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Itamaraty abre EMuB em Lisboa: espaço de apoio à muher brasileira

Woman working from home is looking tired.

"EMuB é uma resposta direta às demandas de uma comunidade que enfrenta desafios específicos por seu gênero e condição migratória,” diz a embaixadora Márcia Loureiro. Source: Getty / Getty Images/Fiordaliso

Com a meta de atender mais de 150 mil mulheres, estrutura ligada ao Consulado do Brasil vai atuar na assistência jurídica, psicológica e consular e no combate à violência doméstica.


Published

By Francisco Sena Santos

Source: SBS



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Com a meta de atender mais de 150 mil mulheres, estrutura ligada ao Consulado do Brasil vai atuar na assistência jurídica, psicológica e consular e no combate à violência doméstica.


O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa inaugurou o novo Espaço da Mulher Brasileira no Exterior (EMuB), projeto do Itamaraty que visa fortalecer o acolhimento e a proteção das mulheres brasileiras que vivem fora do país.

Este novo serviço em Lisboa é referenciado como um ponto de escuta, orientação e apoio jurídico e psicológico, voltado à realidade das mulheres brasileiras imigrantes em Portugal.

Segundo a embaixadora Márcia Loureiro, secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares e Jurídicos, o EMuB “é uma resposta direta às demandas de uma comunidade que enfrenta desafios específicos por seu gênero e condição migratória”.

Estima-se que esta rede passe a beneficiar diretamente cerca de um milhão de brasileiras no exterior.

A embaixadora Márcia Loureiro destacou que a política consular brasileira tem priorizado o atendimento humanizado e a prevenção à violência de gênero. A rede EMuB, iniciada em Boston em 2017, tem se expandido com o apoio de emendas parlamentares.

“Queremos garantir que brasileiras, onde quer que estejam, saibam que podem contar com apoio institucional qualificado, com escuta sensível e acolhimento seguro”, disse Márcia Loureiro.

Participaram por videoconferência na abertura deste serviço em Lisboa, representantes dos consulados do Brasil em Nova York, Miami, Londres, Bruxelas, Buenos Aires e Madrid. De Roma, o cônsul-geral adjunto, Helder Gonzales, falou sobre a experiência do EMuB na Itália, destacando que 80% dos atendimentos consulares são voltados a mulheres.

“Criamos um canal no YouTube para chegar às mulheres que não podem estar presencialmente. Também realizamos parcerias com organizações que acolhem mulheres trans, como a ONG Libelula. Produzimos cartilhas, promovemos peças de teatro com temática trans e lançaremos em abril a campanhaSinal Vermelho em Roma, com a presença da modelo e ativista Luiza Brunet e de organizações italianas”, detalhou.

O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, embaixador Alessandro Candeas, definiu o lançamento do EMuB como “um momento histórico para o consulado e para a comunidade”.

O espaço, segundo ele, será também de mobilização coletiva. “Queremos que o EMuB Lisboa seja um ponto de encontro — presencial e virtual — entre o consulado, a comunidade, as autoridades locais e a sociedade civil. A agenda é ampla: saúde, cultura, violência doméstica, racismo, inclusão, educação, guarda de menores. Vamos construir esse programa juntos, com escuta e ação”, afirmou. As mulheres são maioria entre os brasileiros que vivem em Portugal.

Com cerca de 5 milhões de brasileiros vivendo fora do país — e com as mulheres representando a maioria —, o Itamaraty tem reforçado a dimensão humanitária de sua política consular. O EMuB é, nesse contexto, um instrumento de Estado para garantir que a cidadania das brasileiras transcenda fronteiras e barreiras institucionais.

“É mais do que um espaço físico”, afirmou o cônsul Alessandro Candeas. “É um compromisso com a dignidade, com a justiça e com a vida das mulheres brasileiras no exterior.”

Em representação do governo português, a presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Gênero, Sandra Ribeiro, celebrou a criação do EMuB como uma realização concreta dos compromissos firmados na 15ª Cimeira Brasil-Portugal.

“Ficamos muito contentes ao ver que aquilo que colocamos nas declarações conjuntas passa do papel para a realidade. Essa matéria, que trata do empoderamento das mulheres e, acima de tudo, do combate à violência doméstica, é algo que nos une”, assinalou.

Sandra Ribeiro foi enfática ao lembrar a gravidade do problema em Portugal.

“A violência doméstica é o crime com mais vítimas fatais no país todos os anos. Morrem entre 25 e 30 mulheres, além de crianças. Não é tráfico de drogas, não é terrorismo — é violência doméstica. É com esperança que vejo nascer este espaço, que une vontades e constrói uma narrativa coletiva contra esse mal”.

Para ouvir, clique no botão 'play' desta página.

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