O que começou como curiosidade virou conquista internacional para o brasileiro Rod Prazeres, que vive em Brisbane, na Austrália. Apenas três anos depois de iniciar na astrofotografia, ele teve 15 imagens incluídas nos créditos finais do filme Project Hail Mary, uma superprodução de Hollywood baseada no livro de Andy Weir.
A história começou de forma improvável, com uma mensagem recebida pelo Instagram.“Quando eu vi isso, achei que era uma pegadinha, porque quais são as chances de um fotógrafo amador ser contactado por uma produtora de Los Angeles para ser envolvido num filme?”, lembra.

O contato evoluiu ao longo de meses. Rod enviou imagens, conversou com a equipe e aguardou definições sem garantia de que o material seria usado. A confirmação só veio depois de um longo período.
“Então não tinha nada decidido. Tinha aquela incerteza de: será que as fotos realmente vão se encaixar com o que os produtores têm em mente? Até que eventualmente foi confirmado que realmente eles iam usar", explicou Rod.
As fotos aparecem nos créditos finais do longa, servindo de pano de fundo para os nomes da equipe. Para isso, inclusive, precisaram passar por adaptações específicas, como a remoção das estrelas para não interferir na leitura dos créditos, um processo técnico feito sem uso de inteligência artificial generativa.

Para Rod, um dos pontos mais marcantes da experiência foi justamente a decisão da produção de usar imagens reais, e não criações digitais.
Saber que eles usaram minhas imagens, que são fotografias reais, em vez de algo criado por computador, realmente me deixou muito feliz.Rod Prazeres, Astrofotógrafo
Outro aspecto que ele destaca é o fato de não ser um fotógrafo profissional, algo que torna a conquista ainda mais significativa. “Eu ainda sou fotógrafo amador, então saber que eles estão dispostos a contactar uma pessoa que não é diretamente ligada ao estúdio pra fornecer material para um filme disponível no mundo todo, pessoalmente é uma conquista muito grande pra mim.”
As imagens foram encontradas de maneira simples: por meio de buscas no Google. A equipe chegou ao portfólio público de Rod, no perfil dele no Instagram (@deepskyjourney), onde ele detalha cada foto, incluindo equipamentos, técnicas e processo de captura, algo que ajudou a comprovar a autenticidade do trabalho.
Eles estavam literalmente procurando no Google. Viram uma das minhas fotos e falaram ‘uau, isso é muito bonito’. Aí entraram no meu portfólio e se interessaram.Rod Prazeres, Astrofotógrafo
A trajetória na astrofotografia é recente. Rod começou em 2023, depois de comprar um telescópio de segunda mão para observar o céu. A partir daí, mergulhou em estudos, testes e trocas com outros fotógrafos.
Hoje, o processo envolve desde planejamento dos objetos a serem fotografados, que variam conforme a época do ano e a posição no céu, até longas horas de captura e edição. Algumas imagens exigem muitas horas de exposição para revelar detalhes de objetos extremamente distantes e pouco iluminados.

Grande parte das fotos foi feita do quintal de casa, em Brisbane, mas ele também passou a usar um observatório remoto no estado de Victoria, em uma região com céu mais escuro para melhorar a qualidade das imagens.
Apesar do reconhecimento, Rod diz que a motivação principal continua sendo compartilhar o universo com outras pessoas.“Quando eu faço essas fotografias, eu faço exatamente pra compartilhar com as pessoas do mundo as coisas que existem no universo que as pessoas talvez não conheçam.”
O momento mais marcante veio na pré-estreia do filme, quando viu suas imagens na tela pela primeira vez, ao lado da família.
Quando a primeira foto apareceu, minha esposa começou a gritar no cinema, meu filho ficou morrendo de vergonha, e a gente se abraçou. Foi muito especial.Rod Prazeres, Astrofotógrafo

Para Rod, mais do que o alcance global, o trabalho tem um propósito claro: compartilhar a beleza do universo.
“Eu faço essas fotografias para mostrar para as pessoas coisas que existem no universo e que talvez elas não conheçam. Quando alguém acha bonito e também se interessa em saber o que é aquilo, isso já me deixa muito feliz.”
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