Já faz alguns anos que o futebol é o esporte mais praticado na Austrália - sim, o nosso futebol, chamado de soccer no país.
A mais recente pesquisa da Australian Sports Comission, braço governamental para o esporte, apontou em 2023 que o futebol segue a bater o golfe e o tênis no número de praticantes, com sucesso ainda maior entre crianças: quase a metade dos jovens entre 6 e 13 anos praticantes de atividade física na Austrália jogam o nosso futebol.

O sucesso na prática ainda não se reflete na liga da modalidade do país, a A-League, que sobrevive há quase 20 anos no atual formato, entre altos e baixos, sem ser um grande atrativo para atletas estrangeiros do primeiro escalão internacional.
Contudo, há um brasileiro que enxergou na A-League um nicho para jogadores brasileiros e, consequentemente, uma oportunidade de negócios.
O paulistano Milton da Rocha vive em Sydney e é agente Fifa credenciado desde 2009. Isso quer dizer que ele é autorizado pela entidade máxima do futebol mundial a negociar acordos e patrocínios com atletas profissionais e clubes, e receber dinheiro por isso.

Milton esteve envolvido na contratação do atacante brasileiro Marco Tulio, que disputava a Série B do Brasileirão pelo CSA, pelo Central Coast Mariners em 2022. Contratado pelo clube de Gosford, que acabou campeão, Tulio sobrou na liga nacional australiana: em 26 partidas, marcou 10 gols, inclusive o eleito mais bonito da temporada, e deu cinco assistências.
Este mês, o brasileiro se despediu do Central Coast Mariners rumo ao Kyoto Sanga, da primeira divisão do Campeonato Japonês, a J-League.

Com a negociação, Milton da Rocha concretizou o plano que visualizou lá trás, quando virou agente Fifa: fazer de clubes australianos uma vitrine a jogadores brasileiros sem oportunidades em clubes de ponta para que consigam contratos em ligas de maior projeção da Ásia, como a J-League.
Apesar de já ter trazido diversos outros brasileiros para a A-League, o sucesso do atual negócio faz Milton chamar a operação de "Projeto Marco Tulio", e espera usá-la de exemplo para trazer mais brasileiros aos clubes da Austrália.
Uma das minhas estratégias é mostrar o que é feito em Portugal, que tem uma liga de entrada de jogadores brasileiros na Europa. A Austrália tem visibilidade para a Ásia, como Portugal tem para grandes clubes europeusMilton da Rocha.
Formado em Comércio Exterior no Brasil, Milton da Rocha veio para Down Under para estudar inglês e acabou ficando, fazendo carreira na área financeira de bancos, sem nunca abandonar a paixão pelo esporte. Praticante, entre outros, de vôlei de areia, afirma ter disputado o Circuito Banco do Brasil em seu país natal, e chegou a praticar a modalidade também na Austrália. Também já colaborou com a SBS em Português em algumas oportunidades, ao comentar a Copa do Mundo de 2010, e também com boletins da cobertura do Aberto de Tênis da Austrália.

Nesta conversa com a SBS em Português em meio a preparativos para a viagem ao Japão, onde Marco Tulio será apresentado ao Kyoto Sanga, Milton da Rocha conta sua história, fala como é ser agente de jogador por aqui e diz o que é preciso para fazer parte do restrito e apaixonante mercado de futebol.
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