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Palmilhar Portugal, o percurso que pretende ser o mais longo do mundo para pedestres

Hilltop Chapel and Azulejos Tiles in Lamego, Portugal

O Santuário Barroco de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego: um dos mais belos exemplares do rococó em Portugal e importante centro de peregrinação religiosa é parte do percurso do Palmilhar Portugal. (Photo by Tim Graham/Getty Images) Credit: Tim Graham/Tim Graham

O primeiro trecho do caminho circular de 6.000 km entre montanhas, praias, florestas, vinhas, vilas e lagoas será já em outubro e excluirá Porto e Lisboa. A ideia é justamente mostrar o lado diferente do país.


Portugal é um país médio, ou mesmo pequeno em tamanho: 89.000 km quadrados em território continental. É facto que com os arquipélagos dos Açores e da Madeira fica grande enorme mesmo no mar, mas tem projetos ambiciosos. Um deles chama-se Palmilhar Portugal, um percurso circular que pretende ser o percurso pedestre mais longo do mundo.

É um percurso circular de 6.000 km entre montanhas e praias, florestas, vinhas, vilas, lagoas com mar ao pé. Os primeiros troços serão inaugurados já no próximo outubro. Não passa por Lisboa, nem pelo Porto, as duas cidades maiores, mais turísticas do país, porque a ideia é mostrar o outro lado, o lado diferente de Portugal.

Ora, o que é que se pode encontrar ao longo do primeiro troço deste percurso a inaugurar já no próximo mês. Diversas atividades culturais, locais de interesse, como, por exemplo, o Mosteiro de Santa Maria da Alcobaça, que é património mundial da UNESCO, a Lagoa de Óbidos e os 370 m originais de uma via romana do século primeiro desta era cristã.

Este primeiro troço pronto para ser aberto é apenas no centro litoral português. Virá a seguir um pouco mais acima no mapa, a região do Dão, é um uma zona variada, maravilhosa para quem deseja experienciar o Portugal rural autêntico.

As multidões desaparecem à medida que eh se afasta do litoral, ou as cidades mais turísticas, como sempre irresistível, Coimbra, também Aveiro. E se entra na paisagem rural cada vez mais espetacular, encontramos, por exemplo, aldeias estoicas de xisto que se aninham em encostas cobertas de floresta, onde se chega por estradas ou caminhos rurais que serpenteiam por entre lagoas de altitude até as montanhas mais altas da principal Serra da Estrela.

Está por ali Belmonte, uma das 11 aldeias fronteiriças com Espanha, incluídas no projeto de desenvolvimento rural das aldeias históricas portuguesas. Com uma comunidade nesta de nesta aldeia de Belmonte, uma comunidade cripto-judaica que conseguiu preservar secretamente as suas orações edições e costumes durante mais de cinco séculos após a chegada da inquisição a Portugal no século XV.

Hoje, os judeus de Belmonte produzem produtos kosher, como os vinhos Terras de Belmonte e Sefarad, também o azeite Ribeiro Sanches. Uma centena de quilómetros mais para norte, estamos na borda sul do Rio Douro. Podemos parar, por exemplo, em Lamego.

700 graus aproximam lamego, como eles dizem, do céu, ou pelo menos de um dos seus braços, é o Santuário Barroco de Nossa Senhora dos Remédios, grande romaria de Portugal em 7 e 8 de setembro. É um dos mais belos exemplares do rococó em Portugal, além de um importante centro de peregrinação religiosa.

A monumental escadaria ziguezagueia entre patamares decorados com azulejos e fontes coroadas com obeliscos até ao terraço do pátio dos reis lá em cima, mais sóbria.

É a pequena igreja românica de Santa Maria de Almacave, no centro da cidade de Lamego, uma igreja do século 12, onde a tradição situa a assembleia de nobres e clérigos que se reuniu ali em 1144 para confirmar Afonso Henriques como o primeiro rei de Portugal, a fundação do Reino de Portugal.

Para além dos seus monumentos, entre os quais o Castelo, que não pode ficar de fora, Lamego é conhecida pelo presunto, pelas bolas e pelos espumantes brancos, continuando a palmilhar para nordeste de Portugal.

Aparecem os mais de 26.000 hectares que compõem a prodigiosa região vinícola do Alto Douro, moldados por vinhas que se estendem por socalcos calunados em torno do rio, que é sem dúvida o mais impressionante do noroeste da Península Ibérica, que se transformam numa paisagem espectacular para os olhos, o olfato, também o paladar.

Para todos os sentidos, não é à toa que a UNESCO declarou este alto douro vinhateiro património mundial. A interação entre o homem e a natureza coexiste em harmonia perfeita neste território fértil, pontilhado por santuários, aldeias, as quintas, as propriedades rurais.

A história das suas vinhas remonta à época romana, quando esta região foi adaptada ao cultivo de culturas mediterrânicas, mas a origem das acolhedoras quintas, as propriedades rurais, com solares encantadores e atribuído aos monges cistercienses que no século XII, após várias crises, retomaram essa atividade.

A longa tradição da viticultura produziu uma paisagem que reflete a evolução tecnológica, social, económica, foi também pioneira. Em 1756, a região do Douro tornou-se a primeira região vinícola demarcada e regulamentada em qualquer lugar do mundo.

Aqui fica assim uma mostra do tanto para palmilhar em Portugal. A partir de 2026, o percurso percurso palmilhar vai contar com uma aplicação móvel com um mapa e notificações em tempo real sobre pontos de interesse e eventos próximos. É o programa Palmilhar Portugal, 6.000 km de percursos sempre circulares.

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