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Ormuz, o estreito crucial que já foi uma jóia para os portugueses durante os Descobrimentos

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O Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, instalada pelos portugueses após a chegada em 1515. Credit: Ermac Kiyani

Afonso de Albuquerque foi o governador que ergueu a bandeira da coroa em Ormuz em 1515, instalando a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, cujas ruínas ainda se mantêm. Se hoje é estratégico para o Irão pelo petróleo, a Portugal o foi pelas especiarias.


O controlo do estratégico estreito de Ormuz é um superpoder. Recurso essencial para as cabeças que comandam o atual Irão, vêem este bem que a geografia deu à Pérsia um recurso fundamental para financiar a reconstrução e o desenvolvimento do país.

Talvez a negociação possa vir a levar a um consórcio de estados da região, no caso, prioritariamente, os que estão em frente na outra margem, os Emiratos e o sultanato de Omã, em conjunto a administrarem um fundo, reinstalando o que está no direito internacional, para a recuperação regional. Porque ninguém estará dispostos a pagar reparações — nem os iranianos aos países do Golfo, nem vice-versa — mas alguém terá de suportar o altíssimo custo destes meses de conflito destruidor de sofisticadas instalações estratégicas.

Para o atual poder em Teerão, qualquer acordo com os EUA deve permitir que o Irão controle o superestratégico estreito e que possa utilizá-lo como fonte de receitas, porque, sem esse recurso, o regime será incapaz de conseguir a reconstrução após a guerra. Assim, tornar-se-ia vulnerável internamente, com a população outra vez na rua em protestos.

Ormuz significa para o regime iraniano sobrevivência e segurança.

O Portugal da expansão marítima há cinco séculos já tinha identificado o valor de Ormuz.

O rei Manuel 1º - chegou ao trono em 1495, e dois anos depois enviou a armada capitaneada por Vasco da Gama com o objetivo do dobrar o Cabo da Boa Esperança e contornar a África mais austral.

Também de pôr fim à lenda dos monstros naqueles mares, abrir a rota naval para a Índia e instalar bases para o que veio a ser chamado de estado da Índia, sob tutela do expansionismo português, abarcando todos os territórios reivindicados pelos portugueses a oriente, de Moçambique a Macau.

Francisco de Almeida foi o primeiro vice-rei português. Sucedeu-lhe como governador Afonso de Albuquerque que colocou a bandeira portuguesa em Goa, em 1510, em Malaca em 1511 e em Ormuz, 1515, sendo logo de seguida instalado a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, que sucedeu à de Senhora da Vitória, fundada numa primeira expedição, oito anos antes.

Os relato de então revelam natureza prodigiosa, fiordes em cordilheira inundadas pelo mar que tem tartarugas verdes, golfinhos e recifes de corais.

A riqueza nesse tempo veio do comércio de especiarias. Cinco séculos depois, a grande mais-valia que Ormuz significa é o acesso aos combustíveis, o petróleo e o gás liquefeito.

Para o Irão, é ouro. Por isso Ormuz é tema determinante nas negociações. O Irão não quer tornar-se outro Líbano, outra Gaza, outra Síria, em suma, outro lugar onde Israel tenha liberdade para atacar à vontade. Ssabe que tem de negociar, o que implica ceder. Mas sempre a manter o controlo – mesmo que partilhado – de Ormuz.

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Bom, o grande assunto do planeta no momento é a guerra entre os Estados Unidos

e Israel contra o Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde

escoa 20% da produção de petróleo mundial, além de grande parte dos fertilizantes,

gás natural e outros produtos fundamentais na economia do planeta. O fechamento do

estreito entre o Irã e Omã pode causar uma recessão mundial e a escalada geral dos

preços em praticamente todos os cantos do planeta já é realidade.

E não é de hoje que o Estreito de Ormuz é importante nas rotas marítimas. Há

quinhentos anos, nos tempos do descobrimento, a passagem era considerada

uma jóia da coroa portuguesa, símbolo da dominância de Portugal na época. Quem

conta pra gente é o correspondente da SBS em português, em Lisboa, Francisco Sena

Santos.

É, Fernando e ouvintes da SBS, está implícito que antes da cimeira negocial,

de que todos precisam, ainda que primeiro questionada em jogos psicológicos,

negociadores dos Estados Unidos e do Irão já acertaram as bases de um lado e do

outro para chegar ao memorando de entendimento prévio ao acordo mais

complexo, esse a negociar em tempo mais longo. Os chefes das delegações dos

Estados Unidos, do Irão, também a mediação paquistanesa, não vão, portanto, partir

com uma folha em branco. E entre os temas-chave sobre a mesa está

necessariamente Ormuz. O controle do estratégico Estreito de Ormuz é um

superpoder. As cabeças que comandam o atual Irão veem este bem que a geografia

deu à Pérsia, o atual Irão, um recurso fundamental para financiar a reconstrução

e o desenvolvimento do país. Talvez a negociação possa vir a levar a um

consórcio entre Estados da região, no caso, prioritariamente os que estão em

frente, na outra margem, os Emiratos e o Sultanato de Omã, em conjunto a

administrarem um fundo e assim

a reinstalarem o que está no direito internacional, um fundo para a recuperação

regional, porque ninguém estará disposto a pagar reparações, nem os iranianos aos

países do Golfo, nem vice-versa, mas alguém terá de suportar o custo altíssimo

destes, até agora,

cinquenta e quatro dias de conflito destruidor de sofisticadas instalações

estratégicas. Para o atual poder em Teerão, qualquer entendimento com os

Estados Unidos deve permitir que o Irão controle o super estratégico Estreito de

Ormuz e que possa utilizá-lo como fonte de receitas, porque sem esse recurso, o

regime fica incapaz de conseguir a reconstrução após a guerra e assim

tornar-se-ia vulnerável internamente com a população outra vez na rua em protestos.

Ormuz significa para o regime iraniano sobrevivência, segurança. O Portugal da

expansão marítima de há cinco séculos já tinha identificado o grande valor de

Ormuz. O rei Manuel I

chegou ao trono em Lisboa em 1495. Dois anos depois, enviou a armada capitaneada

por Vasco da Gama com o objetivo de dobrar o Cabo da Boa Esperança, pôr fim à lenda

dos monstros naqueles mares, abrir a rota naval pra Índia e instalar bases para o

que veio a ser o chamado Estado da Índia, sob tutela do expansionismo português,

abarcando todos os territórios a oriente reivindicados pelos portugueses de

Moçambique a Macau. Francisco de Almeida foi o primeiro vice-rei português.

Sucedeu-lhe como governador Afonso de Albuquerque, que colocou a bandeira

portuguesa em Goa, 1510, em Malaca, 1511, e em Ormuz, 1515,

sendo logo em seguida instalada em Ormuz a fortaleza de Nossa Senhora da Conceição,

que sucedeu à de Senhora da Vitória, fundada numa primeira expedição oito anos

antes. Os relatos desse tempo revelam por ali uma natureza prodigiosa, fiordes em

cordilheiras inundadas pelo mar, que têm as tartarugas verdes e os golfinhos, os

recifes de corais, em terra, dunas imensas. A riqueza, nesse tempo, veio do

comércio de especiarias. Agora, cinco séculos depois, a grande mais-valia que

Ormuz significa é o acesso aos fertilizantes e aos combustíveis, o

petróleo e o gás liquefeito. Para o Irão, Ormuz é ouro, por isso é tema

determinante nas negociações com os Estados Unidos. O Irão não quer tornar-se

um outro Líbano, uma outra Gaza, uma outra Síria, em suma, outro lugar onde Israel

tenha liberdade para atacar à vontade. Sabe que tem de negociar, o que implica

ceder em vários pontos, mas sempre a manter o controle, mesmo que partilhado,

de Ormuz.

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