Monarch: Legacy of Monsters é uma série de ficção científica sobre dois irmãos que investigam a ligação da família com a organização secreta Monarch, responsável por estudar criaturas gigantes conhecidas como Titãs.
A primeira temporada da produção feita pela Legendary Television foi filmada no Canadá, Japão e Estados Unidos. Já a segunda teve parte da produção gravada em Queensland, com filmagens adicionais em Vancouver.
A série conta até agora com duas temporadas. Para a segunda, a produção saiu em busca de músicos latino-americanos em Queensland que pudessem atuar como personagens secundários em uma banda, que aparece em dois capítulos filmados em Gold Coast.
A produção fechou a banda com quatro integrantes, três brasileiros e o chileno Nelson Mansilla. A SBS em português conversou com os brasileiros Lucas Tambelli, 37 anos, percussionista; Pamella Costa, 36, violinista; e Ricardo Bona, 38, sanfoneiro, que aparecem nos dois episódios.

Pamella Costa, violinista e professora de música, lembra do sigilo inicial da produção:
“A gente gravou essa série em 2024 e por dois anos, por questões contratuais, a gente não pôde revelar nada para ninguém. E agora que a série foi ao ar, a gente finalmente pode falar sobre esse projeto e compartilhar com vocês essa experiência incrível”.
Ela também refletiu sobre as oportunidades que a música e o seu talento representam:
Com certeza essa experiencia vai ficar para sempre na minha vida, uma história que vou poder mostrar para os meus filhos. É uma conquista muito especial.Lucas Tambelli
“Participar da série foi algo transformador nesse sentido de realização de sonho e da minha latinidade, uma mulher brasileira negra, que vem de um contexto social que muitas vezes não me dava as oportunidades que eu queria”.
Sobre o contato com a música latina:
“Eu vim do erudito. Eu estudo há muitos anos, desde o Brasil, desde criancinha. E quando eu vim para a Austrália, eu tive que me adaptar a um cenário que o erudito não era o suficiente para continuar tocando. Eu precisava me expor e tocar outros estilos musicais, como música latina. E este foi o diferencial que me levou à série, tocando música chilena, cubana, colombiana e peruana. Isso me fez expandir, me fez fazer amizades, conhecer gente nova, e agregar mais no meu currículo além de trazer mais bagagem pra minha mala cultural”.
Como artista, como violinista, desde o Brasil, com a minha carreira lá, eu sempre sonhava em fazer essa ponte entre a música e o cinema.Pamella Costa
Pamella também destacou a importância de fortalecer a identidade latino-americana:
“Para resumir essa experiência com a latinidade, eu me descobri aqui na Austrália, pois percebi que nós brasileiros somos muito isolados da cultura latino-americana. A gente tem a nossa cultura maravilhosa, muito forte, mas a gente peca em não ter esse intercâmbio com os nossos hermanos, né? E ter essa experiência de vir pra Austrália, me perceber latina, me perceber que a gente é muito mais parecido com os nossos hermanos”.
Lucas Tambelli, percussionista, falou sobre sua trajetória e instrumento:

“Eu sou professor de percussão, eu dou aula desde 2018, a maioria dos meus alunos são australianos e europeus. Eu construo instrumentos e, inclusive, os instrumentos da minha escolinha de percussão aqui do Samba Vibes, a maioria fui eu quem fiz. Eu toquei um instrumento que se chama Bombo Leguero na série, que é um instrumento meio folclórico chileno. E eu mesmo o construí com as minhas próprias mãos. Este instrumento lembra uma Alfaya de Maracatu, que é um tambor feito de madeira maciça e a pele de cima e de baixo é de couro de animal, que pode ser de vaca ou boi”.
Sobre a gravação na Austrália:
“A gente ficou hospedado perto de Surfers Paradise e a gravação durou uma semana. A locação da gravação era num lago ali em Gold Coast”.
Lucas também refletiu sobre o legado dessa experiência, e como isso pode abrir portas para novos músicos brasileiros, lembrando dos músicos do passado que serviram de inspiração:
“Com certeza essa experiência vai ficar para sempre na minha vida, uma história que vou poder mostrar para os meus filhos. É uma conquista muito especial. Também espero que essa participação agregue positivamente à trajetória dos brasileiros aqui na Austrália. Muitos músicos incríveis vieram antes de nós e abriram caminhos: e nós colhemos parte do que eles plantaram. Acredito que, com essa série, plantamos mais uma semente, que pode abrir portas para outros músicos brasileiros no futuro e fortalecer ainda mais a nossa cultura aqui na Austrália e no mundo”.
Ricardo Bona, sanfoneiro, comentou sobre o processo criativo durante as filmagens:

“A gente compôs as músicas da série e tivemos total liberdade criativa, pois a produção queria um conteúdo original. Aí, quando a gente chegou no estúdio para gravar, cada um de nós colocou a sua cara ali, botou um pouco da sua originalidade no som. Então, toda a música que tá sendo usada ali na série que a gente tá tocando, é original, foi composta pela gente e logicamente vendemos os direitos autorais para eles”.
A produção está disponível mundialmente em mais de 100 países, incluindo Brasil, Portugal e diversos países da Europa, Américas, Ásia, África e Oceania.

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