Na última quinta-feira terminou dos julgamentos mais aguardados pela comunidade brasileira na Austrália: o engenheiro brasileiro Mario Marcelo Santoro foi condenado a 27 anos de prisão pelo assassinato da administradora também brasileira Cecília Haddad, sua ex-namorada, em Sydney, em 28 de abril de 2018.
Santoro matou Cecília, jogou o corpo dela no rio Lane Cove e partiu horas depois ao aeroporto, onde fugiu para o Brasil.
O engenheiro confessou o crime em plenário e foi condenado por homicídio qualificado a partir de motivo torpe, asfixia, feminicídio e ocultação de cadáver. Ele já cumpre pena desde 2018 no complexo de Bangu, no Rio de Janeiro. O advogado de defesa disse que vai recorrer da decisão.
A investigação da polícia de Nova Gales do Sul foi base do processo de acusação, e policiais australianos estiveram no julgamento no Rio de Janeiro como testemunhas.
O julgamento despertou dúvidas na comunidade sobre o por quê de Marcio Marcelo Santoro ter sido julgado no Brasil, e não na Austrália.
Para entender todo este processo jurídico, conversamos com Alexandre Fleck Brandão, especialista em direito criminal. Natural de Porto Alegre, ele vive há quase seis anos na Austrália. É formado em Direito pela UFRGS, mestre em Sociologia Jurídica pelo Instituto de Oñati, e atual doutorando em Direito pela Universidade de Nova Gales do Sul.

Alexandre Fleck explica que Brasil e Austrália têm sim um acordo de extradição para crimes, mas contextualiza o por quê de isso não ter ocorrido no caso de Santoro. Ele também sobre a diferença na questão do feminicídio na justiça dos dois países, e aponta fatos incomuns que atrasaram o julgamento.
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