'Marie', possivelmente nacional da República Democrática do Congo, contou aos agentes da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras como estava a ser levada por uma mulher que desconhecia. No destino, tinha casamento previsto com um homem para pagar uma dívida da família.
Para proteção da identidade de uma menor, vamos chamar-lhe apenas Marie. Tem 12 anos, julga-se que nascida e nacional da República Democrática do Congo.
No aeroporto de Lisboa, Marie, a menina de 12 anos, contou aos agentes da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP e da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) como estava a ser levada para França por uma mulher que desconhecia. No destino, tinha casamento previsto com um homem para pagar uma dívida da família.
O caso foi detetado no sábado, durante um controlo fronteiriço realizado pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP na zona de chegadas do Terminal 1 do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, a passageiros provenientes de Dakar, no Senegal.
Esta intervenção das autoridades portuguesas de controlo fronteiriço teve origem em incongruências detetadas na documentação apresentada, designadamente sobre a alegada relação familiar entre uma mulher francesa de 45 anos e a menor, bem como nas explicações prestadas durante o controlo.
Nese 25 de julho, a menina apareceu num posto de controlo do aeroporto de Lisboa vinda de Dakar, capital do Senegal, acompanhada por uma mulher com 45 anos que tem passaporte francês. Apresentaram-se como mãe e filha, mas essa versão não colou. “Quando temos uma situação de agregado familiar, temos que comparar a documentação toda para verificar semelhanças e para nos dar a conclusão de que correspondem a mãe e filha. Não correspondem", explicou uma porta-voz da polícia.
Ainda no aeroporto, a criança falou com uma equipa especializada em ajudar vítimas de tráfico de pessoas e, a seguir, foi levada para uma viatura da Cruz Vermelha, que a deixou na sede da organização Akto, gestora de um centro de acolhimento para crianças e jovens vítimas de tráfico humano. À sua espera, estavam outras nove crianças e jovens, igualmente vítimas de tráfico. A mais velha tem 19 anos; a mais nova, apenas quatro.
Ela, Marie, chegou tranquila ao centro de acolhimento em Lisboa, que certamente chamará de casa nos próximos tempos.
Sabe-se que em Portugal a maior parte das sinalizações para tráfico de seres humanos é detetadatadas no aeroporto de Lisboa.
Uma responsável pelo acolhimento a menores conta ao jornal Observador, a experiência que têm: “São jovens que vêm sempre acompanhados de uma pessoa adulta que, quando é intercetada, diz sempre que é a mãe, ou o pai, ou o tio… e depois começamos a perceber que não há ligação familiar.”
É o que acontece neste caso de Marie.
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