Em 1807 a coroa portuguesa transfere-se para o Brasil. Transferência é um eufemismo para significar que fugiu para o Brasil, porque Portugal europeu estava a ser invadido pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte.
Para os portugueses ele é Pedro IV e rei, o 29º de Portugal. Para os brasileiros, Pedro I e imperador, o 1ºdo Brasil.
Uma etapa decisiva começa em 1807: a coroa portuguesa transfere-se para o Brasil. Transferência é um eufemismo para significar que fugiu para o Brasil, porque Portugal europeu estava a ser invadido pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte.
Houve três vagas de invasões francesas, que os portugueses, apoiados por forças britânicas, conseguiram repelir, mas naquele terceiro assalto temia-se que os franceses chegassem a Lisboa.
Nesse ano 1807, o reino português era governado por João VI, de forma interina na condição de príncipe regente.
João era o segundo filho da rainha D. Maria I. Foi obrigado a assumir o trono aos 22 anos (em 1799) por incapacidade da mãe, a rainha apresentava os sintomas de uma doença mental incurável – razão pela qual é ainda hoje conhecida como “A Rainha Louca”.
D. João, tão novo, não estava preparado para ser rei. era também conhecido pela dificuldade de tomar decisões. Por isso, costumava delegar tudo aos ministros que o rodeavam. Em novembro de 1807, no entanto, ele foi colocado contra a parede e obrigado a tomar a decisão mais importante da sua vida.
Naquele começo do século XIX, Napoleão Bonaparte era o senhor absoluto da Europa. Os seus exércitos só não haviam conseguido subjugar a Inglaterra. Protegidos pelo Canal da Mancha, os ingleses tinham evitado o confronto direto em terra com as forças de Napoleão.
Ao mesmo tempo, tinham-se consolidado como senhores dos mares na batalha de Trafalgar, em 1805, quando a sua marinha de guerra, sob o comando de Lord Nelson, destruiu na entrada do Mediterrâneo as esquadras combinadas da França e da Espanha.
Napoleão, imperador francês reagiu decretando o bloqueio continental: quis fechar todos os portos europeus a produtos britânicos.
Todos os países da Europa acataram, com uma única exceção: o pequeno e desprotegido Portugal, o mais antigo aliado dos ingleses. Napoleão quis vingar-se da ousadia portuguesa dando ordem para invasão e ocupação de Portugal. E atacaram em 3 vagas.
Os ingleses, que organizaram a defesa de Portugal, convenceram a casa real portuguesa a, estrategicamente, deixar Lisboa.
Destino escolhido: o Brasil. Rio de Janeiro. O Brasil era desde o começo do século XVI colónia de Portugal.
Tornou-se um Estado tutelado por um governador-geral a partir de 1548, numa fase precoce da sua colonização.
Veio logo a seguir o começo da unificação do território antes composto por capitanias. O Brasil cresceu ainda predominantemente costeiro mas já de dimensão significativa, se bem que longe da imensidão posterior.
Na Coroa portuguesa houve quem soubesse ler a evolução económica e demográfica do Brasil, o que levou um dos homens fortes do reino português do século XVIII, o marquês de Pombal a ordenar a transferência da capital de Salvador da Bahia para o Rio de Janeiro. Aconteceu em 1763.
É assim que o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro se tornou o destino ideal para a casa real portuguesa, na tal transferência que se concretizou em novembro de 1808.
Começou o período de transformações que levaria à Independência do Brasil em 1822.
O território do Brasil, de facto, desde 1808 era em grande parte autónomo. Nesse ano 1808, o príncipe regente D. João VI, já no Rio de Janeiro, então sede da coroa portuguesa, decretou a abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional (foi em 28 de janeiro de 1808).
Esse foi o momento em que a, formalmente, ainda colónia deixou de precisar de Portugal como intermediário do seu comércio com a Europa.
Para o Portugal europeu, depois de mais de um século a depender quase exclusivamente da riqueza do Brasil, esse foi um sério revés, com repercussões profundas nas décadas seguintes.
Em 1815, o território do Brasil já tinha sido elevado a reino, ficando com um estatuto equiparado ao de Portugal.
No entanto, as partes que compunham o novo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves partilhavam o mesmo soberano — D. João VI — mas não os mesmos interesses.
Na América do Sul, o Brasil assumia-se como a capital da monarquia, com vocação imperial e aspirações a tornar-se um estado tão relevante quanto os Estados Unidos da América; pelo contrário, na Europa, Portugal estava sob tutela política e militar britânica e não podia aspirar a mais que manter-se formalmente independente.
Afastada a ameaça das invasões napoleónicas, o rei João VI, apesar de contrariado, regressa a Lisboa.
O filho Pedro escolhe continuar no Brasil. Fica como figura máxima da coroa portuguesa no Brasil.
Em 26 de julho de 1822, Pedro tinha 23 anos, envia para o pai uma carta em que escreve: “É um impossível físico e moral o Brasil ser governado de Portugal”.
Seis semanas depois, a 7 de setembro de 1822, Pedro, regente do reino do Brasil, declarou nas margens do rio Ipiranga a independência deste imenso território sul-americano.
O chamado “grito do Ipiranga” constituiu-se desde logo como o momento simbólico em que o Brasil se separou de Portugal.
O “grito do Ipiranga” foi ao mesmo tempo a independência de uma colónia e também a secessão de um reino, o de Portugal. Este país ainda manteria colónias em África por mais século e meio.
Em 25 de Abril de 1974 a revolução democrática em Portugal pôs fim à guerra colonial em Angola, Moçambique e na Guiné. Os países lusófonos passaram a ter para Portugal o estatuto de irmãos. E é assim que estão no coração do povo.
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