Quem frequenta parques nas grandes cidades da Austrália, do Brasil ou de Portugal já deve ter notado que eventualmente chega um grupo de pessoas, amarra fitas entre duas árvores e ficam lá, se alternando em andar sobre esta fita, alguns até arriscando umas piruetas.
Trata-se do slackline, uma prática de equilíbrio que exige bastante do corpo e da mente, e que virou esporte radical praticado sobretudo nos Estados Unidos, França, Alemanha e Brasil, segundo a Associação Internacional da disciplina.
Há várias modalidades do esporte, desde o mais simples das fitas entre árvores, até as fitas suspensas entre montanhas em cenários paradisíacos em parques nacionais em diferentes partes do mundo - o chamado highline. E se tem uma coisa que sobra em Terra Australis são cenários paradisíacos e parques nacionais, permitindo os fãs deste esporte terem suas comunidades muito bem constituídas por aqui.

O brasileiro Arthur Pera, de 30 anos, é um dos integrantes ativos desta comunidade. Natural de Valinhos (SP), ele pratica a modalidade há ao menos 12 anos, antes de mudar-se para a Austrália.
A paixão pelo esporte é tamanha que inspirou sua profissão - Arthur é um alpinista industrial, ou seja, um profissional que trabalha com manutenção de prédios, torres e antenas em grandes alturas, baseado em Wollongong (NSW).
Este ano, Arthur Pera e seus amigos do Slackline procuravam um local perfeito para uma grande empreitada de slackline, daquelas que exigem planejamento de meses e muita dedicação pra fazer acontecer. Chegaram a um ponto em Central Queensland nas Gemini Mountains que ele imediatamente associou a um indígena que ele já conhecia da internet, que luta para manter as terras sagradas de seu povo longe de uma grande mineradora, que atual na região.
Gurridyula Gaba Wunggu é o nome deste homem, pertencente ao povo Wangan Jagalingou.
Então Arthur juntou a fome com a vontade de comer: por que não entrar em contato com ele, pedir ajuda para fazer o projeto acontecer, ao mesmo tempo em que aprende sobre a cultura indígena local, e também dá visibilidade para causa? O projeto virou um documentário, que Arthur Pera e seus amigos do slackline estão finalizando.
Conversamos com Arthur Pera, que nos conta aqui sobre o que é o slackline, como funciona a comunidade, e também do projeto do documentário chamado LET IT FLOW.
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Também ouvimos a mineradora citada, a Bravus, atual nome da Adani. Através de um porta-voz, a empresa emitiu o seguinte comunicado, traduzido do inglês:
"A mina Carmichael possui algumas das condições ambientais mais rigorosas de qualquer projeto de recursos na história da Austrália e temos orgulho de cumprir essas aprovações.
O limite do complexo de nascentes de Doongmabulla fica a mais de oito quilômetros do limite da mina Carmichael e a 11 quilômetros de qualquer atividade mineradora.
Uma parte importante para garantir que a mina Carmichael não afete o meio ambiente circundante é o nosso abrangente programa de monitoramento de águas subterrâneas, que envolve a observação e o registro dos níveis e da qualidade da água em mais de 135 locais ao redor da mina Carmichael. Este programa mediu mais de dois milhões de pontos de dados desde 2012.
Não houve excedências ou violações das nossas condições de águas subterrâneas e o complexo de nascentes de Doongmabulla não corre risco com nenhuma das minas que estamos realizando atualmente, ou com qualquer mineração que estejamos autorizados a realizar no futuro. O órgão regulador do governo de Queensland confirmou publicamente que não há evidências de qualquer dano ao complexo de nascentes de Doongmabulla devido às operações de mineração a céu aberto da Bravus Mining and Resources.
O Sr. McAvoy não fala por todos os povos Wangan e Jangalingou e suas opiniões não são representativas do grupo majoritário de Proprietários Tradicionais, que detém a autoridade em questões relacionadas ao complexo de nascentes de Doongmabulla e à gestão do patrimônio cultural na mina Carmichael.”
Para ouvir, clique no 'play' desta página.
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