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Canícula nunca vista, mar mediterrâneo chega aos 33 graus Celcius

Displaced Gazans turn to Mediterranean shore amid rising summer temperatures
Mar mediterrâneo registra temperaturas acima dos 30 graus em agosto. Source: EPA / HAITHAM IMAD/EPA/AAP Image

Agosto de 2026 regista temperaturas recorde no Mediterrâneo: 33,02°C nas Baleares. O aquecimento extremo dos oceanos ameaça a biodiversidade marinha e aumenta risco de eventos meteorológicos violentos.


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By Francisco Sena Santos

Presented by Luciana Fraguas

Source: SBS


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Agosto de 2026 regista temperaturas recorde no Mediterrâneo: 33,02°C nas Baleares. O aquecimento extremo dos oceanos ameaça a biodiversidade marinha e aumenta risco de eventos meteorológicos violentos.


Os sensores de temperatura na boia oceanográfica estacionada a três escassas centenas de metros do ilhéu de Dragonera, que é parque natural, nas Baleares, arquipélago do Mediterrâneo espanhol, mediram, às 16 horas do último domingo, 9 de agosto, a temperatura da água do mar à superfície de 33,02 graus. É algo nunca antes registado neste Mediterrâneo que, na média dos últimos 22 anos, naquela região, na primeira quinzena de agosto ronda os 25-26 graus.

Nos primeiros dias de agosto, a média naquela bacia já tinha disparado inquietações ao atingir 28 graus, algo sem precedentes.

A média deste agosto de 2026 aponta para novo recorde e essa é a grande preocupação: a água do Mare Nostrum.

O Mediterrâneo está cada vez mais quente, tanto à superfície como em profundidade.

Os recordes de temperatura do mar na costa espanhola juntam-se a outros deste agosto em todo o Mare Nostrum. Numa boia ao largo de Trieste, fronteira entre a Itália e a Eslovénia, também neste domingo, a temperatura do Adriático chegou aos 29,3 graus. Foram 30° na boia junto ao dique de Veneza. 29,7° ao largo de Nice, Mediterrâneo francês.

Estas temperaturas, de ano para ano mais quentes, a canícula em terra e o mar que se torna sopa, fazem soar os alarmes: Federico Grazzini, físico e meteorologista ao comando na sala de operações da ARPA, agência ambiental italiana, não se cansa de analisar os números atuais e comenta:

"Estamos diante de um barril de pólvora capaz de explodir e provocar desastre já em setembro com fenómenos atmosféricos violentos."
Federico Grazzini, físico e meteorologista ao comando na sala de operações da ARPA.

É o alerta para alto risco de tempestades com chuva muito intensa e ciclones em regiões pouco habituadas a emergências meteorológicas desta natureza.

Os oceanos estão a absorver quantidades de energia sem precedentes. Este aquecimento dos oceanos contribui, pela dilatação térmica, para a subida do nível da água do mar. É o problema que se coloca no horizonte de regiões costeiras.

Outra consequência da elevação da temperatura dos oceanos é a perda de biodiversidade.

Sabe-se que os corais tropicais reagiram muito mal à canícula marinha, associada à acidificação dos mares e aos malefícios de algumas atividades humanas inimigas da natureza. Repetem-se em voz cada vez mais alta os alertas para o risco de progressivo desaparecimento desse sedutor ecossistema marinho, formado por colónias de pequenos animais marinhos em simbiose com algas microscópicas, tudo agregado em estruturas de carbonato de cálcio. É sério o risco de destruição.

Mariella, botânica marinha em Cagliari, na Sardenha, estuda o impacto deste mar demasiado quente sobre as florestas de posidónias. A posidónia é uma planta marinha classificada como superior: tem raízes, caules, folhas, flores e frutos. As pradarias aquáticas de posidónias (nome em homenagem ao deus grego do mar) são determinantes para a biodiversidade e para a produção de oxigénio. A análise mostra que as posidónias não estão a apreciar o mar tão quente. Quase toda a fauna e flora marinha está a reagir mal à canícula.

O observatório climático europeu Copernicus certificou já que as subidas na temperatura da água na superfície do Mediterrâneo atingiram este ano até 8 graus acima da média. Estes números são explicados pelo impacto da crise climática: mais de 90% do excesso de calor do planeta é absorvido pelos oceanos, e grande parte deste calor resulta das emissões que alteram o clima, alimentadas pela queima de combustíveis fósseis.

A solução para a crise, portanto, segundo a ciência, está em reduzir estas emissões: caso contrário, a temperatura no mar Mediterrâneo, que já está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global dos oceanos, vai continuar a subir.

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