Quem anda de ônibus nas cidades australianas talvez esteja familiarizado com a marca Volgren, a encarroçadora líder de marcado de ônibus urbanos no país. O que poucos sabem é que a Volgren tem comando brasileiro - a empresa é uma subsidiária da multinacional gaúcha Marcopolo S/A, parcialmente desde 2012, e totalmente desde 2017.

O CEO da Volgren é o expatriado brasileiro Thiago Deiro, que chegou a Melbourne para aproximar a empresa australiana da matriz em Caxias do Sul. Funcionário da Marcopolo desde 2008, ele comanda a Volgren desde 2019 - um momento em que o mercado de transporte urbano passou a rodar em uma estrada sinuosa repleta de desafios.
Primeiro, a pandemia de COVID-19 impactou severamente o transporte público, que depende, obviamente, do deslocamento de pessoas, causando uma redução drástica na produção.
Segundo, a Austrália - e o mundo - estão em pleno processo de mudança de paradigma da matriz de combustíveis.
Na pandemia, o mercado caiu de 65% a 70% entre 2021 e 2022. Estamos vivendo uma retomada este ano, justamente com a transição dos ônibus elétricos, bicombustível até mesmo a hidrogênioThiago Deiro, CEO da Volgren.
De acordo com o Australia Institute, um think tank de políticas públicas baseado em Camberra, o setor de transporte é o terceiro maior poluidor na Austrália. Os carros particulares são os grandes vilões, mas a mudança engloba também o trransporte público: Victoria, por exemplo, tem o comprometimento de passar a comprar apenas ônibus novos elétricos já no ano que vem. Queensland tem o mesmo prazo para os ônibus no sudeste do estado. Nova Gales do Sul tem meta de emissão zero de gases poluentes na frota para 2030.
Praticamente todos os estados australianos têm política de estímulo para geração de empregos locais. A importância de ter uma cadeia de suprimento bem estabelecida nos ajuda a ter competitividade, mas existe competição grande com importados. O custo de manufatura aqui é mais caro que na China. As regras têm que ser claras pra uma competição justaThiago Deiro, CEO da Volgren.
Ônibus híbridos e elétricos são o futuro a curto e médio prazo, além do desenvolvimento cada vez maior de veículos movidos a hidrogênio - para alguns, como a Toyota, é o combustível que será dominante a longo prazo, em especial para ônibus e caminhões.

De Porto Alegre a Melbourne, via Caxias do Sul
Natural de Porto Alegre, Thiago Deiro é formado em Ciências Econômicos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com MBA em gestão financeira pela FGV e graduação pelo Australian Institute of Company Directors (AICD).
Nesta conversa com a SBS em Português, o CEO brasileiro baseado em Melbourne fala dos desafios de comandar a líder de mercado depois da pandemia ao mesmo tempo em que tem que abraçar as mudanças para energia mais limpa.
Ele também relata as diferenças entre os mercado brasileiro e australiano e diz que a mão de obra costuma ser um desafio na Austrália, mas que a bitributação é um empecilho para um intercâmbio maior de funcionários entre a Marcopolo e as três fábricas da Volgren, em Melbourne, Perth e Brisbane.
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