A Operação Marosca, desencadeada pela tropa dos comandos portugueses em cinco aldeias na província de Tete, a 16 de Dezembro de 1972, é uma das histórias de barbárie na guerra colonial em Moçambique.
Em operação contra o “terrorismo das forças independentistas moçambicanas” o exército português praticou terrorismo; a ação durou cerca de 12 horas, terminou com 385 mortos (incluindo crianças, bebés, mulheres grávidas, idosos).
Mas o episódio sangrento nunca foi admitido oficialmente por Portugal.
A primeira notícia do massacre, devido à denúncia dos padres católicos, chegou à primeira página doTimesde Londres a 10 de Julho de 1973, 206 dias depois do massacre, a partir da denúncia do padre Adrian Hastings, da congregação dos Padres Brancos, membro da Congregação dos Missionários de África– denúncia então em Londres, com Mário Soares, exilado, ao lado dele.
O governo da então ditadura portuguesa desmentiu.
Passaram 50 anos e finalmente Portugal assume o horror. Primeiro, pelo primeiro-ministro António Costa, em visita oficial a Moçambique. Palavras dele:
“Não posso deixar aqui de evocar e de me curvar perante a memória das vítimas do massacre de Wiriyamu, acto indesculpável que desonra a nossa História.”

Agora, tanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como o Presidente do Parlamento, Augusto Santos Silva, juntam-se à memória do pesadelo.
Depois de 50 anos de silêncio cúmplice, as três mais altas figuras do Estado português dedicaram-se a reconhecer o crime e expressar a “vergonha” ou a “desonra” que significou para Portugal. Como seria de esperar, o esforço esteve longe do consenso. Para alguns, o que se disse foi de menos, para outros foi de mais.
O essencial – lê-se no editorial do diretor Manuel Carvalho no jornal Público - foi terem dito o que disseram. Wiriyamu é uma nódoa na História portuguesa, mesmo tendo ocorrido no contexto de uma guerra promovida por uma ditadura, a de Salazar então herdada por Caetano.
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