O controlo do estratégico estreito de Ormuz é um superpoder. Recurso essencial para as cabeças que comandam o atual Irão, vêem este bem que a geografia deu à Pérsia um recurso fundamental para financiar a reconstrução e o desenvolvimento do país.
Talvez a negociação possa vir a levar a um consórcio de estados da região, no caso, prioritariamente, os que estão em frente na outra margem, os Emiratos e o sultanato de Omã, em conjunto a administrarem um fundo, reinstalando o que está no direito internacional, para a recuperação regional. Porque ninguém estará dispostos a pagar reparações — nem os iranianos aos países do Golfo, nem vice-versa — mas alguém terá de suportar o altíssimo custo destes meses de conflito destruidor de sofisticadas instalações estratégicas.
Para o atual poder em Teerão, qualquer acordo com os EUA deve permitir que o Irão controle o superestratégico estreito e que possa utilizá-lo como fonte de receitas, porque, sem esse recurso, o regime será incapaz de conseguir a reconstrução após a guerra. Assim, tornar-se-ia vulnerável internamente, com a população outra vez na rua em protestos.
Ormuz significa para o regime iraniano sobrevivência e segurança.
O Portugal da expansão marítima há cinco séculos já tinha identificado o valor de Ormuz.
O rei Manuel 1º - chegou ao trono em 1495, e dois anos depois enviou a armada capitaneada por Vasco da Gama com o objetivo do dobrar o Cabo da Boa Esperança e contornar a África mais austral.
Também de pôr fim à lenda dos monstros naqueles mares, abrir a rota naval para a Índia e instalar bases para o que veio a ser chamado de estado da Índia, sob tutela do expansionismo português, abarcando todos os territórios reivindicados pelos portugueses a oriente, de Moçambique a Macau.
Francisco de Almeida foi o primeiro vice-rei português. Sucedeu-lhe como governador Afonso de Albuquerque que colocou a bandeira portuguesa em Goa, em 1510, em Malaca em 1511 e em Ormuz, 1515, sendo logo de seguida instalado a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, que sucedeu à de Senhora da Vitória, fundada numa primeira expedição, oito anos antes.
Os relato de então revelam natureza prodigiosa, fiordes em cordilheira inundadas pelo mar que tem tartarugas verdes, golfinhos e recifes de corais.
A riqueza nesse tempo veio do comércio de especiarias. Cinco séculos depois, a grande mais-valia que Ormuz significa é o acesso aos combustíveis, o petróleo e o gás liquefeito.
Para o Irão, é ouro. Por isso Ormuz é tema determinante nas negociações. O Irão não quer tornar-se outro Líbano, outra Gaza, outra Síria, em suma, outro lugar onde Israel tenha liberdade para atacar à vontade. Ssabe que tem de negociar, o que implica ceder. Mas sempre a manter o controlo – mesmo que partilhado – de Ormuz.
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