A brasileira Sandra Barbosa conquistou o Distinguished Talent Visa em 2013, atualmente chamado de National Innovation Visa, graças à sua trajetória como dançarina profissional e passista de samba. Mas, antes disso, ouviu de outros agentes de imigração que não conseguiria a residência permanente por meio desse visto. Hoje, aos 47 anos e vivendo em Perth, sua história também é marcada pela oportunidade de abrir portas para outros artistas: ela já ajudou dois dançarinos brasileiros a obter o mesmo visto, na esperança de que eles também possam fazer o mesmo por outros talentos. “E assim, a corrente do bem segue, um ajuda o outro, se Deus quiser."
São mais de 23 anos de carreira como dançarina profissional. A sua trajetória artistica começou em Paris, na França, quando Sandra se mudou para a Europa para viver mais um de seus recomeços.
"Eu aprendi a recomeçar desde pequenininha. Me mudei várias vezes quando criança por causa dos meus pais. Eu nasci em Olinda, Pernambuco, e com três anos fui morar no Rio de Janeiro. Depois, com oito anos, eu fui para São Paulo. Quando eu tinha 13 anos, meu pai foi transferido para Buenos Aires. Com 16 anos, a gente voltou para São Paulo. E com 20 anos eu fui sozinha para a França. Com 24 anos eu morei em Londres e aí depois, com 31 anos de idade, eu vim para a Austrália. E aqui estou até hoje."

A conquista da residência permanente: vai dar samba!
Durante entrevista para o podcast, Sandra relembra como ficou sabendo da existência de um visto específico para talentos distintos.
"Eu estava num churrasco, numa festinha brasileira, e não conhecia ninguém, pois havia acabado de chegar na Austrália. Então, as pessoas se apresentavam, se conheciam e perguntavam o que você fazia e tal. E nisso, eu conheci a Maria Giordano, que era agente de imigração na época. E ela foi a primeira pessoa que me disse sobre a existência de um visto de talento aqui, e de acordo com o que eu estava falando, ela disse que eu poderia aplicar. Aí eu ouvi e falei 'ah, obrigada, que interessante, legal'. Mas nem botei fé, pois nem acreditei inicialmente, então nem corri atrás disso."
Mas um ano depois, Sandra resolveu checar a veracidade da informação, e procurou outros agentes de imigração antes de voltar a falar com Maria.
Porém, esses agentes me disseram que eu não iria conseguir, pois esse visto era só pra pessoas que têm um nível Madonna ou Michael Jackson, sabe? E a Maria foi a única agente que me disse que tinha certeza que eu conseguiria. Então, eu diria para as pessoas terem bastante cuidado na escolha do agente de imigração. Escolha alguém que tem experiência com esse tipo de visto e que, principalmente, acredite em você, no seu trabalho e defenda a sua arteSandra Barbosa

Recebendo uma ajuda especial: quando a concorrência vira a solução
Antes mesmo de aplicar para o visto, Sandra teve o desafio de encontrar alguém que a nomeasse para o Distinguished Talent. O primeiro passo era encontrar um profissional australiano de destaque na mesma área, chamado de nominator - essa indicação era necessária para dar início ao processo de obtenção do visto para talentos excepcionais.
A única pessoa que eu conhecia, que era australiana, e poderia fazer isso era a Li-Anne Carroll. Mas a gente era praticamente concorrente, né? Ela tinha uma empresa de samba, e eu também. Eu tinha acabado de chegar e a gente tinha se visto poucas vezes, mas eu não a conhecia realmente. Mas como eu não tinha outra opção, e o 'não' eu já tinha, eu perguntei e ela aceitou, o que me deixou muito feliz e muito surpresa tambémSandra Barbosa
Corrente do bem: quando a solidariedade segue o mesmo ritmo

Durante a entrevista para o podcast, Sandra relembra o que sentiu ao descobrir o que levou uma dançarina de renome, que ela mal conhecia na época, a ajudá-la a conquistar o sonho de morar permanentemente na Austrália.
Um dia eu perguntei para ela, 'Li-Anne, por que você aceitou me ajudar?' E foi lindo, ela me disse com aquela serenidade que só ela tem, 'Um dia alguém me ajudou, hoje eu ajudo você, e no futuro você vai ajudar alguém'. Eu fiquei tão tocada, eu achei aquilo tão importante, tão bonito e inspiradorSandra Barbosa
E foi exatamente isso que motivou Sandra a fazer o mesmo por outros artistas talentosos que cruzassem o seu caminho
"Assim como a Li-Anne me ajudou aceitando ser minha nominator, eu também pude ajudar mais outro dois artistas brasileiros que me pediram para ser nominator, e eu aceitei: a Ana Silva e o Júlio Lima, que também tiveram o visto de Distinguished Talent aprovado. E com certeza no futuro, eles vão ajudar outros artistas e assim a corrente do bem segue, um ajuda o outro, se Deus quiser."

"Eu nunca parei de trabalhar com dança"
Atualmente, Sandra atua como counsellor em Perth há mais de três anos, utilizando a dança somática e movimento terapêutico em iniciativas que apoiam mulheres em processos de auto conhecimento, bem-estar e transformação pessoal.
"Eu organizo palestras sobre saúde mental feminina, rodas de conversas, círculos femininos, workshops e várias outras intervenções, sempre com dança envolvida. Para estar sempre trazendo essa consciência corporal, onde a gente acaba esquecendo que é tão importante estar presente consigo mesmo. É uma maneira de desacelerar, de voltar para o corpo e de se ouvir. Porque o corpo fala com a gente, mas a gente vive num mundo tão frenético, que as vezes esquecemos de ouvir".

Eu acredito muito que a gente veio nesse mundo para se relacionar. Como ser humano, a gente tá aqui realmente para tocar outras vidas e para fazer o bem. Independente da profissão que você leva, independente do que você faz na vida. E com certeza fazendo o bem, a sua vida vai ser melhor tambémSandra Barbosa
O Dance to Heal, que em tradução livre significa “dançar para curar”, acontece quinzenalmente no Naala Djookan Healing Centre, em Mirrabooka, desde 2024. As aulas são gratuitas. Mais informações estão disponíveis no site.
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