Bruno Massa trocou a própria empresa de energia solar no Brasil pelo trabalho manual de instalar painéis nos telhados australianos, seu primeiro emprego no país com o visto Work and Holiday. Entre chuveiros gelados e noites frias dentro do carro, ele percorreu mais de 5 mil quilômetros de Coffs Harbour a Perth.
Resumo
- Bruno Massa mudou de empresário de energia solar no Brasil para instalador de painéis solares na Austrália, seu primeiro emprego no país.
- Ele está na Austrália desde 2023 com o visto Work and Holiday que não tem limite de horas de trabalho.
- Morou em Sydney, depois em Coffs Harbour, cidade regional que garantiu a renovação do visto.
- Segundo o relatório oficial do Departamento de Assuntos Internos da Austrália, 175.070 vistos Working Holiday Maker (subclasses 417 e 462) foram concedidos no primeiro semestre de 2025, um aumento em relação aos 122.387 concedidos no mesmo período do ano anterior.
Bruno Massa chegou à Austrália em dezembro de 2023 com o visto Work and Holiday, conhecido como o "visto do mochileiro" por permitir unir viagem e trabalho temporário.
Disponível para brasileiros e portugueses de 18 a 30 anos, o visto tem validade inicial de um ano, mas pode ser estendido por até três. Guarujá, litoral de São Paulo, e surfista desde a infância, Bruno diz que a escolha pelo país foi quase natural: "a Austrália foi a minha única opção quando eu quis realmente ter uma experiência fora do Brasil".
Sobre o visto, ele explica a vantagem em relação ao de estudante: "o Work and Holiday não tem limite de horas. Você pode trabalhar full time, 40, 50 horas na semana sem problema algum".
A escolha teve um preço. No Brasil, Bruno era empresário no setor de energia solar, com negócio próprio e experiência em financiamento do setor.
Na Austrália, o primeiro emprego foi bem diferente: instalador de painéis solares nos telhados das casas.
"No Brasil eu não fazia as instalações eu mesmo, eu não subia no telhado para instalar as placas", conta. O aprendizado veio na marra: "eu não tinha trabalhado com ferramentas no Brasil, então isso foi uma área que eu tive que aprender aqui, apanhei muito".

Depois de seis meses em Sydney e dois anos em Coffs Harbour — cidade regional que garantiu a renovação do visto —, surgiu a chance de atuar no setor de mineração em Western Australia.
Para chegar a Perth, Bruno decidiu não voar: converteu o próprio carro em uma estrutura para dormir e viajou sozinho por duas semanas, cruzando cerca de 5 mil quilômetros.
"Foram mais de 5000 quilômetros rodados desde Coffs Harbour até Perth", relembra. Pelo caminho, enfrentou banhos gelados — "tive que tomar banho de ducha de praia com 12 graus" — e ventanias de quase 80 km/h, mas também conheceu os Doze Apóstolos, em Victoria, eleitos por ele o ponto mais impressionante da viagem.
Hoje no último ano de seu visto, Bruno busca um patrocínio que lhe permita continuar no país: "a minha próxima aventura agora vai ser ficar em Perth em busca do meu visto".
Enquanto isso, segue documentando a rotina nas redes sociais, onde acumula mais de 100 mil seguidores no Instagram — um projeto que só começou depois de deixar o Brasil.
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