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Como é a vida dirigindo caminhões gigantes em minas no Outback

Monica Holanda

A brasileira Mônica Holanda dirige os caminhões gigantes em plantas de mineração no interior da Austrália, depois de começar lavando pratos na cozinha dos alojamentos. 'Você faz muitos amigos nas minas, porque está todo mundo no mesmo barco, né? Acaba vendo trabalhos melhores do que o seu que às vezes não precisam de muita formação".

A brasileira Mônica Holanda deixou uma ascendente carreira de aeromoça para fazer um pé de meia nas plantas de mineração no interior da Austrália, que costumam ter salários anuais na casa dos seis dígitos. Hoje, ela dirige os enormes veículos que carregam o minério extraído durante longos turnos sob o sistema FIFO (Fly In, Fly Out): duas semanas 'internada', duas semanas de volta à sua casa em Perth. Nesta conversa com a SBS em Português, ela conta os prós e contras da vida nas minas.


Published

By Fernando Vives

Source: SBS


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A brasileira Mônica Holanda deixou uma ascendente carreira de aeromoça para fazer um pé de meia nas plantas de mineração no interior da Austrália, que costumam ter salários anuais na casa dos seis dígitos. Hoje, ela dirige os enormes veículos que carregam o minério extraído durante longos turnos sob o sistema FIFO (Fly In, Fly Out): duas semanas 'internada', duas semanas de volta à sua casa em Perth. Nesta conversa com a SBS em Português, ela conta os prós e contras da vida nas minas.


Segundo o governo federal, cerca de 66% das exportações australianas vêm da exploração de minérios e energia. A famosa qualidade de vida material da população se deve, em grande parte, ao que é extraído no interior do vasto continente ou dos mares.

Isso é ainda mais evidente na Austrália Ocidental, estado que tem quase metade do Produto Interno Bruto, o PIB, proveniente da mineração.

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Mônica Holanda começou nas minas na área de hospitalidade. "Nunca imaginei trabalhar com caminhões. Tinham algumas meninas lá que já faziam isso, eu as achava superpoderosas, né? E elas falavam, você precisa tirar sua (carteira de habilitação na categoria) 'heavy rigid'. Eu fui atrás. Hoje, adoro operar máquinas gigantes".

Não por acaso, trabalhar para as mineradoras é uma ótima opção pra quem sonha em fazer um pé de meia em um tempo relativamente curto. Há uma ampla oferta de vagas com treinamentos simples no esquema FIFO (Fly in, Fly Out). Ou seja, voar pra entrar, voar pra sair. A empresa paga o transporte, geralmente de avião, até um campo de mineração e fornece toda a estrutura aos empregados. Os trabalhadores passam um tempo "internados" na mina, com quase nenhuma despesa, e depois voltam pra casa de folga por um período similar.

Eu cursei publicidade no Brasil e não consegui fazer meu trabalho aqui, então fiquei muito em 'hospitality'. Eu tinha essa ambição de juntar grana e não via muito futuro, também não como aeromoça. Então eu vi (a vida nas minas) como uma saída pra ter uma reserva maior de dinheiro, pra talvez conseguir comprar uma casa. Os salários são todos acima de 100 mil.
Mônica Holanda.

O trabalho costuma ser pesado, com turnos longos em regiões de clima extremo. Para muitos, pode ser psicologicamente desafiador. A compensação é o salário, quase sempre na casa dos seis dígitos anuais.

A brasileira Mônica Holanda é uma dessas pessoas que se acertaram no esquema FIFO. A carioca criada em Fortaleza trabalhou um bom tempo no setor de hospitalidade na Austrália e chegou a iniciar uma carreira de aeromoça.

Mineração
Um caminhão em uma mina de carvão nos EUA. Veículo similar ao que a brasileira Mônica Holanda dirige em WA. Credit: AP

Porém, ao sair de um relacionamento, seu foco passou a ser a independência financeira. Foi o que a atraiu para tentar a vida nas mineradoras. O caminho que ela encontrou foi ser motorista daqueles caminhões gigantes que recebem o minério extraído diretamente das máquinas de escavação.

São veículos gigantes, de cinco metros de altura e mais de 100 toneladas, mas que, com a tecnologia atual, são relativamente fáceis de se dirigir.

Eu queria crescer (na carreira) como aeromoça, mas vinha de uma separação. Daí, 'apliquei' como 'kitchen hand' numa mineradora, sem precisar de skills, no esquema FIFO. Era um valor bem maior do que o que ganhava como aeromoça. De lá, me achei. Foi um mundo novo pra eu aprender, para minha própria segurança financeira.
Mônica Holanda.

Nessa conversa com a SBS em português, Mônica Holanda, que mora em Perth, conta como é a vida pilotando essas máquinas enormes em turnos de 12 horas no esquema FIFO.

A brasileira relata os prós, os contras e dá detalhes pra quem cogita tentar a sorte profissional neste mundo particular da vida australiana.

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