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Nova Gales do Sul implementa testes de drogas permanentes em festivais de música. Especialistas dizem que é preciso mais

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Jennie Ross-King, mãe de uma vítima de overdose em Nova Gales do Sul, durante uma coletiva de imprensa em Sydney, em 19 de dezembro de 2024. Source: AAP / MICK TSIKAS/AAPIMAGE

Os testes de drogas devem ser implementados em diversos festivais de música de Nova Gales do Sul neste verão. Mas a medida também levanta questionamentos sobre como o restante da Austrália vai lidar com o tema e se essa abordagem vai longe demais ou, pelo contrário, não é suficiente.


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By Deborah Groarke

Presented by Marinna Protasiewytch

Source: SBS



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Os testes de drogas devem ser implementados em diversos festivais de música de Nova Gales do Sul neste verão. Mas a medida também levanta questionamentos sobre como o restante da Austrália vai lidar com o tema e se essa abordagem vai longe demais ou, pelo contrário, não é suficiente.


Destaques

  • NSW terá testes de drogas permanentes em até 15 festivais de música.
  • A decisão segue um programa piloto de 12 meses considerado bem-sucedido.
  • Um relatório apontou que os testes ajudam a reduzir danos.
  • 8% das substâncias analisadas não eram o que os usuários acreditavam consumir.
  • 75% dos participantes disseram que descartariam a droga ou mudariam o comportamento após receber o resultado.
  • ACT e Victoria já oferecem testagem comunitária de drogas.
  • Queensland proibiu serviços de testagem de drogas.

Para a mãe de Sydney Jennie Ross-King, a luta por mudanças nas leis sobre drogas em seu estado tem sido uma jornada longa e dolorosa.

Uma jornada que começou com a perda da minha linda filha Alex, e que eu daria qualquer coisa para que nunca tivesse acontecido.

Alex morreu aos 19 anos após sofrer uma overdose de MDMA em um festival de música, em 2019. Desde então, Jennie tornou-se uma defensora da reforma das políticas de drogas.

Agora, a partir deste verão, uma das medidas pelas quais ela tem lutado, os testes de drogas (pill testing), passará a fazer parte permanentemente de até 15 festivais de música em Nova Gales do Sul. A decisão também tem um significado pessoal para o ministro da Saúde do estado, Ryan Park.

“Sou pai de uma jovem de 16 anos e de uma criança de 12 anos. Essas são conversas que estou tendo agora dentro da minha própria família. E muitas famílias em toda Nova Gales do Sul também estão passando por isso”, afirma Ryan Park.

A adoção permanente do programa ocorre após um teste piloto de um ano realizado pelo governo estadual. Um relatório concluiu que o serviço foi eficaz na redução dos danos associados ao uso de drogas ilícitas em festivais.

A deputada estadual por Summer Hill, Jo Haylen, afirma que a decisão é respaldada por evidências.

“Tenho muito orgulho de fazer parte de um governo que realizou a primeira cúpula sobre drogas em 25 anos. Reunimos especialistas, acadêmicos e pessoas que passaram a vida refletindo sobre essas questões extremamente complexas. Nós os ouvimos. E nossos copresidentes, Carmel Tebbutt e John Brogden, apresentaram recomendações ao governo.”

O Departamento de Saúde de Nova Gales do Sul iniciará agora consultas com a indústria da música e organizações de redução de danos para definir quais festivais integrarão o programa.

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Credit: Tho ge / Pixabay

Críticas da oposição

A oposição estadual, porém, não apoia a medida. A líder do Partido Liberal em Nova Gales do Sul, Kellie Sloane, afirma que a iniciativa transmite a mensagem errada.

“Como mãe, preciso dizer que estou dividida sobre isso. Não quero que meus filhos usem drogas, e gostaria de qualquer medida que pudesse impedir essa decisão no último momento. Mas precisamos refletir seriamente sobre a mensagem mais ampla que isso transmite, uma mensagem de permissividade, uma mensagem de que o governo não está assumindo seu papel de responsabilidade. E temo que isso possa, no fim das contas, custar mais vidas.”Ryan Park rejeita a ideia de que tornar os testes permanentes signifique legitimar o uso de drogas.

Segundo ele, os serviços de testagem oferecem aos jovens um espaço seguro para conversar sobre suas escolhas.

O ministro afirma que o relatório mostrou que muitos participantes mudaram seus planos depois de descobrir que os comprimidos continham substâncias como MDMA ou cetamina, diferentes daquilo que acreditavam estar consumindo.

“Entre essas pessoas, constatamos que 75% disseram que descartariam a substância ou mudariam seu comportamento em relação ao consumo. Isso mostra a redução de danos funcionando exatamente como deveria.”Especialistas também defendem que os testes ajudam a identificar drogas potencialmente perigosas em circulação, fornecendo informações valiosas para os serviços de saúde e para pesquisas.

Ryan Park afirma que o relatório do programa piloto de 12 meses trouxe motivos suficientes para preocupação sobre o que os jovens estão consumindo nos festivais.

Oito por cento das substâncias analisadas não eram aquilo que a pessoa acreditava estar consumindo. Isso representa quase uma em cada dez.

“O mínimo necessário”

Para outros especialistas, porém, a medida ainda não vai longe o suficiente.

A organização de reforma das leis sobre drogas Unharm defende que os testes sejam ampliados para além dos festivais. O diretor-executivo da entidade, Will Tregoning, afirma que cerca de três quartos das mortes relacionadas ao MDMA ocorreram em residências particulares, enquanto apenas 7% aconteceram em festivais ou festas dançantes.

O apelo também é apoiado pela diretora de advocacy da Igreja Uniting, Alice Salomon, e pela deputada dos Verdes Cate Faehrmann, que há anos alerta para a presença crescente de substâncias altamente perigosas em drogas de rua como cocaína, cetamina, metanfetamina e MDMA.

“Sinceramente, isso é literalmente o mínimo necessário. As overdoses estão aumentando. Os atendimentos relacionados a drogas nos departamentos de emergência também estão aumentando”, diz Cate Faehrmann.Os testes comunitários já estão disponíveis no Território da Capital Australiana (ACT) e em Victoria, incluindo unidades móveis em determinados eventos. Em outros estados, porém, a situação é diferente.

Austrália do Sul, Austrália Ocidental e Tasmânia afirmam não ter interesse em implementar programas de testagem. Já Queensland tornou-se, no ano passado, o primeiro estado australiano a proibir serviços de análise de drogas.

Apesar das divergências, Jo Haylen acredita que a abordagem adotada por Nova Gales do Sul encontra o equilíbrio adequado.

“Sabemos que simplesmente dizer ‘não’ não impede as pessoas de usar drogas. Mas também sabemos, com base nas evidências, que conversar com elas e adotar uma abordagem de redução de danos funciona e salva vidas.”

Uma vitória agridoce

Para Jennie Ross-King, a decisão representa uma vitória marcada pela dor.

“Nada jamais trará Alex de volta. Mas saber que algo significativo surgiu de uma perda tão devastadora, e que a história dela pode agora salvar a vida de outro jovem, significa mais do que eu consigo expressar em palavras.”

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