Para muitos imigrantes, conquistar a residência permanente pode ser um processo longo e desafiador. Mas em alguns casos, talentos excepcionais podem abrir caminhos para a realização de um sonho. E foi exatamente isso que aconteceu com o brasileiro João Claudio Cimurro, natural de São Paulo. Ele mora na Austrália há três anos e encontrou no judô não apenas uma paixão, mas também a oportunidade de construir uma nova vida no país.
Depois de apenas um ano vivendo na Gold Coast, João decidiu aplicar para o visto Global Talent, uma categoria voltada a pessoas com habilidades excepcionais em áreas como esporte, artes, ciência e inovação. Após dois anos de espera, a residência permanente foi aprovada.
Uma coisa interessante é que eu estava trabalhando nesse visto desde que eu tinha cinco anos de idade, e eu não sabia, que foi quando eu comecei o judôJoão Claudio Cimurro

A trajetória no esporte começou ainda na infância e foi marcada por disciplina e foco competitivo. João integrou a seleção brasileira de base, conquistou títulos nacionais e internacionais e também acumulou resultados importantes já nos seus primeiros meses morando aqui.
Assim que eu cheguei, fui campeão estadual, mesmo lutando com atletas fortes e já conhecidos na AustráliaJoão diz que o judô é uma das paixões da sua vida
Durante a aplicação do visto, ele enfrentou desafios significativos, incluindo lesões graves no Japão que o afastaram das competições por cerca de um ano. Ainda assim, encontrou maneiras de continuar ativo na área e manter sua aplicação atualizada, uma exigência do processo.
E foi interessante porque eu pensei, ‘eu não posso deixar de continuar fazendo os updates, porque o meu visto depende disso‘. Então, mesmo lesionado, eu continuei dando aulas, participando de seminários, eventos, e reunindo cartas de pessoas importantesJoão ficou dois anos atualizando o seu visto após dar entrada no processo
Hoje, além de atleta e preparador físico, João também dá aulas de artes marciais para dublês que atuam em cenas de ação em produções filmadas na Austrália - um trabalho que conecta o esporte ao universo do cinema.

Para a mãe dele, Alessandra de Castro, 48 anos, que mora no Brasil, a conquista é resultado de uma trajetória construída ao longo de muitos anos.
Com cinco anos, o João me pediu para inscrevê-lo para fazer judô na escola e nunca mais parou. Ele dedicou a vida toda ao judô, foi se aperfeiçoando, e o talento dele foi se destacando no Brasil e foraAlessandra, mãe do judoca, reside no Brasil e conversou com a SBS em Português via telefone
Agora, já com a residência permanente, João planeja os próximos passos: conquistar a cidadania e seguir competindo em alto nível, com o objetivo de representar o país internacionalmente.
O meu foco agora é poder representar a Austrália nas OlimpíadasJoão explica no podcast que poderá representar o país após ter a sua cidadania aprovada
Para João, o judô vai muito além da competição. Segundo ele, a modalidade tem um papel importante na formação de valores, especialmente desde a infância.
O judô é uma arte marcial centenária já que impactou o mundo todo. E não somente pelo fato de ensinar as pessoas a se defenderem, mas sim por ser uma modalidade que carrega uma filosofia de disciplina e boa conduta. E para mim, isso é uma das coisas mais importantes nos dias atuaisJoão incentiva que pais e mães coloquem os filhos e filhas no judô

Ele também destaca o impacto positivo da prática no desenvolvimento de crianças e jovens.
Para quem é pai ou mãe, coloque seus filhos e filhas no judô. Eles vão estar desenvolvendo não só as capacidades motoras, mas também o caráter, disciplina e boa conduta. Esse é um dos princípios que o judô carregaJoão encerrou a entrevista no podcast enaltecendo o esporte que lhe garantiu a residência permanente no país
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