente falta do Brasil e tá junto com a comunidade brasileira

-também? Como é que é essa sua relação? -Então, eu tenho muitos amigos brasileiros,

amigos assim que também fazem muitos anos que moram aqui, que também fizeram a

Austrália a casa deles. Então eu tenho minha comunidade brasileira aqui sim. A

gente mata a saudade comendo brigadeiro, comendo strogonoff, comendo a nossa pizza,

fazendo a nossa comida, fazendo nosso churrasco. Eu tenho a minha porção

-brasileira aqui também. -Maria Isabel, muito obrigada pela sua

participação. Foi um prazer conversar com você e que seja ótima essa participação aí

na Flex. A gente vai continuar te acompanhando, é @flex_the, T-H-E,

-_series. -Mariana, muito obrigada pela oportunidade.

Obrigada por me deixar conversar ainda mais sobre a minha história. E pra galera

também, me siga no Instagram, @belgilinski, que eu vou tá postando mais

vídeos e mais fotos e compartilhando tudo com vocês. Obrigada, viu?

[trilha sonora]

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