O brasileiro Marcelo Peres Colhado teve o pedido de liberdade sob fiança negado na última terça-feira, 24 de março, pela Justiça australiana, em meio a acusações de envolvimento em um esquema sofisticado de furto de veículos de luxo em Brisbane. Ele é apontado como um dos principais executores do grupo de cinco homens de diferentes nacionalidades.
De acordo com o Tribunal de Magistrados de Brisbane, Colhado, que entrou na Austrália com visto de turista em 11 de outubro, responde a 59 acusações de furto de veículos e três de tentativa de furto. Outro brasileiro, Rodrigo Kanae Sato, também foi preso na mesma operação e enfrenta o mesmo número de acusações.
A decisão foi tomada pelo magistrado interino Michael Quinn, que considerou elevado o risco de fuga e de reincidência criminosa. Segundo ele, caso seja condenado, Colhado poderá enfrentar uma pena “muito significativa”.
A promotora Kahu Simpson afirmou que um dos acusados teria participado diretamente dos furtos, indo pessoalmente a residências para levar os veículos. Segundo ela, o suspeito estava “na linha de frente das ações criminosas”. Ainda de acordo com a acusação, os carros podiam ser levados em menos de um minuto.
Colhado e Sato foram presos em um imóvel em Calamvale, onde a polícia encontrou um celular escondido em um banheiro externo, com supostas mensagens relacionadas aos furtos, além de um drone vinculado a um dos veículos roubados.

As investigações apontam que a quadrilha furtou cerca de 60 veículos Toyota de alto padrão, principalmente modelos LandCruiser e Prado, entre 20 de outubro e 1º de dezembro de 2025, chegando a uma média de dois carros por dia. A maior parte dos veículos teria sido enviada para os Emirados Árabes Unidos, em um esquema estimado em A$8 milhões.
Segundo a polícia, os criminosos utilizavam dispositivos eletrônicos comprados online para desativar os sistemas de segurança da montadora, o que permitia o furto mesmo sem as chaves.
A promotoria também destacou que Colhado foi visto em posse de veículos roubados que foram levados a um pátio industrial ligado à exportação ilegal, onde 13 carros acabaram sendo recuperados.
Outro ponto levantado pela acusação foi o status migratório do brasileiro, considerado um não cidadão em situação irregular, o que aumentaria o risco de fuga ou deportação. A promotora citou o caso de um coacusado que, após obter fiança, solicitou deportação voluntária, levando à revogação do benefício.
A defesa de Colhado, representada pelo advogado Matthew Scott, contestou os argumentos, afirmando que o caso não é robusto e que não há provas diretas, como impressões digitais, ligando seu cliente aos veículos recuperados. Também criticou o uso de questões migratórias para justificar a prisão preventiva.
Mesmo com a proposta de medidas como comparecimento diário à polícia e proibição de solicitar deportação, o pedido de fiança foi negado pela Justiça.
Mais informações, incluindo a decisão sobre o pedido de fiança de Rodrigo Kanae Sato, serão adicionadas assim que estiverem disponíveis.
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